O câncer de amígdala é um tumor maligno que se desenvolve nas amígdalas palatinas, estruturas localizadas no fundo da garganta. Ele faz parte dos chamados cânceres de orofaringe (região da cavidade oral onde se encontram as amígdalas). "O tipo mais comum é o carcinoma espinocelular. Entre os principais fatores de risco estão o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e a infecção persistente por determinados tipos de HPV, especialmente o HPV-16", explica Judá Barcellos, cirurgião de cabeça e pescoço da Rede Meridional.
O assunto câncer de amígdala voltou a ser falado no final de semana, após o cantor Netinho de Paula revelar que estava com a doença. "Quero dizer pra vocês o seguinte: eu estou muito tranquilo. Claro que não é normal você receber uma informação de que você tá com câncer, isso não é uma coisa que é normal. Mas esse câncer é um câncer fraquinho, esse é um câncer na amígdala. E os caras falaram o seguinte: 'Negrão, faz o tratamento, faz o que tem que fazer e vai dar tudo certo".
Apesar do cantor dizer que o câncer é nas amígdalas, a assessoria de imprensa do artista confirmou para reportagem da Quem que o tumor é na tireoide.
As amígdalas ficam no fundo da boca, uma de cada lado da garganta. Elas fazem parte do nosso sistema imunológico e funcionam como uma primeira linha de defesa, ajudando o organismo a reconhecer agentes infecciosos que entram pela boca e pelo nariz. "Sua função é especialmente importante durante a infância, embora continuem participando da defesa imunológica ao longo da vida", diz Judá Barcellos.
Os principais sinais de alerta são dor de garganta persistente, dificuldade ou dor para engolir, aumento de uma das amígdalas, dor de ouvido sem causa aparente e presença de um caroço no pescoço. "Um detalhe importante é que, em alguns pacientes, principalmente nos casos associados ao HPV, o primeiro sinal pode ser justamente um nódulo no pescoço, mesmo sem dor ou alterações perceptíveis na garganta".
O médico conta que a região das amígdalas possui uma rica rede linfática. Por isso, esses tumores podem atingir os linfonodos (gânglios) do pescoço relativamente cedo. Em algumas pessoas, o primeiro sinal percebido é justamente um caroço no pescoço.
"Isso não significa automaticamente que a doença esteja disseminada pelo corpo. Um linfonodo comprometido no pescoço é uma extensão regional da doença, e não necessariamente uma metástase para órgãos distantes. Por isso, diante de um caroço persistente no pescoço, principalmente em um adulto, é importante investigar a origem", diz Jeferson.
O tratamento depende principalmente do estágio da doença, tamanho e localização do tumor, presença de linfonodos, HPV/p16, condições clínicas do paciente e possibilidade de preservar funções como fala e deglutição.
O cirurgião diz que, de maneira geral, existem três grandes armas. Uma é a cirurgia, realizada em determinados tumores, principalmente quando a doença é localizada e pode ser completamente removida. Pode ser indicada a cirurgia da amígdala/tumor, muitas vezes associada ao tratamento dos linfonodos do pescoço. Atualmente existem técnicas cirúrgicas menos invasivas para alguns tumores da orofaringe.
"A radioterapia pode ser utilizada como tratamento principal ou depois da cirurgia, dependendo das características do tumor", reforça Jeferson Lenzi.
Já a quimioterapia associada à radioterapia é realizada em tumores mais avançados, quando pode ser necessário combinar os dois tratamentos.