ASSINE

Queda de cabelo, espinhas, alergias: veja sintomas dermatológicos pós-covid

Muita gente que se curou do coronavírus ainda enfrentou outros problemas de pele. A boa notícia é que há tratamentos para eles

Publicado em 20/05/2021 às 19h36
Segundo a dermatologista Karina Mazzini, não se sabe ao certo a relação entre a queda de cabelo e o coronavírus, mas o estresse por causa da pandemia pode ter influência.
Segundo a dermatologista Karina Mazzini, não se sabe ao certo a relação entre a queda de cabelo e o coronavírus, mas o estresse por causa da pandemia pode ter influência. Crédito: Freepik

A consultora de vendas Paula Fernanda Anastácio Ribeiro, de 25 anos, contraiu Covid-19 em janeiro deste ano. Sentiu febre, tosse, dor no corpo, perdeu o olfato e o paladar. Quando os sintomas melhoraram e ela achou que ficaria 100% veio outro problema: seus fios começaram a cair.

"Um mês depois que sarei da Covid meu cabelo começou a cair horrores. E continua caindo até hoje! Tanto que vou marcar uma consulta com uma dermatologista", conta Paula.

Não foi só com ela. Pesquisas apontam que uma em cada quatro pessoas curadas do coronavírus tiveram queda de cabelo semanas depois. Mas mesmo quem não se infectou não passou ileso. Com tanto sabão e álcool em gel, a pele também sofreu com ressecamentos, rachaduras, alergias. Essas e outras queixas, é claro, foram parar nos consultórios dermatológicos.

“A queda de cabelo tem sido um efeito frequentemente relatado por pacientes que contraíram Covid-19 porque a doença provoca um eflúvio telógeno pós-inflamatório. Mesmo apresentando sintomas leves, alguns pacientes relataram ter uma grande quantidade de queda de cabelo semanas ou poucos meses após testarem positivo para o novo coronavírus”, observa a dermatologista Karina Mazzini.

Não se sabe ao certo, segundo ela, a relação entre a doença e a queda capilar. O estresse por causa da pandemia pode ter influência nesses casos, segundo a médica.

Depois de ter pego Covid-19 e superado os sintomas, a consultora de vendas Paula Fernanda Anastácio Ribeiro agora enfrenta outro problema: queda de cabelo.
Depois de ter pego Covid-19 e superado os sintomas, a consultora de vendas Paula Fernanda Anastácio Ribeiro agora enfrenta outro problema: queda de cabelo. Crédito: Arquivo Pessoal

“O estresse pode causar a queda de cabelo porque ele inibe o desenvolvimento e aumenta a inflamação, comprometendo a circulação sanguínea e dificultando a permanência dos fios no couro cabeludo. Portanto, se houve um aumento significativo de queda de cabelo durante a pandemia, o estresse pode ser um dos culpados. Mas é difícil ter certeza de que a causa da queda de cabelo é unicamente estresse”, diz ela.

Até mesmo medicamentos para controle desse estresse, além da depressão e da ansiedade, problemas emocionais comuns nesse período pandêmico, podem contribuir para fazer os fios despencarem desse jeito.

“De um modo geral, a queda é provocada por medicamentos que promovem alterações hormonais ou que atuam no sistema nervoso central. Por exemplo, anticoncepcionais, antidepressivos, ansiolíticos, estabilizadores de humor e antipsicóticos”, lista Karina.

A boa notícia é que os cabelos não vão cair para sempre. A dermatologista explica que o ideal é investigar o que pode estar estimulando essa queda.

"A primeira coisa quando recebo um paciente com este quadro de queda de cabelo é solicitar diversos exames, um verdadeiro check up, para identificar se ele tem ou ficou com alguma carência de vitamina, alguma carência hormonal... Com essas respostas, passo suplemento oral para o cabelo, medicação tópica para uso domiciliar e planejo os cuidados home care", explica.

Há também nos consultórios uma gama de tratamentos para fortalecer os fios. "Temos, por exemplo, a micro injeção de ativos no couro cabeludo, chamada de drug delivery, led capilar e laser, como o novo laser de thulium que se mostra muito eficaz nessa terapia", cita Karina Mazzini.

Ela ressalta que cada paciente tem sua particularidade, por isso a recomendação de tratamento deve ser feito de forma individualizada.

BAGUNÇA NO ORGANISMO

Para além da própria Covid, toda a angústia e o estresse de se viver em uma pandemia tão duradoura bagunçaram o organismo de muita gente. Assim, uma pessoa que tinha pele seca pode ter ficado com pele oleosa nos últimos tempos. E houve quem tenha ficado cheia de fios brancos.

Segundo Karina, o aumento da produção de cortisol, por causa do estresse, aumenta a chance de inflamação no corpo. Com isso, podem surgir ou aumentar casos de acne, de poros dilatados. O cortisol alto no sangue também pode originar sintomas como perda de massa muscular, aumento de peso ou diminuição de testosterona.

"Além disso, o estresse pode desencadear caspas, alergia, diminuição da produção de colágeno e até cabelos brancos. Existem muitos estudos que comprovam isso", destaca.

O aumento da produção de cortisol, por causa do estresse, aumenta a chance de inflamação no corpo. Com isso, podem surgir ou aumentar casos de acne, de acordo com a dermatologista Karina Mazzini.
O aumento da produção de cortisol, por causa do estresse, aumenta a chance de inflamação no corpo. Com isso, podem surgir ou aumentar casos de acne, de acordo com a dermatologista Karina Mazzini. Crédito: Freepik

MASCKNE

O uso intenso de máscaras de proteção contra o vírus, que se tornou obrigatória durante a pandemia, pode ter colaborado para alguns problemas de pele também. Muita gente passou a ter espinhas nesse período, o que faz até surgir um apelido para esse sintoma: Masckne, da junção da palavra máscara, em inglês, com acne.

"O termo Masckne surgiu nos últimos meses para identificar as acnes que têm aparecido na região do queixo e bochechas devido ao uso de máscaras faciais. Como a máscara faz parte do nosso cotidiano, percebemos que o ambiente quente e úmido no rosto tem aumentado a secreção sebácea e oleosidade, causando espinhas. A dica é tentar usar a máscara no máximo por duas horas ou, quando perceber que o acessório está úmido, lavar o rosto e trocar por outra máscara", indica a médica.

As mãos, que praticamente não saem debaixo da torneira ou estão encharcadas de álcool, também sofrem com os novos hábitos vivenciados na pandemia. Estão tão ressecadas que até ganham fissuras.

De acordo com a dermatologista Karina Mazzini, cada paciente tem sua particularidade, por isso a recomendação de tratamento deve ser feito de forma individualizada.
De acordo com a dermatologista Karina Mazzini, cada paciente tem sua particularidade, por isso a recomendação de tratamento deve ser feito de forma individualizada. Crédito: Karina Mazzini/Divulgação

O recomendado, nesse caso, é lavar as mãos sempre que possível e deixar o álcool para quando não há a opção da água e sabonete. "Se puder escolher o sabonete, escolha os neutros, que são aqueles com menos odor e componentes. Além disso, leve na bolsa um hidratante de mãos para utilizar quando sentir necessidade. Existem as opções de álcool em gel com hidratante, que também podem ser uma boa opção para quem utiliza muito esse produto", orienta Karina.

A dermatologista ressalta que vale ficar atento a outros sinais na pele. Lesões de urticária foram diagnosticadas em pacientes com Covid-19 no Brasil e em diversos países. É um tipo de irritação na pele avermelhada, inchada e que coça. Outras pessoas também apresentaram a presença de micro-pápulas disseminadas, os conhecidos exantemas, que são comuns com sequelas de muitas viroses.

Para qualquer que seja o sintoma, o melhor é procurar um especialista e buscar o melhor tratamento.

PRODUZIDO PELO ESTÚDIO GAZETA.

Saúde Covid-19 Saúde

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.