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Arlindo Villaschi

Paramos de sonhar porque perdemos a noção do futuro

Uma saudade, entre todas, tem sido muito pesada. A saudade de sonhar. E essa é a saudade mais dura

Públicado em 

07 jun 2019 às 18:51
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

Sonho ou realidade: as pessoas estão perdidas Crédito: Divulgação
Há muita saudade Brasil afora. O texto é de Eliana Kuster, professora do Ifes, com quem comungo sonhos.
“Consta do senso comum que a palavra saudade só existe em português. Embora saibamos que não é exatamente assim, já que o termo deriva do latim e está presente em outras línguas românicas, é verdade que temos, no Brasil, um uso especial dessa expressão. Nos últimos tempos, sobretudo, a palavra está muito mais presente no sentimento cotidiano de muitos brasileiros. As saudades que costumávamos atribuir a amigos distantes ou pessoas que partiram, tomaram outra dimensão. Hoje, nos surpreendemos sentindo outro tipo de saudade.
Sentimos saudades de um tempo no qual o país era respeitado por líderes de todo o mundo, bem recebido no exterior e destino procurado por investidores estrangeiros, incentivados pela promoção da sua boa imagem junto à comunidade externa.
Igualmente sentimos saudade do nosso orgulho. A vergonha hoje nos assalta a cada pronunciamento de algum dos membros do governo atual. Que saudade de quando víamos nossos presidentes sendo bem recebidos por líderes de outros países!
Saudade da cultura e da arte criadas no Brasil. Cultura que tornou conhecida em todo o mundo a criatividade e o talento do nosso país e que hoje tem sido tratada com tanto desrespeito e desprezo. Saudade de um tempo no qual livros não eram vistos com desconfiança, nem a educação como inimiga.
E a saudade de direitos perdidos? Direitos trabalhistas, direito de fazer pesquisa de qualidade e de formar bem os alunos das escolas e universidades federais. Direito de cuidar do meio ambiente de forma adequada, com leis que garantam a sua proteção.
Saudade de tempos menos violentos, com menos armas e preconceitos, com mais diversidade, com mais respeito aos gêneros, etnias e diferenças.
Mas, uma saudade, dentre todas, tem sido muito pesada. A saudade de sonhar.
Não sonhamos mais porque para haver sonho é necessário um mínimo de substrato onde apoiar-se para alavancar o sonho. Os planos para o futuro precisam assentar-se em um chão de esperança. Como não temos noção de onde estaremos no futuro, sequer se haverá futuro, não conseguimos planejá-lo além da trivialidade dos eventos cotidianos.
E essa é a saudade mais dura porque nos confronta com a fragilidade do que nos cerca e que – percebemos arduamente – pode ruir em um piscar de olhos. E junto se escoam boa parte da nossa alegria e da nossa perspectiva de felicidade.
Chega! Não aguentamos mais sentir saudades!”

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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