Aos 54 anos, a atriz Rita Guedes trouxe a público novos detalhes sobre as complicações vividas após uma blefaroplastia. O procedimento estético nas pálpebras, realizado em fevereiro deste ano, evoluiu com graves intercorrências. Ela afirma que sofreu uma série de intercorrências, precisou ser internada e chegou a correr risco de perder parte da visão do olho direito.
O caso voltou a repercutir nesta quarta-feira (23), depois que Rita publicou um vídeo nas redes sociais para explicar por que passou a usar óculos escuros direto. A atriz relatou detalhes do procedimento, afirmou que houve um suposto erro médico e contou que precisou procurar outros especialistas para tratar as complicações.
“Todo mundo diz que é uma cirurgia simples porque você tira um pouco da pele de cima do olho e um pouquinho embaixo do olho. É uma coisa simples, até então, que muita gente estava fazendo até com médicos que não eram oculoplastas ou oftamologistas especializados em cirurgia nos olhos e foi o meu caso”, afirmou.
Segundo a atriz, a cirurgia durou seis horas, quando normalmente levaria entre uma hora e meia e duas horas, e ela precisou ser internada depois, sob risco de perder a visão do olho direito.
O cirurgião plástico Antonio Pitanguy afirma que o procedimento é bastante usual e tem função reparadora e estética. "É uma cirurgia simples e pouco invasiva, que busca a correção do excesso ou mal posicionamento dos tecidos palpebrais", explica ele. "A técnica tem caráter funcional, já que a pele em excesso na região pode atrapalhar o campo visual do paciente. Além disso, o procedimento ajuda a 'levantar' os olhos, eliminando rugas e flacidez, dando assim um aspecto mais jovem à face".
A cirurgia é indicada quando o excesso de pele dificulta a visão e quando há o surgimento de bolsas de gordura nas pálpebras inferiores. A faixa etária que mais recorre à blefaroplastia é acima dos 40 anos, mas este não é um procedimento exclusivo para pessoas mais velhas.
"Apesar das mudanças na região dos olhos, geralmente serem interpretadas como sinais de envelhecimento precoce, bolsas de gordura nas pálpebras inferiores muitas vezes mostram-se presentes em pacientes jovens", afirma Pitanguy. O procedimento cirúrgico mais frequente entre os pacientes é o tratamento do blefarocalásio (excesso de tecido nas pálpebras) e excesso e/ou herniação das bolsas de gordura.
O pós-operatório da cirurgia nas pálpebras costuma ser tranquilo. Pode incluir dores e inchaços na região para o paciente, mas estes são administráveis com remédios e em poucos dias. Já o resultado 100% do procedimento, pode demorar alguns meses.
"O mais indicado é sempre recorrer a um cirurgião de referência na área que te auxilie durante o processo, além de ter plena capacidade de oferecer apoio durante a recuperação", diz o médico.
O quadro da atriz exigiu internação, fisioterapia ocular e estimulação do nervo durante o processo de recuperação. Rita contou ainda que desenvolveu ceratite e inflamação na conjuntiva e passou a usar óculos escuros durante as apresentações no Dança dos Famosos.
A ceratite é a inflamação ou infecção da córnea, que é aquela camada transparente e protetora mais externa do olho, localizada logo à frente da íris e da pupila. Já a conjuntiva é uma membrana fina, transparente e cheia de pequenos vasos sanguíneos que reveste a parte branca do olho (a esclera) e o interior das pálpebras. Quando essa membrana fica inflamada ou irritada, os vasos sanguíneos se dilatam, deixando o olho muito vermelho — que é o sinal mais clássico da condição.
A alteração, segundo a própria atriz, atingiu o chamado músculo levantador da pálpebra, responsável por elevar a pálpebra e manter o olho aberto. O cirurgião plástico Carlos Tagliari, explica que existem diferentes possibilidades para esse tipo de complicação e que a avaliação médica é fundamental para identificar a origem do problema.
“A blefaroplastia é uma cirurgia bastante segura, mas estamos trabalhando em uma região muito delicada, com músculos, nervos e estruturas oculares muito próximos. Uma queda da pálpebra no pós-operatório pode estar relacionada a um edema mais intenso, hematoma, processo inflamatório ou a uma alteração temporária na função do músculo levantador”, explica.
O médcio destaca que uma alteração na movimentação da pálpebra não significa necessariamente que houve uma lesão permanente. “Dependendo da causa, o músculo ou o nervo podem apresentar uma espécie de bloqueio ou alteração funcional temporária. Conforme o edema e a inflamação diminuem, essa função pode ser recuperada gradualmente. Por isso, em determinadas situações, a conduta inicial é acompanhar a evolução e utilizar tratamentos de suporte”, afirma Tagliari.
A proximidade da cirurgia com o globo ocular também explica por que algumas intercorrências exigem atenção imediata. “Quando a pálpebra não funciona adequadamente, o olho pode ficar mais exposto e isso pode favorecer ressecamento e lesões na superfície ocular. Se existe qualquer alteração visual, dor importante, dificuldade de movimentação do olho ou dificuldade para fechar completamente as pálpebras, é necessário procurar avaliação médica rapidamente. O acompanhamento do cirurgião plástico e, quando indicado, do oftalmologista é fundamental”, orienta.
No caso de Rita, a atriz afirmou que o nervo não foi lesionado de forma permanente, mas ficou comprometido temporariamente, e que segue em tratamento. Para Tagliari, a recuperação depende diretamente da causa e da extensão da alteração. “Cada caso tem um tempo de recuperação. Quando não existe uma lesão definitiva das estruturas, podemos ter uma melhora progressiva à medida que os tecidos se recuperam”, finaliza o cirurgião.