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Você já ouviu falar sobre o ceratocone? É uma doença ocular progressiva que afeta a córnea, que é a estrutura transparente localizada na parte da frente do olho. A doença provoca um afinamento e uma alteração na curvatura da córnea, que vai assumindo um formato mais cônico, interferindo na qualidade da visão.
“Em um olho normal, a córnea apresenta uma curvatura regular e ajuda a direcionar a luz para a retina. No ceratocone, a córnea vai ficando mais fina e irregular e pode sofrer uma projeção para frente, adquirindo esse formato de cone”, diz o oftalmologista Bruno Valbon.
Essa alteração provoca principalmente um astigmatismo irregular, que pode gerar uma visão bastante distorcida e que, em alguns casos, não consegue ser corrigida adequadamente apenas com óculos.
Estudo publicado na Revista Brasileira de Oftalmologia, realizado com 879 adultos, mostra que 45,8% dos participantes nunca tinham ouvido falar sobre a doença, enquanto apenas 31,5% afirmaram conhecer o ceratocone.
De acordo com o médico, os sinais podem variar de acordo com o estágio. Os mais comuns são visão embaçada ou distorcida, mudanças frequentes no grau dos óculos, aumento ou alteração do astigmatismo, dificuldade para enxergar à noite, sensibilidade à luz e percepção de halos ao redor das luzes.
“Um sinal que merece bastante atenção é a necessidade de trocar o grau dos óculos com frequência ou a sensação de que, mesmo com um óculos novo, a visão continua não ficando totalmente nítida”, conta Bruno Valbon.
O hábito de coçar ou esfregar os olhos merece atenção. Esse comportamento provoca atrito e pressão, contribuindo para alterações estruturais da córnea e está associado à progressão do ceratocone.
“É muito comum que a pessoa com alergia tenha coceira e, consequentemente, coce os olhos várias vezes ao dia. Esse comportamento deve ser evitado. Quando existe coceira frequente, é importante tratar a alergia e fazer acompanhamento oftalmológico, principalmente se houver alterações no grau ou na qualidade da visão”, diz Bruno Valbon.
Atualmente, há tratamentos eficazes para controlar a progressão da doença e estratégias para proporcionar uma boa qualidade visual.
O diagnóstico precoce faz diferença. Quanto mais cedo identificar o ceratocone, maiores são as possibilidades de acompanhar a evolução e intervir quando necessário.
Segundo o oftalmologista, o tratamento do ceratocone é individualizado e depende do estágio da doença. O objetivo é estabilizar a progressão e melhorar a qualidade da visão.
O principal tratamento é o crosslinking. É um procedimento que utiliza vitamina B2 (riboflavina) e luz ultravioleta para criar novas "pontes" de ligação entre as fibras da córnea, reforçando sua estrutura.
Já para melhorar a curvatura e a visão em córneas que já se deformaram, um dos recursos é o anel intraestromal. São pequenos segmentos, finos e transparentes, implantados dentro da própria espessura da córnea por meio de um túnel criado a laser ou manualmente.
O anel regulariza o formato da córnea, e o crosslinking garante que fique estável ao longo do tempo. Lentes de contato rígidas ou esclerais também são úteis para oferecer uma visão de alta qualidade nesses casos.