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Roseana Sarney enfrenta câncer de mama triplo-negativo; entenda o tumor

Roseana Sarney enfrenta câncer de mama triplo-negativo; entenda o tumor

Roseana foi diagnosticada com um câncer de mama agressivo aos 72 anos, durante um check-up. O câncer é do tipo triplo-negativo, considerado raro e agressivo para a faixa etária

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Guilherme Sillva

Editor do Se Cuida / [email protected]

Publicado em 21 de novembro de 2025 às 14:55

Roseana Sarney
Roseana Sarney  foi diagnosticada com um câncer de mama agressivo Crédito: Reprodução @Roseanasarney

A deputada federal e ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (MDB) foi diagnosticada com um câncer de mama agressivo aos 72 anos, durante um check-up. O câncer é do tipo triplo-negativo, considerado raro e agressivo para a faixa etária. Apesar disso, o tratamento tem sido efetivo, combinando quimioterapia e imunoterapia.

Em entrevista ao jornal O Globo, Roseana detalhou o dia a dia. "Estou com uma coceira que é uma tortura. Minha pele está toda manchada. Os sintomas são mais leves pela manhã, na parte da tarde ficam mais fortes. Peço para o Jorge (seu marido, Jorge Murad) ou uma amiga que me visita passar creme na minha perna, alivia um pouco", disse. 

Não tenho medo da morte. Todo mundo tem que se preparar para ela

Roseana Sarney

Deputada federal

Roseana disse ao O Globo que o tratamento combina quimioterapia com imunoterapia, e que no início do ano que vem, uma cirurgia será realizada. “Já tive de receber transfusão de sangue. Quinta-feira passada vim para o hospital porque minha pressão caiu muito. Costumo dizer que esse é um tratamento para gente grande”.

Os sinais do tumor

O câncer de mama triplo-negativo é um dos subtipos mais desafiadores da oncologia moderna. Diferentemente das formas mais comuns da doença - que, geralmente, apresentam receptores hormonais ou expressão do gene HER2 -, o triplo-negativo não possui nenhum desses marcadores. Isso significa que o tumor não responde a terapias hormonais, o que altera completamente a estratégia terapêutica.

O mastologista Guilherme Novita, da Oncoclínicas, diz que câncer de mama triplo-negativo é o tipo normal de câncer de mama, com algumas características particulares. Todo câncer de mama, ou 98% dele, são os carcinomas, que é um tumor derivado do epitélio, que é a pele que reveste o ducto mamário. De acordo com as características biológicas dele, ele tem no seu exame, que chama imuno-istoquímica, alguns marcadores.

"O triplo-negativo é aquele que não expressa os três marcadores básicos, que são receptor de estrogênio, receptor de progesterona e HER2. Isso significa que é um tumor com uma linhagem biológica diferente, ou mais básica em relação ao tecido normal. É um tumor mais agressivo", explica o mastologista. 

Guilherme Novita é mastologista
Guilherme Novita explica o que é o câncer de mama triplo-negativo Crédito: Divulgação Guilherme Novita

São tumores que crescem mais rápido, que dão mais metástases e obviamente também causam mais óbitos

Guilherme Novita

Mastologista

O médico explica que um outro ponto é que os receptores de estrogênio e progesterona são alvos terapêuticos para medicações, que são os bloqueadores hormonais. "E o HER2 é um alvo terapêutico para as terapias anti-HER2. Já o tumor triplo-negativo, ele perde um pouco nesses alvos".

A oncologista Virgínia Altoé Sessa explica que os sinais do tumor são tomoração ou vermelhidão na mama, ou deformação de mamilo. "Uma peculiaridade é que geralmente a paciente percebe o aparecimento muito rápido. Mas os sinais são nodulação, o pode mamilo ficar invertido, alteração na mama, retração de pele ou o carcinoma inflamatório chamado de casca de laranja".

A médica diz que o ideal é que o câncer de mama seja feito pelo rastreamento, porque as chances de detectar lesões muito pequenas e com maior taxa de cura são maiores. "O rastreamento é uma forma de detectar o tumor. Os exames tradicionais, como mamografia, ultrassom e o autoexame são importantes". 

O tratamento

O oncologista Loureno Cezana, do Hospital Santa Rita, diz que embora o triplo-negativo possa surgir em qualquer idade, ele é mais prevalente em mulheres mais jovens, especialmente abaixo dos 40 e 50 anos. Na faixa etária acima dos 70 anos, esse tipo de tumor é, de fato, menos frequente. "Isso ocorre porque tumores triplo-negativos costumam estar associados a alterações genéticas específicas - como mutações no gene BRCA1 - que se manifestam predominantemente em mulheres mais jovens. Em idades avançadas, predominam tumores hormonais, de evolução normalmente mais lenta”, explica.

O especialista acrescenta que os sinais clínicos do câncer de mama triplo-negativo não diferem muito dos demais tipos da doença. “Podem incluir nódulos endurecidos na mama, alterações na pele - como retrações ou aspecto de ‘casca de laranja’ -, mudanças no mamilo ou secreções anormais. Por essa razão, qualquer alteração percebida pela mulher deve motivar avaliação médica, mesmo quando mamografias recentes tenham sido normais”, pontua. O diagnóstico, porém, não é feito exclusivamente por rastreamento. De acordo com Loureno Cezana, embora a mamografia continue sendo o principal método de detecção precoce, a confirmação do subtipo só é possível após biópsia, com análise laboratorial dos receptores hormonais e da proteína HER2.

No tratamento, Roseane recebe a combinação de quimioterapia e imunoterapia. "Vou completar a 12ª sessão dessa primeira etapa. Depois serão mais quatro sessões a cada 21 dias, com outra medicação e, no início do ano que vem, vou passar por uma cirurgia. Chego semanalmente no Sírio aos domingos, faço exames prévios para checar minha condição física e fico internada por uns três dias. Já tive de receber transfusão de sangue", contou na entrevista.

O oncologista diz que a ausência dos três marcadores – estrogênio, progesterona e HER2 – direciona o manejo para terapias sistêmicas como quimioterapia, imunoterapia e, em casos específicos, terapias-alvo para mutações hereditárias. “Em geral, opta-se por tratamento multimodal, que pode envolver cirurgia, quimioterapia antes ou depois do procedimento e, dependendo da extensão da doença, radioterapia. Nos últimos anos, a incorporação da imunoterapia representou um avanço significativo, especialmente em tumores localmente avançados ou metastáticos. Ainda assim, a rapidez com que o tumor evolui torna a detecção precoce e o início imediato do tratamento fatores decisivos para o prognóstico”, explica  Loureno Cezana. 

O câncer de mama triplo-negativo continua sendo um campo de intensa pesquisa científica, justamente por sua complexidade e por desafiar os métodos terapêuticos tradicionais. “Apesar disso, avanços importantes têm ampliado as perspectivas de tratamento e melhorado a sobrevida das pacientes. A mensagem principal permanece a mesma: diagnóstico precoce, atenção aos sinais e acompanhamento regular são aliados fundamentais na luta contra esse e todos os demais tipos de câncer de mama”, finaliza o Loureno Cezana.

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