Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 14:29
O Dia Internacional da Epilepsia, celebrado em 9 de fevereiro, chama a atenção para um dos transtornos neurológicos mais frequentes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 50 milhões de pessoas vivem com a condição no mundo. Cenário que demanda tratamento contínuo, acompanhamento médico e apoio familiar. >
No Brasil, o impacto da epilepsia também é expressivo. Dados do Departamento de Informação e Informática do SUS (DataSUS) indicam que, entre 2019 e 2024, foram registrados 296.017 casos da doença, reforçando a necessidade urgente de políticas públicas eficazes, diagnóstico precoce e disseminação de informações confiáveis. >
A gravidade da condição vai além das barreiras sociais, uma vez que pessoas com epilepsia apresentam risco de morte prematura até três vezes maior em comparação com a população geral, sendo a Morte Súbita Inesperada na Epilepsia (SUDEP) uma das principais causas. >
O neurologista da Afya Montes Claros, Dr. Marcelo José da Silva de Magalhães, explica que SUDEP é a complicação mais temida da epilepsia. “Essa sigla dá nome ao óbito do paciente devido pausas na respiração que ocorrem durante ou após o episódio de convulsão . Os pacientes obesos e com crises de epilepsia que ocorrem especialmente à noite, possuem risco maior de desenvolver essa síndrome”, alerta. >
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O estudo “Risk markers for sudden unexpected death in epilepsy: an observational, prospective, multicentre cohort study” , publicado em janeiro deste ano pela revista The Lancet, trouxe novas e importantes evidências sobre a SUDEP, indicando que essa condição pode estar associada a mais de 20% das mortes súbitas não explicadas em pessoas com menos de 50 anos. >
Alinhado aos comentários do neurologista, ao analisar um grupo com mais de mil pacientes, os pesquisadores identificaram fatores de risco que podem redefinir a abordagem clínica da epilepsia nos próximos anos, destacando que homens com obesidade e pacientes cujas crises ocorrem predominantemente durante o sono apresentam risco significativamente maior de SUDEP. >
O Dr. Marcelo José da Silva de Magalhães comenta que a redução do risco de SUDEP e a melhora da qualidade de vida das pessoas com epilepsia dependem, principalmente, de um controle rigoroso das crises. Para isso, é fundamental que o paciente mantenha acompanhamento regular com o neurologista, faça uso correto e contínuo dos anticonvulsivantes e tenha seus fatores de risco clínicos devidamente tratados. Atualmente, diversos dispositivos tecnológicos podem auxiliar na detecção precoce de crises e na rápida intervenção por cuidadores ou familiares. >
Entre os principais dispositivos, estão: >
“Essas tecnologias não substituem o tratamento médico, mas representam ferramentas importantes para aumentar a segurança do paciente, especialmente durante o sono, e contribuir para a redução do risco de SUDEP”, complementa o especialista da Afya. >
Crises epilépticas podem ocorrer de forma súbita e assustadora, mas saber como agir faz toda a diferença. O médico orienta que, ao presenciar uma crise, é fundamental manter a calma e seguir alguns cuidados simples, como: >
“Seguindo essas orientações simples, é possível reduzir riscos, oferecer segurança e conforto à pessoa durante a crise, além de contribuir para que familiares, amigos e testemunhas estejam preparados, promovendo uma resposta rápida e correta que pode fazer toda a diferença na prevenção de complicações e na proteção da vida”, conclui o neurologista da Afya Montes Claros. >
Por Matheus Garcia >
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