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Câncer de mama: veja como o autocuidado fortalece mulheres durante o tratamento

Câncer de mama: veja como o autocuidado fortalece mulheres durante o tratamento

Se priorizar, ter um autocuidado e receber acolhimento se tornaram a peça-chave para o enfrentamento da doença, mas não são capazes de inibir totalmente as oscilações emocionais de quem passa por um tratamento oncológico

Juliana Indami

Reporter / [email protected]

Publicado em 28 de outubro de 2025 às 18:25

Câncer de mama
Layana Botelho fez a mamografia e em 15 dias foi diagnosticada com a doença. Hoje ela faz o tratamento Crédito: Carlos Alberto Silva

“O mais difícil do processo é se olhar. É estar de frente para o espelho e pensar: 'Essa aqui sou eu agora. Qual pode ser a minha melhor versão?'". O relato da biomédica, fisioterapeuta e estudante de gastronomia, Layana Botelho, 41 anos, reforça o processo de como muitas mulheres lidam com as mudanças físicas e emocionais durante o tratamento do câncer de mama, o tipo mais comum de câncer entre mulheres e que ocorre quando células anormais da mama se multiplicam de forma descontrolada, formando um tumor maligno que pode invadir outros tecidos e órgãos.

Diagnosticada em junho deste ano, após reparar uma ferida na sua glândula mamária, Layana fez a mamografia e em 15 dias foi diagnosticada com a doença. Os efeitos colaterais  - como a queda de cabelo, dos cílios e sobrancelhas, além da perda de peso - não mudaram somente o corpo, mas também a forma como ela via a si mesma.

Layana Botelho foi diagnosticada com o tumor em junho de 2025, após reparar uma ferida na sua glândula mamária. Ela fez a mamografia e em 15 dias foi diagnosticada com a doença.

“Eu sempre fui muito vaidosa e tive muito cabelo. E quando vi o que ia acontecer pensei que não fosse me abalar, não queria me ver cair. Quando decidi raspar a cabeça queria que fosse um momento leve, fiz uma festa da careca. E foi bem legal porque eu tinha meus amigos e a minha família comigo”, lembra Layana.

Se priorizar, ter um autocuidado e receber acolhimento se tornaram a peça-chave para o enfrentamento da doença, mas não são capazes de inibir totalmente as oscilações emocionais de quem passa por um tratamento oncológico.

A psicóloga Lorranny Guedes, da Associação Feminina de Educação e Combate ao Câncer (Afeec), conta que cuidar da saúde mental não é apenas um complemento. Faz parte e é essencial para o tratamento oncológico, sendo um olhar de compaixão, de autoconfiança e autoestima. “É entender que o autocuidado está presente para saúde física e mental, porque o corpo e a mente andam junto, mas também é pensar além. Independente do tempo que eu tenho de vida, eu vou viver. É viver o hoje, o aqui e o agora”, enfatiza.

Rede de Apoio

Locais de acolhimento servem para ajudar nos turbilhões de emoções que surgem nesse processo. O Grupo de Apoio a Pessoas com Câncer (GAPC) é um desses locais. Oferece suporte social e psicológico a pacientes e familiares, além de auxílio com medicamentos, próteses, além de outras orientações. “Aqui a gente tem total apoio, como consultas com psicóloga e nutricionista” diz a costureira Tatiana Borges.

Tatiana Borges
Tatiana Borges foi diagnosticada com câncer nas glândulas mamárias em junho deste ano Crédito: Kátia Santos Retratos

Após ter passado por dois tumores nos últimos dois anos, um no ovário e outro na tireoide, a costureira foi diagnosticada com câncer nas glândulas mamárias, em junho deste ano. Foi através de uma amiga que estava passando pela mesma situação que Tatiana encontrou apoio no GAPC. “Queria tirar algumas dúvidas sobre todos os sentimentos que eu estava sentindo”. 

A psicóloga reforça que os acompanhamentos psicológicos são importantes para resgatar a essência da paciente que é mulher, mãe, amiga e família frisando trazer esse novo olhar para essas pacientes.

O espaço da Associação oferece total apoio desde início do diagnostico até o pós-tratamento. Com o objetivo de ajudar devolução de olhar de autoestima e autoconfiança. A Afeec também oferece oficinas de bordado, arteterapia, automaquiagem, aulas de iogas, além de doação de perucas, de enchimentos, fraudas e cestas básicas.

Reconstrução da aréola mamária

Uma alternativa que tem o propósito de promover o resgate e o bem-estar dessas mulheres que passam pelo tratamento oncológico é a reconstrução final da aréola mamária. O trabalho pode ser utilizado para reproduzir a aréola de pacientes que passaram por intervenções cirúrgicas em decorrência do câncer de mama.

O procedimento, realizado por meio de uma máquina de micropigmentação, consiste na aplicação de pigmentos na camada superficial da pele realizando um desenho que permite a criação de uma aréola com aparência tridimensional e realista. A sessão ocorre em cerca de uma hora e o resultado pode durar por mais de 10 anos. Segundo Adriana Zamprogno, esteticista especialista em reconstrução da aréola mamária, o processo é realizado por meio de muito estudo e trabalho, para usar o pigmento, a cor e a perfuração certa. 

Adriana Zamprogno
Adriana Zamprogno especialista em reconstrução da aréola mamária Crédito: Fernanda Barcelos

"Não é apenas uma reconstrução da mama, mas de uma pessoa que está destruída"

Adriana Zamprogno

Especialista em reconstrução da aréola mamária

Após a finalização do procedimento, a dermopigmentação contribui para a autoestima, proporcionando às pacientes uma sensação de plenitude, resgate da feminilidade e segurança para se enxergarem com uma nova perspectiva, marcada por aceitação e empoderamento.

Lorrayne Guedes diz que esse processo serve para reconstruir os nossos caminhos, os nossos desejos. Traz esse novo olhar para as mulheres e enfatizando que mesmo não voltando a ser como era antes. É possível resgatar esta mulher para si. “É realmente o caminho de autoestima e autoconfiança, principalmente para a paciente que fez uma retirada da mama, que se sente amputada muitas vezes".

Autoexame

O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no mundo todo, excluindo os tumores de pele não melanoma. Dados do Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (INCA) apresenta que, o Brasil deve registrar 73.610 novos casos de câncer de mama em 2025. Ele ainda apresenta que o SUS realizou 4,4 milhões de mamografias em 2024, sendo 2,6 milhões em mulheres da faixa etária prioritária (50 a 74 anos).

Apesar do número elevado de diagnósticos, a doença apresenta uma taxa de mais de 90% de chance de cura para casos diagnosticados em fase inicial. Por isso, os exames de rotina, como a mamografia, são indispensáveis para mulheres com mais de 40 anos, e em qualquer idade quando há casos na família ou nódulos palpáveis.

“É sempre bom ficar alerta em sinais como a mudança do formato mama (mais torta e mais inchada), além das nodulações e fadiga. Por este motivo é importante estar com exames em dia, mesmo se não tiver nenhum sintoma. O exame deve ser feito anualmente” diz a oncologista Virginia Lessa.

Além do acompanhamento médico, é fundamental que a mulher conheça o próprio corpo e realize o autoexame para detectar qualquer anormalidade. 

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