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Por que a menopausa pode fazer o cabelo cair?

Quando entram nesta fase, as mulheres podem perder até 40% do volume total dos cabelos. Veja como atenuar isso

Tempo de leitura: 4min
Publicado em 02/12/2021 às 06h00
Mulher segura escova cheia de fios de cabelos; queda de cabelos tem sido comum na quarentena
Mulher segura escova cheia de fios de cabelos; queda de cabelos tem sido comum na quarentena. Crédito: siam.pukkato/Shutterstock

Quando você ouve falar de menopausa, deve pensar em mudança de humor, ondas de calor, insônia... Tudo isso é verdade. Mas tem um outro efeito adverso que vem com a idade avançada nas mulheres: a queda de cabelo.

Especialistas dizem que com o passar dos anos, a perda dos fios pode se acentuar bastante, levando a uma queda de até 40% do volume total, tanto pelo envelhecimento do bulbo capilar quanto pelas alterações hormonais femininas.

"Além de alterações típicas do envelhecimento, as alterações hormonais que ocorrem na menopausa causam queda de cabelo e também perda de qualidade dos fios", afirma a ginecologista Karoline Landgraf.

A menopausa é um processo natural, quando a mulher deixa de menstruar. E o corpo todo sente o impacto disso.

"A partir dos 50 anos, quando, geralmente, tem início a menopausa ou climatério para algumas mulheres, podemos notar que os cabelos vão perdendo textura, volume e vão ficando mais finos. E ocorre um aumento na queda capilar", completa a biomédica especialista em tricologia e saúde estética, Gabriela Aquino Simões.

A empreendedora Patrícia Garboni
A empreendedora Patrícia Garboni sentiu seus cabelos caírem e mudarem de textura com a chegada da menopausa. Buscou tratamento e já sentiu os efeitos: "A queda parou". comemora. Crédito: Divulgação/acervo personagem

Tristeza e fios pelo ralo

No caso da empreendedora Patrícia Garboni, 53 anos, os sintomas da menopausa foram chegando aos poucos e de forma muito desagradável. "Comecei com uma tristeza... Chorava sem saber por que. Fiquei muito sensível, e isso me levou a muitos questionamentos. Sempre soube porque chorava ou ficava irritada, e não saber essas respostas me enlouquecia. Eu não sabia que já estava na menopausa, porque os exames não mostravam", conta ela, que criou o blog "Cinquentei, e agora?" para ajudar outras mulheres a lidar com as dores e delícias desta fase da vida.

E sobre as mudanças nos cabelos também. "O que eu percebi, no início, foi que o brilho do meu cabelo diminuiu, e também senti ele mais seco do que o normal. Meio sem vida, sabe? Precisei fazer mais hidratação do que antes. Foi exatamente como a minha pele, que nunca foi seca, mas na menopausa ela ficou sem brilho, com uma textura diferente", diz Patrícia.

Ela viu seus fios caírem até chegarem a pouco menos da metade do volume que tinha. Foi quando buscou ajuda: "Fui em busca de informações para tentar segurar os fios na cabeça. Descobri sobre tricologia, marquei uma consulta com uma especialista. Fiz o tratamento antiqueda, que reorganiza a microbiota capilar do couro cabeludo a partir de ativos e do reequilíbrio do ph. O couro cabeludo estava inflamado, muito vermelho. Utilizo os produtos veganos, e o meu cabelo parou de cair. Já não tenho mais problemas de queda", relata, aliviada.

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A biomédica Gabriela Simões não deixa dúvidas: "O desequilíbrio hormonal afeta diretamente a saúde capilar". Crédito: Divulgação

Hormônios

Culpa dos hormônios! A biomédica Gabriela Simões não deixa dúvidas: o desequilíbrio hormonal afeta diretamente a saúde capilar. "Os hormônios são capazes de equilibrar o nosso organismo e possuem influência em todas as fases da nossa vida", observa ela, que faz parte da equipe da recém-lançada Royal Drop, uma linha natural, completa, de tratamento antiqueda.

Para ilustrar isso, diz ela, basta reparar no cabelo de um bebê recém-nascido, que é fino e após alguns meses vai crescendo e até mudando de estrutura. Já na adolescência os hormônios são capazes de modificar os aspectos dos fios.

Na menopausa, o que ocorre é um déficit dos hormônios femininos conhecidos como estrogênio e progesterona, que também podem influenciar a saúde capilar, como destaca a ginecologista.

"Os cabelos ficam mais opacos, quebradiços, sem vida e demoram mais a crescer. O estrogênio, principal hormônio feminino, está em quantidades mínimas nessa fase da vida da mulher. O estrogênio tem íntima relação com colágeno", pontua Karoline.

"Ambos os hormônios atuam beneficiando a fase anágena do ciclo capilar, que é a fase de crescimento. Por isso que na menopausa ocorre esse aumento na queda capilar, pois o estímulo hormonal é comprometido. Fato curioso é que quando estamos fazendo uso de reposição hormonal com base nesses hormônios ou até mesmo os anticoncepcionais, percebemos um aumento no volume e brilho dos cabelos, devido a ação direta desses hormônios no ciclo capilar", comenta Gabriela Aquino.

Tratamentos

Nem tudo está perdido! Segundo a biomédica, para minimizar os efeitos da menopausa no ciclo capilar a pessoa deve fazer uma boa suplementação vitamínica, uso de produtos tópicos no couro cabeludo e, em alguns casos e de acordo com as orientações médicas, a reposição hormonal.

"Além desses meios, acredito que para um melhor resultado em qualquer tratamento é necessário que o corpo esteja em perfeito equilíbrio. Por isso, deve-se investir sempre em uma boa alimentação, uma boa noite de sono, uma boa hidratação e prática regular de atividade física", observa Gabriela.

A médica assina embaixo: "Alimentação balanceada e uma boa suplementação, sem excesso, ajudam todo o processo e não só a parte capilar".

Atualmente, lembra Karoline, há diversos tratamentos modernos com dermatologistas e tricologistas, como microagulhamento, led vermelho, drug delivery de diversas substâncias, que podem ajudar a reverter esse quadro.

A terapia hormonal, de acordo com a ginecologista, também é indicada para alívio de sintomas que pioram a qualidade de vida, como as ondas de calor. "Não deve ser usada com a finalidade única de melhorar o cabelo, pois a resposta não é tão boa, embora ela ajude a não piorar a qualidade dos fios. Tem que tomar muito cuidado com a terapia hormonal, pois o excesso de testosterona pode piorar ainda mais a queda", pondera ela.

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