O rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), completou quatro anos em novembro de 2019. Esse evento foi o maior do tipo, considerando o volume de rejeito de minério de ferro e a distância percorrida.
Ainda existem muitos questionamentos e desinformações sobre os impactos do rompimento sobre a condição ambiental. A Rede Rio Doce Mar (RRDM), formada por pesquisadores de 27 instituições de ensino, pesquisa e extensão do país, mostra que existem resultados sobre o impacto no meio ambiente e presta contas sobre os desafios enfrentados pelos mais de 40 professores.
Em um ano, desenvolvemos um protocolo de coleta e análise de dados de água, sedimento e biota (conjunto de seres vivos de um ecossistema), em rios, lagos, lagoas, praias, manguezais, restingas, estuários e o mar.
Fizemos um estudo dos dados anteriores ao rompimento, visando ter subsídios para comparação com posteriores e, assim, consolidar uma análise de impacto associado ao rejeito. Levantamos dados coletados entre o rompimento e o início do Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática (PMBA), em setembro de 2018.
Assumimos o monitoramento da biodiversidade aquática, medindo mais de mil parâmetros abióticos e bióticos na porção capixaba do Rio Doce, zona costeira e marinha adjacente.
Além dos resultados parciais em maio de 2019, entregamos o Relatório Anual em novembro, com mais de sete mil páginas, à Câmara Técnica de Biodiversidade (CTBio) e à Fundação Renova, responsável pelo repasse financeiro para desenvolvimento dos estudos.
O relatório envolveu a descrição detalhada e análise da variabilidade espaço-temporal de processos e parâmetros físicos, químicos, geológicos e biológicos dos compartimentos Dulcícola, Costeiro e Marinho, para cada anexo do Termo de Referência 4 do Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC/CIF).
Ao final desse primeiro ano, a RRDM cumpriu com suas metas e a academia brasileira mostrou a importância do seu papel em situações de alta complexidade como os desdobramentos e impactos gerados pelo rompimento.
Apesar do foco do PMBA ser a avaliação dos impactos nos ecossistemas, os resultados também têm subsidiado tomadas de decisão em áreas como a de pesca e saúde humana. Atendemos a convocações do Ministério Público Federal, da Defensoria Pública do Espírito Santo e resultados foram encaminhados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A RRDM tem a certeza de que análises conclusivas estão sendo geradas sobre o impacto no ambiente. O esforço e dedicação da academia vêm subsidiando decisões a serem tomadas e devem ser usados como base de conhecimento para implantação de ações de recuperação e restauração.
*O autor é doutor em Geologia Marinha, professor do Curso de Graduação e Pós-Graduação em Oceanografia da Ufes desde 2004 e coordenador técnico da Rede Rio Doce Mar (RRDM)