Guardar muitas coisas é um hábito comum, mas pode ser preocupante e um sinal do transtorno de acumulação. O grande problema acontece quando essa prática prejudica a saúde e o convívio social. Para falar melhor sobre o assunto, conversamos com a psicóloga e psicanalista Cássia Rodrigues.
Como se caracteriza o Transtorno de Acumulação?
É uma doença que se manifesta pelo comportamento de guardar objetos de forma extrema. Caracteriza-se como patologia quando prejudica o bem-estar e causa estresse entre o paciente e as pessoas que convivem com ele.
Como diferenciar a acumulação do apego a alguns objetos?
É muito comum termos objetos que possuem valor emocional e fazemos questão de guardá-los. O grande problema está no excesso. O acumulador geralmente se isola, perde o controle sobre a quantidade de coisas que está guardando, não reconhece que tem uma patologia e perde espaço com as coisas que acumula.
É verdade que o problema afeta mais os idosos?
É mais comum conseguirmos verificar o transtorno em idosos por que eles passaram muitos anos acumulando as coisas. Mas essa patologia afeta também os jovens, apesar de o diagnóstico ser um pouco mais difícil.
Como é feito o diagnóstico?
Pelo médico psiquiatra, através do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-5), que elenca os critérios necessários para o diagnóstico do transtorno.
E o tratamento?
A partir do diagnóstico, o especialista avalia se há a necessidade de medicação por conta de algum problema associado, como crise de ansiedade, e encaminha o paciente ao psicólogo para iniciar o tratamento psicoterápico.
Nos últimos anos surgiu o termo acumulador digital. A origem do problema é a mesma?
Sim, apenas mudamos o local de armazenamento. As pessoas que sofrem com esse transtorno acreditam que essas coisas, materiais ou virtuais, podem ser úteis em algum momento. O resultado é estresse e desorganização, na vida real ou na digital.