O cantor Netinho de Paula, de 56 anos, foi diagnosticado com câncer de tireoide e deverá passar por cirurgia em outubro. O artista anunciou que ficará cerca de 30 dias afastado da agenda de shows para realizar o procedimento e se recuperar.
Segundo informações divulgadas pela equipe do cantor, exames realizados recentemente identificaram um nódulo na tireoide. As características da alteração levaram à realização de uma punção para investigação, que apontou um carcinoma papilífero em estágio inicial. Após avaliação médica, foi indicado o tratamento cirúrgico.
Durante uma apresentação em Manaus, no último sábado (26), Netinho falou publicamente sobre o diagnóstico e afirmou estar tranquilo. O cantor disse ainda que espera retornar aos palcos até o fim do ano.
"Quero dizer pra vocês o seguinte: eu estou muito tranquilo. Claro que não é normal você receber uma informação de que você tá com câncer, isso não é uma coisa que é normal. Mas esse câncer é um câncer fraquinho, esse é um câncer na amígdala. E os caras falaram o seguinte: 'Negrão, faz o tratamento, faz o que tem que fazer e vai dar tudo certo"'.
Apesar do cantor dizer que o câncer é nas amígdalas, a assessoria de imprensa do artista confirmou para reportagem da Quem que o tumor é na tireoide. "A assessoria de Netinho de Paula informa que exames realizados recentemente identificaram um nódulo na tireoide do artista. Segundo a equipe médica que acompanha o cantor, as características observadas levaram à realização de uma punção para investigação e o resultado apontou um carcinoma papilífero em estágio inicial", diz nota.
O caso chama atenção para um tumor que pode não provocar sintomas nas fases iniciais. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 16.450 novos casos de câncer de tireoide por ano entre 2026 e 2028, sendo 13.310 em mulheres e 3.140 em homens.
Nas fases iniciais, o câncer de tireoide pode não provocar qualquer manifestação perceptível. Conforme a doença evolui, alguns sinais podem aparecer e merecem investigação.
“Na maioria das vezes, nos estágios iniciais, o câncer de tireoide é silencioso e o paciente não percebe nenhuma alteração. Em casos mais avançados, pode surgir um nódulo na parte da frente do pescoço ou ínguas na região cervical. Rouquidão persistente e dificuldade para engolir também podem aparecer”, explica Aline Lauda.
A presença de um nódulo, no entanto, não significa necessariamente câncer. Segundo a oncologista, a maioria dos nódulos da tireoide é benigna. Diante de uma alteração suspeita, a avaliação médica é necessária para determinar se há indicação de exames complementares.
O tratamento depende do subtipo do câncer, das características do tumor e das condições de cada paciente. A cirurgia é a principal estratégia e pode envolver a retirada de toda a tireoide ou apenas de parte da glândula.
“O principal tratamento é a cirurgia. Dependendo de alguns fatores do tumor e do paciente, pode ser indicada a tireoidectomia total, com a retirada de toda a tireoide, ou a tireoidectomia parcial, quando apenas parte da glândula é retirada. Essa definição é feita de forma individualizada”, explica Aline Lauda.
Em alguns casos, o tratamento cirúrgico pode ser suficiente. Em outros, pode haver necessidade de terapias complementares. “Nos carcinomas papilíferos, alguns casos de maior risco podem ter indicação de iodoterapia após a cirurgia. Quimioterapia e radioterapia externa não são utilizadas de rotina nos carcinomas papilíferos e foliculares. Já em casos mais avançados ou de doença metastática, o oncologista também pode participar da avaliação para definir a indicação de terapias-alvo e inibidores de tirosina quinase”, afirma.
Segundo a especialista, o acompanhamento desses pacientes pode envolver uma equipe multidisciplinar, principalmente cirurgião de cabeça e pescoço e endocrinologista, além do médico nuclear em situações que demandem iodoterapia e do oncologista nos casos mais avançados.
“Ainda não existe uma medida específica capaz de prevenir o câncer de tireoide, assim como não há recomendação de rastreamento de rotina para a população. Isso não significa, porém, deixar de lado os cuidados gerais de prevenção do câncer. Manter hábitos saudáveis e evitar fatores de risco conhecidos continua sendo uma recomendação importante para a saúde como um todo”, finaliza Aline Lauda.