Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 10:10
Os países da União Europeia (UE) aprovaram provisoriamente nesta sexta-feira (9/1) o acordo comercial com o Mercosul, segundo diplomatas ouvidos pelas agências AFP e Reuters.>
A maioria dos 27 países da União Europeia votou a favor do texto em uma reunião de embaixadores realizada em Bruxelas, segundo informaram diplomatas à AFP. O acordo foi aprovado apesar da oposição da França, Irlanda e outros países que afirmam que o pacto pode impactar negativamente seu setor agropecuário.>
O governo alemão confirmou, em nota, a aprovação. "O acordo comercial entre a UE e o Mercosul é um marco na política comercial europeia e um importante sinal da nossa soberania estratégica e capacidade de ação", diz o comunicado assinado pelo chanceler Friedrich Merz. >
Mais de 25 anos se passaram desde o início das negociações sobre o acordo. De acordo com as fontes ouvidas pelas agências, a formalização dos votos ainda depende do envio de confirmações por escrito até as 17h no horário de Bruxelas (13h no Brasil).>
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Após a confirmação, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pode assinar o acordo com os membros do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — o que é esperado já na próxima semana.>
O Parlamento Europeu também precisará aprovar o acordo para que ele entre em vigor.>
"Com este acordo, estamos fortalecendo a nossa economia e as relações comerciais com os nossos parceiros na América do Sul — o que é bom para a Alemanha e para a Europa. Mas: 25 anos de negociações foi tempo demais. Agora é crucial concluir rapidamente os próximos acordos de livre comércio", disse o governo alemão na nota divulgada nesta sexta.>
Para que o acordo fosse aprovado entre os países da UE na reunião desta sexta, era necessário maioria qualificada, o que significa que a proposta precisa ter o aval de pelo menos 15 dos 27 Estados-membros e que eles representem 65% da população do bloco. >
Atualmente, a população do bloco europeu está estimada em 451 milhões de habitantes.>
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia começou a ser discutido em 1999 e prevê a criação de uma área de livre-comércio entre os dois blocos. A ideia é que haja reduções recíprocas nas taxas de importação e exportação de produtos entre ambos, aumentando o fluxo comercial das duas regiões.>
Se concluído e entrar em vigor, o acordo criará uma das maiores áreas de livre-comércio do mundo, com uma população estimada em 718 milhões de pessoas e um produto interno bruto de US$ 22 trilhões.>
Em 2024, a fase negocial do acordo foi finalizada, mas para começar a funcionar, o acordo ainda precisará passar por diversas fases, entre elas a assinatura, que seria o próximo passo após a formalização da aprovação nesta sexta.>
No bloco, o acordo é fortemente apoiado por países como Alemanha, Espanha, Portugal e República Tcheca.>
Os principais países se opondo ao acordo atualmente são a França e Polônia, mas também há sinais de contrariedade entre países como a Bélgica e Áustria.>
Os franceses afirmam temer os impactos que o acordo poderia ter para os agricultores do país uma vez que eles sofreriam a concorrência dos produtos agropecuários do bloco sul-americano.>
Na véspera da votação, o presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou a posição de que Paris votaria contra o acordo. "Embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo UE-Mercosul serão limitados para o crescimento francês e europeu", escreveu em comunicado.>
Em 16 de dezembro, o Parlamento Europeu aprovou as salvaguardas que haviam sido propostas pela França para proteger seus produtos.>
Internamente, o governo brasileiro via as salvaguardas como mecanismo que limita os potenciais ganhos do agronegócio brasileiro, segundo reportagem da BBC Brasil.>
Isso porque há cláusulas que determinam que os europeus podem abrir uma investigação e suspender as vantagens tarifárias do acordo com o Mercosul caso haja um aumento acima de 5% no volume de compra de determinados produtos agrícolas do bloco sul-americano.>
Apesar disso, o governo brasileiro optou por não se opor às salvaguardas, ao menos imediatamente, e priorizar a assinatura do acordo.>
Nesta sexta, acredita-se que o "fiel da balança" para que o acordo tenha sido aprovado foi a Itália. Segundo um diplomata da UE revelou à agência Reuters, a Itália mudou de posição, passando de um "não" em dezembro para um "sim" na votação de hoje.>
O país tem aproximadamente 59 milhões de habitantes e é a terceira maior população do bloco europeu, por isso era considerado um voto importante, segundo diplomatas ouvidos pela BBC Brasil no final de dezembro.>
Segundo o jornal espanhol El País, França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda mantiveram-se contrárias ao acordo, enquanto a Bélgica decidiu se abster.>
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