A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que envolvem e protegem o cérebro e a medula espinhal, e pode ser causada por vírus, bactérias, fungos ou parasitas.
Entre os tipos mais conhecidos, estão a meningite viral e a bacteriana. Embora ambas possam apresentar sintomas parecidos no início, há diferenças importantes entre elas. A meningite viral costuma ter evolução mais branda na maior parte dos casos. Já a meningite bacteriana é a forma mais grave da doença, com risco de complicações neurológicas, sequelas permanentes e até morte, principalmente quando o tratamento não começa rapidamente.
“As pessoas precisam entender que a meningite é uma doença que não deve ser subestimada. Em alguns casos, especialmente na forma bacteriana, a evolução pode ser muito rápida. Por isso, reconhecer os sintomas e buscar atendimento o quanto antes faz toda a diferença”, afirma o neurologista Patrick Moro Mariano, da Santa Casa de Bragança Paulista.
A ocorrência da doença também pode variar conforme a época do ano. As meningites bacterianas são mais frequentes no outono e no inverno, enquanto as virais costumam aparecer mais na primavera e no verão.
Os sintomas podem mudar de acordo com o agente causador, mas alguns sinais são clássicos, entre os mais comuns estão febre, dor de cabeça intensa, rigidez no pescoço, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz. Em bebês e crianças pequenas, os sinais podem incluir irritabilidade, choro persistente, recusa alimentar, vômitos e moleira estufada.
Há ainda sinais de gravidade que indicam necessidade de atendimento médico imediato, como confusão mental, convulsões, dificuldade para acordar e manchas vermelhas ou arroxeadas na pele. Sempre que você identificar esses sintomas, procure imediatamente um pronto atendimento para avaliação e orientação médica.
O infectologista Felipe Moreno, do Hospital Evangélico de Sorocaba, diz que entre os sintomas clássicos, estão febre alta de início súbito, dor de cabeça intensa e rigidez no pescoço. Também podem ocorrer náuseas, vômitos, sonolência, sensibilidade à luz e manchas vermelhas na pele que não desaparecem ao apertar. Em bebês, os sinais são mais discretos, como choro irritado, recusa para mamar e moleira abaulada.
“A diferença para uma virose comum está na intensidade e na rápida piora do quadro. Uma gripe melhora em poucos dias, enquanto a meningite tende a se agravar rapidamente e pode ser fatal se não for reconhecida a tempo”, explica.
Como a doença pode evoluir rapidamente, quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de cura sem sequelas. A meningite bacteriana é uma emergência médica e pode causar surdez, convulsões, danos neurológicos permanentes e até levar à morte. “O diagnóstico rápido e o início precoce do antibiótico fazem toda a diferença no desfecho do paciente", enfatiza o Felipe.
Além da vacinação, que protege contra diferentes agentes causadores, como meningococo, pneumococo e Haemophilus, o infectologista reforça outras medidas de prevenção:
- Não compartilhar copos e talheres;
- Lavar bem as mãos;
- Cobrir a boca e o nariz ao tossir;
- Manter os ambientes ventilados.
A transmissão acontece, em muitos casos, de pessoa para pessoa, especialmente por contato próximo, por meio de gotículas respiratórias eliminadas na fala, tosse ou espirro. Dependendo do agente causador, também pode haver transmissão por via fecal-oral ou por água e alimentos contaminados. Outro ponto importante é que algumas pessoas podem carregar bactérias causadoras de meningite sem apresentar sintomas, mas ainda assim transmitir o agente.
No caso da meningite bacteriana, o tratamento é feito com antibióticos específicos e cuidados de suporte. Já na meningite viral, na maioria das vezes, o acompanhamento é clínico, com indicação de antivirais apenas em situações específicas.
A principal forma de prevenção continua sendo a vacinação, especialmente contra as meningites bacterianas. No Sistema Único de Saúde, estão disponíveis vacinas que ajudam a proteger contra formas graves da doença, como BCG, Pneumocócica, Penta, Meningocócica C e Meningocócica ACWY.
“Quando falamos em meningite, a vacinação é a ferramenta mais importante de proteção coletiva. Ela reduz o risco de adoecimento e ajuda a evitar casos graves, internações e óbitos. Por isso, manter a caderneta vacinal atualizada é uma medida essencial”, completa Patrick.