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Sem líder claro, direita está dividida após prisão de Bolsonaro, diz Economist

Revista britânica diz que "o maior beneficiário do legado caótico de Bolsonaro é Lula".

Publicado em 28 de Novembro de 2025 às 14:44

BBC News Brasil

Publicado em 

28 nov 2025 às 14:44
Imagem BBC Brasil
Revista britânica destacou divisão interna da direita após prisão de Bolsonaro Crédito: Reprodução
Uma reportagem da revista britânica The Economist publicada nesta sexta-feira (28/11) afirma que a direita brasileira está dividida após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, e que não surgiu ainda um líder claro para ser o candidato à eleição presidencial de 2026.
"A menos de um ano das eleições, a direita brasileira não tem um líder claro. As disputas internas entre os potenciais candidatos estão aumentando", afirma a Economist.
A reportagem cita como possíveis candidatos os governadores Tarcísio de Freitas (de São Paulo), Ronaldo Caiado (de Goiás) e Romeu Zema (de Minas Gerais), além de Eduardo e Flávio Bolsonaro.
A revista afirma que há alguns meses "o cenário era bastante diferente", com queda da aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, devido ao aumento do preço dos alimentos e da pouca presença da esquerda nas mídias sociais. Nesse momento, a direita parecia estar em vantagem.
"Em muitos aspectos, a própria família de Bolsonaro é culpada pela mudança na sorte da direita", afirma a reportagem, citando o que chama de lobby de Eduardo Bolsonaro junto aos republicanos contra o julgamento de seu pai.
A resposta americana veio na forma de um tarifaço do governo de Donald Trump contra produtos brasileiros.
"Enquanto Lula chamava a família Bolsonaro de 'traidores da pátria', os ambiciosos candidatos de direita se viram em uma situação delicada. Tentando se dissociar das impopulares tarifas, eles também queriam demonstrar apoio a Bolsonaro: qualquer candidato de direita precisa de sua bênção para ser competitivo nas eleições", afirma a revista.
A Economist pontua que, com as negociações entre Trump e Lula e anúncios de recuos no tarifaço, a direita entrou em uma disputa interna envolvendo a família Bolsonaro e outros candidatos, enquanto o governo Lula "recuperou sua confiança", aprovando medidas populares como o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda.
A revista afirma que a direita "está perdendo o debate sobre soberania, tarifas e impostos", e por isso agora "está atacando o ponto fraco de Lula: a segurança" — citando a ação policial no Rio de Janeiro contra traficantes em outubro.
"Muita coisa ainda pode dar errado para Lula. A maioria dos brasileiros acha que o político de 80 anos não deveria se candidatar novamente. Sua reforma do imposto de renda pode aumentar a inflação ao impulsionar o consumo", afirma a revista.
"Mas, por ora, o maior beneficiário do legado caótico de Bolsonaro é Lula."

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