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Cidades

Para 2020, o desejo de uma Vitória mais cosmopolita

Dotar os bairros de cidadania plena, priorizar pedestres, ciclistas e transporte público e valorizar o centro histórico podem ser o empurrão necessário para que Vitória ganhe dimensões cosmopolitas

Publicado em 21 de Novembro de 2019 às 04:00

Públicado em 

21 nov 2019 às 04:00
Arlindo Villaschi

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Arlindo Villaschi Arlindo Villaschi

A proximidade da virada de calendário e a chegada de uma nova década permitem que se pense para além das circunstâncias do dia a dia e faça propostas "fora da caixa". As circunstâncias estão tão deterioradas que o simples pensar parece ousadia.

No caso específico da Vitória de todos os capixabas, ousar é reconhecer que com muito pouco ela pode propiciar a todos uma vida cosmopolita como aqueles que têm o privilégio de viajar apreciam em suas andanças. Todos gostam de caminhar entre uma atração e outra sem o constrangimento de ver gente excluída socialmente à busca do que comer. Todos apreciam o prazer de circular por calçadas bem cuidadas e equipadas para boas conversas ou para o simples apreciar de paisagens e pessoas. Todos gostam de percorrer distâncias maiores usando transporte público de passageiros que circulam a velocidade maior do que a dos automóveis.

Isso é possível em Vitória. Basta uma política social que inclua os que moram em bairros mais pobres. Bairros que podem ser enriquecidos com equipamentos de saúde, educação, cultura e lazer. Bairros onde seus moradores merecem a cidadania de melhor habitação e saneamento; e de oportunidade de trabalho. Coisas que dependem fundamentalmente de vontade e comprometimento político para com a inclusão social e econômica.

Também é possível em Vitória a circulação de pessoas que priorize o pedestre; o ciclista / skatista / patinetista; o transporte público de passageiros. Um primeiro passo é ampliar e melhorar calçadas; reservar espaços para o encontro de pessoas; construir abrigos em pontos de ônibus. As vias estão prontas e com pouco investimento podem ter faixas exclusivas para quem se desloca de bicicleta e similares; e para os ônibus que transportam a maioria da população. Maioria que merece deixar de ser punida com congestionamentos provocados pelo excesso de automóveis nas ruas. Excesso de automóveis controlável quando seus usuários pagarem mais para estacionar e gastarem mais tempo para circular. Ou seja, fazer por aqui o que os que têm o privilégio de viajar sabem que é possível.

Viajantes que já experimentaram progresso econômico e melhoria de qualidade de vida em cidades que levaram a ideia de economia criativa para além de eventos de marquetismo. Cidades onde espaços de importância histórica foram reconfigurados para melhor abrigar moradias e espaços para atividades culturais e econômicas. Atividades culturais e econômicas que geram trabalho e renda em proporção muito maior do que aquelas tradicionais ligadas à máquinofatura.

Cidades que decidiram construir e manter espaços ligados às artes como uma nova forma e conteúdo de seu desenvolvimento. Espaços muitas vezes ancorados em prédios monumentais assinados por arquitetos reconhecidos mundo afora.

Uma vez mais, isso é possível em Vitória. Seu centro histórico - do Saldanha ao Carmélia – é pleno de edificações mais do que adequados para sua reconfiguração enquanto espaço para atividades culturais, econômicas e de habitação. Necessários se fazem investimentos na reconfiguração da Avenida Jerônimo Monteiro com calçadas e pontos de encontro e via exclusiva para transporte público de passageiro.

Também é possível a Vitória se tornar contemporânea de metrópoles que aproveitam sua proximidade de rios e mar para utilizar suas margens como espaços voltados para atividades de cultura e lazer. Cultura e lazer que geram trabalho e renda, é bom lembrar.

Vale pensar o espaço entre o Iate e o Álvares a partir das possibilidades de benefícios sociais, culturais e econômicos de seu uso como se vê e aprecia em outras metrópoles. Espaço que pode abrigar um aquário – na área atrás do Shopping Vitória - que sirva de vitrine para a riqueza e diversidade na cadeia de montanhas submersas entre Vitória e Trindade. Vitrine que exponha aos capixabas a riqueza de sua costa e que sirva para atrair pessoas do mundo inteiro interessadas em turismo científico e contemplativo da natureza.

Espaço onde se encontra a obra parada do Cais das Artes. Cais que pode se tornar âncora para Vitória ter melhor visibilidade Brasil adentro e mundo afora. Afinal, tanto seu arquiteto – Paulo Mendes da Rocha - quanto o curador de sua coleção permanente – Paulo Herkenhoff – têm reconhecimento internacional pelo que já fizeram e fazem.

Dotar os bairros mais carentes daquilo que a eles é devido para a cidadania plena; priorizar pedestres, ciclistas e transporte público de passageiros no uso das principais vias de circulação; valorizar o centro histórico enquanto espaço para atividades culturais e econômicas; construir uma aquário integrado à baía; retomar e concluir as obras e a constituição da coleção permanente do Cais das Artes podem ser o empurrão necessário para que Vitória cidade presépio ganhe dimensões cosmopolitas com a qualidade de vida que sua gente merece.

Arlindo Villaschi

Arlindo Villaschi Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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