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Grávidas com Covid-19 correm mais risco de desenvolver pré-eclâmpsia

Ginecologista explica os possíveis riscos para saúde da mãe e do bebê caso a condição se estabeleça

Publicado em 11/09/2021 às 02h00
Gestante com aparelho de medir a pressão no braço
Gestante com aparelho de medir a pressão no braço. Crédito: Shutterstock

Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), publicada na revista inglesa Clinical Science, apontou que grávidas infectadas com a Covid-19 correm mais risco de desenvolver pré-eclâmpsia, caracterizada pelo aumento da pressão arterial persistente durante a gestação.

Explicando de forma resumida, a presença do novo coronavírus no organismo das gestantes é capaz de provocar alterações nos níveis de uma enzima que tem funções importantes para a circulação do sangue na placenta e também é receptora do vírus: a enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2, na sigla em inglês).

“Por ser também receptora do SARS-CoV-2, [a placenta] acaba promovendo um risco maior em quadros de covid-19 pois o órgão se torna alvo do vírus assim como o pulmão, os rins e o coração. Vimos nesse trabalho que a resposta varia muito de uma paciente para outra, mas leva, sem dúvida, a formas graves da doença”, explica Dulce Elena Casarini, coordenadora do estudo e professora da Unifesp.

Segundo o ginecologista e obstetra César Patez, a condição pode trazer graves complicações para a mãe e para o bebê. “Ela é a principal responsável pelo tônus arterial, ao fazer as artérias se estreitarem, além de estimular a liberação de outros hormônios que elevam a pressão sanguínea”, destaca o médico.

“Isso aumenta a probabilidade de hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia, mesmo entre as mulheres assintomáticas. A resposta varia muito de caso para caso”, completa.

Dr. César Patez, ginecologista e obstetra
O ginecologista e obstetra César Patez alerta para os perigos da Covid-19 durante a gravidez. Crédito: Acervo Pessoal

Os principais sinais da pré-eclâmpsia são, entre outros, a pressão acima de 140x90 mmHg, presença de proteínas na urina, alterações nos rins e ainda gerar edemas.

“A pré-eclâmpsia afeta até 8% das gestações e é a causa de uma parte considerável de mortalidade materna e perinatal. Seus sintomas começam geralmente após 20 semanas de gestação em mulheres com pressão arterial normal, podendo causar complicações graves e fatais decorrentes de alteração placentária, como espasmos nos vasos sanguíneos e alterações na coagulação do sangue e diminuição da circulação”, afirma.

César Patez

Ginecologista e obstetra

"Se não tratada precocemente, pode complicar, e muito, a gravidez, trazendo riscos para mãe e bebê. Na grávida, em especial pode causar hemorragia cerebral, insuficiência renal e cardíaca, e desprendimento prematuro da placenta do útero"

Dulce Elena Casarini destaca que, de acordo com o Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19 da Fiocruz, as mortes maternos em 2021 já superaram o número de 2020 e o cenário é preocupante. “Em 2020, foram 544 óbitos, com média semanal de 12,1 óbitos, considerando que a pandemia se estendeu por 45 semanas epidemiológicas. Até 26 de maio deste ano, transcorridas 20 semanas epidemiológicas, foram registrados 911 óbitos, com uma média semanal de 47,9 mil óbitos”, destacou.

O estudo mostrou também que a infecção por SARS-CoV-2 durante a gravidez aumenta a probabilidade de hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia, mesmo entre as mulheres assintomáticas. Quadros graves de covid-19 também contribuem para nascimento de bebês prematuros.

Umas das formas de tentar evitar que a doença ocorra é apostar em exames preventivos. “No pré-natal, recomenda-se a ultrassonografia morfológica com Doppler de primeiro trimestre, entre 11 e 14 semanas de gestação. Assim, temos como investigar possíveis riscos com antecedência e iniciar a aspirina precocemente. Uma boa alimentação saudável e controle do peso também ajudam bastante”, acrescenta.

O obstetra pontua que não há um tratamento totalmente eficaz para a condição, mas geralmente se utiliza anti-hipertensivos para controlar a pressão arterial. “A única forma de curar a doença é realizar parto quando este for possível”, completa.

*Com informações da Agência Brasil

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