Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Arlindo Villaschi

Discursos manipulados ganham força e distorcem as verdades no país

Pós-verdades têm obtido resultados positivos para apologistas do pensamento único, religioso ou político

Públicado em 

19 jun 2019 às 22:30
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

Fake News Crédito: Divulgação
A manipulação de fatos e dados voltada para a sustentação de discursos que negam o relativo e o contraditório permeia boa parte do que hoje se produz para veiculação em redes sociais e parte da mídia de mercado. Manipulação possível através do uso de conhecimentos em diversas áreas do saber e veiculação viabilizada pelo uso intensivo de algoritmos e robôs.
As pós-verdades que daí resultam e por aí circulam têm obtido resultados positivos para apologistas do pensamento único, seja ele religioso ou político. Crescem os fiéis seguidores de fundamentalistas nas mais diversas denominações; pessoas despreparadas para o exercício de liderança política chegam ao comando de países.
Essas lideranças têm dado voz e vez ao desrespeito aos direitos humanos e à apologia de armas nucleares como instrumento de construção da paz mundial. Vociferam dogmas da teologia da prosperidade e transformam em culpados as vítimas do processo de crescente exclusão social – nativos, negros, mulheres, LGBTs, gente das periferias.
No Brasil, dogmas e transformação de vítimas em culpados alimentam pós-verdades voltadas para a desconstitucionalização de direitos conquistados. Foi assim com o teto de gastos em áreas essenciais como saúde, educação e seguridade social. Foi assim com o desmonte da legislação trabalhista. Está sendo assim na tentativa de aprovar uma reforma da Previdência que só interessa à especulação financeira.
A manipulação de dados e fatos se sucede e é contínua a recusa a dialogar com posições divergentes. A cada rodada, promessas se repetem da forma como a pós-verdade se estabelece – através das notícias mentirosas.
A garantia de crescimento agora no desespero de aprovação da reforma da Previdência é a mesma feita quando do estabelecimento do teto dos gastos e quando do desmonte da legislação trabalhista. A promessa de geração de emprego é outra cenoura que só existe no contorcionismo das fake news.
A estagnação econômica está à vista de quem quiser olhar e ver – empresas de menor porte fechando; e de quem quiser se sensibilizar com o drama social que deriva das crescentes taxas de desemprego e de trabalho precarizado. Em um Brasil nessas circunstâncias é de doer o cinismo com que autoridades, mídia e academia de mercado apresentam fatos e dados distorcidos.
Dor maior porque junto com as pós-verdades que assolam o país vem o desmonte de seus mecanismos de soberania e de inclusão social; e a destruição de sua diversidade cultural e ambiental.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Como a criação ilegal de pássaros silvestres ameaça o meio ambiente no ES
Imagem de destaque
8 receitas vegetarianas de ovo de Páscoa
Imagem de destaque
Páscoa e signos: veja como cada nativo celebra a data

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados