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Queda na procura por outras vacinas preocupa médicos

Isoladas em casa por causa da pandemia, muitas pessoas acabaram deixando de lado cuidados de imunização que deveriam ter sido mantidos

Publicado em 20/05/2021 às 19h54
Dados da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBI) apontam uma queda de 60% a 70% na cobertura vacinal infantil após o início da pandemia de Covid-19.
Dados da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBI) apontam uma queda de 60% a 70% na cobertura vacinal infantil após o início da pandemia de Covid-19.. Crédito: Freepik

É verdade que agora o foco é a vacina contra o coronavírus, grande esperança contra um mal que vem tirando milhões de vidas em todo o mundo. Mas enquanto essa dose não chega para todos, vale lembrar que existem outras vacinas tão importantes quanto a da Covid-19 à disposição.

Isoladas em casa por causa da pandemia, muitas pessoas acabaram deixando de lado cuidados que deveriam ter sido mantidos. Mães e pais deram uma pausa na vacinação das crianças, expondo-as a outras doenças graves.

Dados da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBI) apontam uma queda de 60% a 70% na cobertura vacinal infantil após o início da pandemia de Covid-19, sobretudo de crianças de até um ano de vida.

Outro levantamento, realizado pelo Ibope, revelou que 29% dos pais adiaram a vacinação dos filhos após o surgimento da pandemia. E 9% disseram que planejam levar os pequenos para vacinar somente quando a situação melhorasse.

Uma decisão equivocada, segundo a imunologista Paula Perini: "Sem dúvida, quando você deixa de dar a vacina à criança você está expondo-a a várias doenças, como sarampo, catapora, tétano, hepatite B, poliomielite etc."

SEM RISCOS

É possível ir às clínicas e postos de saúde sem correr riscos. "Há uma estrutura organizada. Na rede pública, as vacinas da campanha contra a gripe estão sendo feitas à tarde e as demais, pela manhã. Nas clínicas particulares é a mesma coisa. É só ir de máscara, ver se não há aglomeração. De forma nenhuma deixar de ir", orienta Paula Perini.

A bióloga Maria Carolina Cremasco Fraga, gestora dos serviços de vacina do laboratório Cremasco, afirma que manter a carteira de vacinação em dia é essencial, principalmente no momento de pandemia em que estamos vivendo.

"As vacinas nos protegem de doenças que prejudicam o nossa imunidade e protegem nosso organismo contra infecções e bactérias. Na infância, sistema imunológico ainda está em formação, tornando a criança vulnerável a adquirir doenças. Daí a importância de manter a caderneta de vacinação atualizada", aponta.

Uma das vantagens da vacina contra a gripe é evitar confusão com a Covid em caso de sintomas respiratórios.
Uma das vantagens da vacina contra a gripe é evitar confusão com a Covid em caso de sintomas respiratórios. Crédito: Freepik

A chegada do inverno deixa no ar uma série de problemas respiratórios, sobrecarregando os hospitais.

As unidades da rede pública de saúde e as clínicas particulares estão em plena campanha da vacina da gripe. Basta comparecer no horário agendado e receber a dose com segurança. E quem pode pagar ainda tem mais uma opção para se proteger: a vacinação em domicílio. O serviço já existia, mas se tornou ainda mais relevante neste período pandêmico.

"Temos todas as vacinas, para adultos e crianças, disponíveis para serem aplicadas em casa", afirma Maria Carolina Cremasco.

De acordo com a imunologista Paula Perini, é importante aproveitar a campanha nacional para buscar a proteção contra o vírus da influenza. "A vacina é fundamental porque a influenza é uma doença grave, principalmente nas crianças abaixo de 6 anos de idade e em pessoas acima de 60 anos", cita.

Profissionais que atuam na área de vacinas do Cremasco
Profissionais que atuam na área de vacinas do Cremasco. Crédito: Cremasco/ Divulgação

Outra vantagem da vacina contra a gripe é evitar confusão com a Covid em caso de sintomas respiratórios. "Como nesta época do ano há muitas viroses e doenças alérgicas, se a pessoa já tomou a vacina contra a gripe a gente pode descartar isso", destaca ela.

A médica lembra que é preciso apenas se atentar ao intervalo entre as vacinas, para quem for tomar as de Covid e da gripe. "Os períodos não podem coincidir. Tem que dar uma distância de uns 15 dias entre uma dose e outra. Mas jamais deixar de vacinar", diz Paula Perini.

DOSES DE PROTEÇÃO NO CONFORTO DO LAR

Elis acaba de nascer e, por conta da pandemia, praticamente não recebe visitas. Mas a casa dela não fechou as portas para a vacina. A bebê, de dois meses de vida, recebeu no conforto do lar as doses importantes para esta fase.

"Já estávamos tensos pelo grande risco de contágio durante a estadia, mesmo que curta, na maternidade. Precisávamos coletar o exame do teste do pezinho e optamos por solicitar a coleta domiciliar para evitar mais uma exposição! Foi ótimo! Outra vantagem é que pudemos agendar um horário conveniente, e o ambiente doméstico é muito menos estressante para o bebê", comenta a mãe da Elis, a psicóloga e psicanalista Fernanda Stange Rosi, 35 anos.

A empresária e criadora de conteúdo Poly Polycarpo, 35 anos, também não deixou espaços em branco na caderneta de vacinação da filha, Céu, de 8 meses. Sem sair para a rua, deu todas as doses recomendadas para a menina.

A empresária e criadora de conteúdo Poly Polycarpo não deixou espaços em branco na caderneta de vacinação da filha, Céu, de 8 meses.
A empresária e criadora de conteúdo Poly Polycarpo não deixou espaços em branco na caderneta de vacinação da filha, Céu, de 8 meses. Crédito: Arquivo Pessoal

"Céu toma todas as vacinas em casa. Tirando as primeiras, que foram no hospital, todas as seguintes optamos por fazer em casa. Assim, a gente se expõe menos nesse período de pandemia, não a tiramos da rotina e consigo mantê-la no peito durante a vacinação. Faz toda diferença. Dessa forma eu não atrasei nenhuma vacina, fazendo em casa e com menos exposição demos todas no período certinho", conta Poly.

E mesmo com todos os cuidados, Céu também deu um jeito de manter todas as consultas com a pediatra. "Apenas uma acabamos desmarcando porque apresentamos sintomas de gripe. Foi um período em que a Céu pegou resfriado e eu também. Aí, na dúvida não fomos à consulta. Mas mantive o atendimento on-line sempre que tive dúvidas com a pediatra dela", diz a empresária.

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