Imagens do entardecer no Convento da Penha: um dos símbolos históricos do Espírito Santo, capitania doada a Vasco Fernandes Coutinho no século XVI
Imagens do entardecer no Convento da Penha: um dos símbolos históricos do Espírito Santo, capitania doada a Vasco Fernandes Coutinho no século XVI. Crédito: Fernando Madeira

Vasco Fernandes Coutinho: um personagem, várias versões

Alguns documentos quinhentistas afirmam que o donatário do Espírito Santo morreu pobre e abandonado, faltando a ele um simples lençol para cobrir o seu corpo

Publicado em 23/05/2020 às 14h00
Atualizado em 23/05/2020 às 14h00
  • Manoel Goes Neto

    É presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha e diretor no IHGES

Uma versão muitas vezes repetida acaba virando verdade. E depois para se desmentir, passados séculos, fica muito difícil. Algumas vezes até impossível. Mas assim é com a maioria dos fatos e personagens históricos.

Alguns documentos quinhentistas afirmam que o donatário Vasco Fernandes Coutinho morreu pobre e abandonado e lhe faltou um simples lençol para cobrir o seu corpo. Esquecem os que mantêm essa versão de que não havia necessidade de lençol algum. O calor tropical era muito grande para o fidalgo europeu, e com certeza ele aprendera com os índios a dormir em redes.

Particularmente, concordo com alguns historiadores que Vasco Fernandes Coutinho foi mais um injustiçado da historiografia oficial. Essa versão cai por terra quando questionamos: se o donatário Vasco Coutinho iniciou aqui a construção de uma extensão do império português, a que deu o nome de Espírito Santo, que se mantém até hoje, e mais, ficando em poder da sua família e herdeiros por 140 anos?! Como teria sido Coutinho um fracassado?!

Foi o quinto de uma família de nobres portugueses com o mesmo nome, nascido provavelmente em 1498, e, assim como os seu pai e irmãos, embarcou em caravelas para conquistas além-mar. Foi um militar vitorioso. Já rico, regressou a Portugal, casou-se e adquiriu propriedades. Recebia, como herói de conquistas e batalhas, uma pensão real.

Estátua de Vasco Fernandes Coutinho
Estátua de Vasco Fernandes Coutinho. Crédito: Manoel Goes

Como homem de desafios e batalhas, solicitou ao rei D. João II uma capitania para administrar no Brasil, e foi a décima primeira, das quinze capitanias criadas. Para essa nova missão, vendeu todo o seu patrimônio, inclusive abriu mão da sua pensão, comprou a caravela Gloria, juntou 60 pessoas, entre fidalgos e degredados, chegando em terras capixabas em 23 de maio de 1535, um dia de domingo, consagrado ao Espírito Santo. Daí o primeiro nome de Vila Velha ter sido a Vila do Espírito Santo.

Teve toda sorte de dificuldades, mas realizou bastante, fez acordos com os índios, converteu alguns à fé cristã, fundou os primeiro engenhos de açúcar, construiu duas vilas (Vila Velha e Vitória). Viajou mais de uma vez a Portugal para buscar recursos e colonos para a sua capitania.

Foi injustamente, Vasco Fernandes Coutinho, excomungado pelo bispo Fernandes Sardinha, mais tarde comido pelos índios Caetés, devido ao seu hábito de, como os índios, “beber o fumo”. O nosso primeiro donatário não foi um pobre e infeliz. Como capitão de batalhas vitoriosas, lutou tudo o que pôde para transformar o Espírito Santo em uma colônia portuguesa e conseguiu. 

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