Publicado em 8 de agosto de 2025 às 16:18
O cantor e compositor Arlindo Cruz morreu nesta sexta-feira (8), no Rio de Janeiro, aos 66 anos. A esposa do cantor, Babi Cruz, confirmou a informação. Em meados de julho ela contou que Arlindo já não respondia mais a estímulos e disse que ele estava "cada vez mais distante".>
O sambista teve um AVC em 2017, enquanto tomava banho, e na época ficou internado por quase um ano e meio. Desde então, Arlindo viveu com sequelas da doença, enfrentando diversas internações ao longo dos anos. Desde o ocorrido, não voltou a se apresentar nos palcos. >
Em julho deste ano, o cantor parou de responder aos estímulos e não apresentava mais avanços, mesmo após consecutivas cirurgias. Além disso, o sambista era portador de uma doença autoimune e precisava usar uma sonda alimentar.>
Arlindo se consagrou como um dos artistas mais importantes e amados do samba brasileiro. Além de cantor e compositor, destacou-se como instrumentista, com domínio do cavaquinho e do banjo. >
>
O AVC acontece quando vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem, provocando a paralisia da área cerebral que fica sem circulação sanguínea. "Há uma alteração súbita do fluxo sanguíneo cerebral, ocorrendo comprometimento de circulação de sangue em alguma região do encéfalo, formada pelo cérebro, cerebelo e tronco encefálico", diz a cirurgiã vascular Moriane Lorenzoni. >
Os AVCs são classificados como hemorrágico ou isquêmico, sendo este último o mais frequente, representando em torno de 85% dos casos, segundo o Ministério da Saúde. O AVC isquêmico é caracterizado pela obstrução arterial, que leva a interrupção do suprimento sanguíneo e consequente bloqueio na entrega de oxigênio e nutrientes.>
"O hemorrágico é representado pela ruptura da artéria e, além da diminuição do fluxo sanguíneo, ocorre também um aumento de pressão local levando ao sofrimento dos neurônios ao redor", diz o neurologista Paulo Nakano.>
Os sintomas de um AVC são diversos, por isso é preciso atenção aos primeiros sinais da doença que podem ser a dificuldade em andar, falar e compreender; a paralisia ou dormência da face, da perna ou braço; a perda temporária da visão; além de tontura, vertigem, confusão mental e dor de cabeça forte e persistente.>
Os principais fatores de risco para o AVC hemorrágico incluem hipertensão arterial não controlada, idade avançada, tabagismo, consumo excessivo de álcool, histórico familiar de AVC, obesidade, diabetes, colesterol alto, arritmias cardíacas, uso de drogas ilícitas e certas condições médicas como hemofilia e vasculite>
O neurologista José Antônio Fiorot Júnior diz que é considerado agudo todo AVC que tem menos de 24 horas de início dos sintomas. "A fase aguda do AVC é crítica, pois é durante esse período que o diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem fazer toda a diferença no prognóstico do paciente. Para os casos de AVC na fase aguda pode haver indicação de tratamento com Trombólise Venosa ou Trombectomia Mecânica, se for um AVC isquêmico".>
Após a realização do exame de imagem é possível diagnosticar o tipo de AVC. Para o tratamento do isquêmico pode ser usado um medicamento trombolítico administrado na veia do paciente, com o objetivo de dissolver o coágulo sanguíneo que está entupindo a artéria cerebral e causando a isquemia. O tempo máximo ideal para início da aplicação do medicamento é de quatro horas e meia após os primeiros sintomas. "Às vezes, é necessária cirurgia para remover uma obstrução ou angioplastia com um stent", diz Moriane Lorenzoni.>
Já o tratamento do AVC hemorrágico precisa ser realizado o quanto antes para evitar sequelas graves. Pode envolver cirurgia para drenar o sangue acumulado. "Geralmente, o mais indicado é a cirurgia neurológica para estancar o sangramento, dependendo do caso", explica Moriane Lorenzoni.>
Os especialistas ressaltam que a doença é altamente evitável e tratável, desde que sejam implementadas as soluções indicadas. "Com os melhores cuidados da saúde é possível reduzir significativamente a incidência de AVC, melhorar os resultados do tratamento e, consequentemente, salvar milhões de vidas. A combinação de prevenção primária e acesso a tratamento em tempo hábil é fundamental para enfrentar essa ameaça crescente", diz o neurologista Guilherme Coutinho de Oliveira. >
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta