As lesões visíveis e o desconforto constante acabam gerando vergonha, insegurança e isolamento social, especialmente durante períodos de crise
Edriane Araújo Dermatologista
A dermatologista Rosana Lazzarini, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), diz que dermatite atópica é uma doença multifatorial. "Existem fatores genéticos, muitos deles associados também à asma e à rinite, além de fatores ambientais e imunológicos. Todos esses elementos atuam em conjunto para que a doença se manifeste. Por isso, é importante compreender que não existe uma causa isolada para todos os pacientes".
O diagnóstico é clínico e não existem exames laboratoriais específicos capazes de confirmar, isoladamente, a doença. Exames complementares podem ser solicitados em situações específicas, seja para auxiliar na investigação, seja para descartar outras doenças com manifestações semelhantes. “Observamos o aspecto, a distribuição das lesões, presença de períodos com e sem lesões (recidivas) além da intensidade da coceira”, detalha a especialista.
Um dos principais pontos de atenção está na barreira cutânea. Em pessoas com dermatite atópica, seu funcionamento é comprometido, facilitando a perda de água e tornando a pele mais vulnerável ao ressecamento e a agentes externos. Por isso, a hidratação é uma etapa fundamental da rotina. Porém, os cuidados não precisam começar apenas depois do banho: a própria forma como a pele é higienizada pode fazer diferença.
“A pele de quem tem dermatite atópica apresenta alterações na composição dos lipídios e proteínas que ajudam a manter as células da epiderme unidas e a reter água. Com essa barreira menos eficiente, há uma maior perda de água para o ambiente, o que favorece o ressecamento e facilita a entrada de agentes externos que podem desencadear crises da própria doença, além de favorecer quadros alérgicos e infecciosos”, explica a dermatologista Carla Presti, gerente médica da Mantecorp Skincare.
A relação entre banho e dermatite atópica merece atenção porque alguns hábitos aparentemente inofensivos podem contribuir para o agravamento do ressecamento e, consequentemente, da própria doença. Água muito quente, sabonetes abrasivos e o atrito excessivo de buchas ou toalhas estão entre os fatores que podem sensibilizar ainda mais uma barreira cutânea já fragilizada. A recomendação é priorizar banhos mais rápidos, em temperatura amena, sem atrito e com produtos de limpeza suaves e adequados às necessidades da pele sensível.
É justamente daí que vem a ideia de que a hidratação pode começar antes mesmo da aplicação do hidratante. "A escolha de produtos que realizem a higiene sem remover excessivamente a proteção natural da pele e mantendo a barreira cutânea equilibrada, ajuda a evitar a sensação de ressecamento após a higienização e auxilia no tratamento da doença. Depois da limpeza, a aplicação do hidratante com a pele ainda levemente úmida melhora sua performance na manutenção da barreira cutânea", diz Carla.
O tratamento da dermatite atópica envolve cuidados contínuos para preservar a barreira cutânea e controlar a inflamação e a coceira. Entre as principais recomendações estão o uso frequente de cremes e loções hidratantes, banhos rápidos, com água não muito quente, e a utilização reduzida ou adequada de sabonetes.
Dependendo do quadro, podem ser indicados medicamentos tópicos apropriados para cada região do corpo e os utilizados para o controle da coceira. Nos casos mais graves, o tratamento pode incluir imunossupressores por via oral, além de fototerapia com UVB de banda estreita, que pode contribuir especialmente para a redução do prurido.
“A pele dos pacientes com dermatite atópica é muito seca e precisa de cremes ou loções hidratantes aplicados, em geral, de duas a três vezes ao dia. Esses cuidados ajudam a preservar a barreira cutânea e devem fazer parte da rotina, não apenas dos momentos de crise”, esclarece Rosana.
Rosana Lazzarini também alerta para o uso inadequado de corticosteroides sistêmicos, por via oral ou injetável, especialmente quando prescritos sem o acompanhamento de um especialista ou utilizados de maneira pontual em situações de emergência.
Embora esses medicamentos possam proporcionar a melhora rápida dos sintomas, sua utilização inadequada pode ser acompanhada de piora intensa após a suspensão, caracterizando o chamado efeito rebote.
"É fundamental que o tratamento seja orientado por um médico capacitado, que avalie os riscos e benefícios de cada opção terapêutica”, ressalta.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia reforça que o diagnóstico precoce, o acompanhamento regular e a adoção de cuidados adequados com a pele são fundamentais para reduzir os sintomas, prevenir complicações e minimizar os impactos da dermatite atópica na vida dos pacientes e de suas famílias.
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- Hidratante Corporal Hydraporin AI, da Mantecorp Skincare. Atua na reparação da barreira cutânea e promove hidratação intensa para peles secas, extrassecas e sensíveis. Sua formulação conta com Bioskin, ativo com ação probiótica relacionado ao equilíbrio do microbioma da pele, e AI Complex, complexo de ativos com ação calmante. (COMPRE NA AMAZON)
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- Hidratante Restaurador, de Bepantol Derma. Loção corporal hidratante. Acalma e suaviza a pele ressecada desde a primeira aplicação. Conta com uma fórmula que hidrata a derme imediatamente e mantém o cuidado por 48 horas. (COMPRE NO MERCADO LIVRE)
- Nutratopic Loção emoliente, da Isdin. Hidrata em profundidade a pele reativa preservando o seu equilíbrio. Hidratação em profundidade através de emolientes, umectantes e lipídeos específicos. Restaura a barreira cutânea. (COMPRE NO MERCADO LIVRE)
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- Lipikar Baume AP + M, de La Roche-Posay. Hidratante corporal para peles secas ou ressecadas. Restaura a barreira da pele e alivia a sensação de repuxamento, coceiras, irritações ou vermelhidão. Reequilibra o microbioma da pele, nutre e acalma imediatamente após o uso.