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Caso Duda Reis: psicóloga mostra sinais de um relacionamento abusivo

A repercussão do caso da atriz com o cantor Nego do Borel trouxe a discussão sobre as relações abusivas. Especialista explica como identificar este tipo de relação e como proceder nestas situações

Vitória
Publicado em 15/01/2021 às 02h02
Atualizado em 15/01/2021 às 15h09
Duda Reis e Nego do Borel
Duda confirmou expôs os abusos sofridos em seu relacionamento com Borel através dos stories do Instagraml. Crédito: Divulgação

Na última terça-feira (12), foi divulgado um áudio de uma suposta traição sofrida pela atriz e influenciadora Duda Reis por parte do cantor Nego do Borel, seu ex-noivo, com a influenciadora Lisa Barcelos. Após a publicação do áudio, Duda confirmou o ocorrido e expôs os abusos sofridos em seu relacionamento com Borel através dos stories do Instagram. Mais tarde, ela voltou à rede para dar mais detalhes sobre o relacionamento. “Você sai destruída de uma relação abusiva, fato. Às vezes só vai enxergar tempos depois”, escreveu em uma das postagens.

A atriz ainda disse: “Passei muita coisa que vou poder testemunhar e usar de incentivo para vocês. Verbais, chantagens emocionais, sentia medo mesmo, medo pela minha vida e decidi botar a boca no trombone. Não dá para ficar passando pano para macho assim, porque a própria namorada será a próxima vítima e ponto final. Eles não mudam e nunca vão mudar, só mudam de presa".

Stories de Duda Reis
Duda Reis compartilhou textos e vídeos em seus stories contando sobre seu relacionamento. Crédito: Reprodução Instagram

Ontem (14), Duda Reis esteve na 1ª DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) em São Paulo, para registrar um boletim de ocorrência contra o cantor. Em depoimento, a atriz revelou ter sido dopada com remédios e estuprada pelo ex-noivo durante uma viagem do então casal para Portugal, em 2018. O caso colocou a discussão sobre relacionamentos abusivos novamente em voga. Geralmente, nessas situações, as vítimas não identificam ou demoram a perceber o relacionamento não-saudável. Mas como identificar e como sair disso?

A psicóloga Renata Sampaio explica que, de maneira geral, as pessoas têm dificuldade de sair deste tipo de relação por medo - incluindo do que o outro possa fazer -, insegurança e, em alguns casos, por achar que pessoa vai mudar. “A vítima não tem a percepção de que aquela pessoa se comporta de uma forma abusiva também. Outra possibilidade é o amor. Apesar de tudo, a pessoa não quer perder a outra, ela quer ser amada, ser querida e pode ter dificuldade de sair do relacionamento”, pontua.

Segundo Renata, é comum que em relacionamentos sejam feitas concessões, mas nos casos abusivos, geralmente, a pessoa que sofre se anula e é necessário pensar por que ela permite isso. “Mesmo no caso de relacionamentos abusivos, pode existir amor sim, mas de uma forma mais terrível, que machuca. Mas existem pessoas que se submetem a essa forma de amar. A pergunta a ser feita para refletir sobre este relacionamento é: o que essa forma de amar tem me proporcionado?”, aponta a psicóloga.

Vale se questionar se essa é a única forma de amar. “O que te movimenta em direção a esse relacionamento? O que movimenta a sua fantasia de autoanulação? Essas são perguntas importantes e que podem ajudar a pessoa que está nessa situação”, orienta Renata.

Como identificar os sinais

A psicóloga e conselheira do Instituto Casa Lilás, Cláudia Sales, que atua no atendimento a mulheres vítimas de violência, afirma que a relação abusiva sem agressão física é mais difícil de ser identificada pelas vítimas. “Na sociedade, é generalizado que os relacionamentos são sempre difíceis e conturbados. Quando na verdade, em uma relação saudável, também existem problemas e desentendimentos, mas o respeito é a base”, explica.

Ela destaca que não é normal que exista qualquer tipo de sofrimento de uma das partes da relação. “Por isso, é tão importante que antes de se envolver com alguém, a pessoa já esteja munida de autoconhecimento e amor-próprio”.

De acordo com a profissional, na fase da paquera já existem sinais que podem ser identificados. “Perceba como ele se refere aos relacionamentos anteriores e às mulheres de forma de geral, pois os abusadores, geralmente, têm falas e comportamentos extremamente machistas. É importante também perceber como ele lida com situações em que é frustrado - quando algo não aconteceu como ele esperava -, e se a forma como se comunica com você é constante ou instável”, orienta.

Nego do Borel e Duda Reis
Duda Reis usou as redes sociais para abrir o jogo sobre relacionamento abusivo que viveu. Crédito: Reprodução Instagram

Já no namoro, deve-se observar as contradições nas falas e as crises de raiva quando quebra, joga ou chuta objetos, e a dificuldade em ser ouvida ou dizer o que realmente gostaria de fazer. Além disso, estar atenta às pessoas que já faziam parte do seu ciclo de convivência antes do relacionamento.

Cláudia Sales

Psicóloga e Conselheira do Instituto Casa Lilás

"A tendência à dependência emocional é um fator de risco para a entrada em uma relação abusiva"

Tanto que, se pessoas próximas não gostarem da pessoa com que você está se relacionando, pode ser um sinal de que esteja te fazendo mal. "Perceba se está se afastando das pessoas que você se relacionava antes do namoro. Observe também se deixa de falar o que quer por medo de surtos ou gritos. Se ele sempre diz que irá melhorar ou mudar, mas faz sempre exatamente igual. E se isso é tão previsível que você mesma já sabe como ele vai se comportar”.

A psicóloga ressalta a importância de estar consciente do que espera antes de entrar em um relacionamento. “A tendência à dependência emocional é um fator de risco para a entrada em uma relação abusiva. Portanto, avalie previamente, se está emocionalmente saudável para estar com alguém, pois a chance de permitir a entrada de um agressor na vida é muito menor”, acrescenta.

Como proceder ao identificar um relacionamento abusivo

“Procurar ajuda é a solução”, garante Cláudia. Segundo a psicóloga, na maioria das relações abusivas já se instalou dependência do outro. Esse vínculo emocional é tratado com terapia e, em alguns casos, medicamentos. “É importante falar disso, pois as pessoas leigas e o senso comum pensam ser frescura ou que a vítima gosta de estar ali. Mas na verdade, é algo grave, que precisa de ajuda, apoio e tratamento”, destaca. As vítimas costumam ter muita vergonha de falar sobre isso, mas é possível sair do ciclo de abuso. Caso identifique, busque por um profissional de psicologia para te ajudar.

Exposição nas redes sociais

Sobre usar as redes sociais para abordar o assunto, pode ser um alívio ou libertação para a vítima em um primeiro momento, porém, não é eficaz para tratar a dependência. “Pode gerar outros problemas, pois a rede social é 'terra sem lei'. As pessoas estão ali julgando o tempo todo e o que a vítima mais precisa é de empatia e suporte. Seguidores e amigos podem ser uma boa fonte de apoio, mas a real saída virá de um tratamento com psicólogo e/ou psiquiatra”, alerta Cláudia.

De forma geral, as redes sociais aumentam a ansiedade e sentimentos de menos valia pela comparação feita a todo instante com as vidas perfeitas apresentadas ali. "Isso pode atrapalhar o senso de realidade, pois a vida de ninguém é apenas repleta de situações prazerosas e positivas. Precisamos tomar cuidado com isso e lembrar que ali estão pessoas e todas passam por situações desagradáveis, tem defeitos e dificuldades”.

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