Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 20:10
Multidões estão tomando as ruas da capital Teerã e de outras cidades no que já está sendo considerado a maior demonstração de força dos últimos anos por parte de opositores ao regime clerical que domina o Irã.>
Em vídeos publicados nas redes sociais, é possível ouvir manifestantes pedindo a deposição do Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e o retorno de Reza Pahlavi, filho exilado do falecido ex-xá, que havia incitado seus apoiadores a irem às ruas.>
Imagens de manifestações pacíficas em Teerã e na segunda maior cidade do Irã, Mashhad, na noite desta quinta-feira (08/01), foram verificadas pela BBC Persian.>
A agência de monitoramento da internet NetBlocks afirma ter detectado um "apagão nacional" no Irã.>
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"Métricas em tempo real mostram que o Irã está em meio a um apagão nacional da internet; o incidente ocorre após uma série de medidas crescentes de censura digital contra protestos em todo o país e prejudica o direito da população à comunicação em um momento crítico", diz um comunicado da NetBlocks.>
Este foi o 12º dia consecutivo de manifestações, desencadeadas pela indignação com o colapso da moeda iraniana e que logo se transformaram em protestos de insatisfação generalizada com o governo.>
Inicialmente, comerciantes foram às ruas de Teerã para expressar sua indignação com mais uma forte queda no valor da moeda iraniana, o rial, em relação ao dólar americano no mercado paralelo.>
O rial atingiu uma mínima histórica no último ano e a inflação disparou para 40%, à medida que as sanções impostas pelo programa nuclear iraniano pressionam uma economia já fragilizada pela má gestão governamental e pela corrupção.>
Estudantes universitários logo se juntaram aos protestos, que começaram a se espalhar para outras cidades, com multidões frequentemente entoando slogans críticos ao clero à frente do poder no país.>
Protestos desde 28 de dezembro já tomaram mais de 100 cidades e vilas em todas as 31 províncias iranianas, segundo grupos de direitos humanos.>
A agência de notícias HRANA (Human Rights Activist News Agency), sediada nos EUA, afirmou que pelo menos 34 manifestantes e oito membros das forças de segurança foram mortos, e que outros 2.270 manifestantes foram presos.>
A organização Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, afirmou que pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito crianças, foram mortos pelas forças de segurança.>
A BBC Persian confirmou as mortes e as identidades de 21 pessoas, enquanto as autoridades iranianas relataram a morte de seis membros das forças de segurança.>
Vídeos verificados pela BBC Persian da noite desta quinta-feira mostram uma grande multidão de manifestantes se deslocando ao longo de uma importante avenida em Mashhad, no nordeste do país.>
É possível ouvir gritos de "Viva o xá" e "Esta é a batalha final! Pahlavi retornará". >
Em determinado momento, vários homens são vistos subindo em um viaduto e removendo o que parecem ser câmeras de vigilância.>
Outro vídeo mostra uma grande multidão de manifestantes caminhando por uma importante avenida no leste de Teerã, enquanto no norte da cidade um pequeno grupo foi ouvido gritando "Viva o xá" e "Morte ao ditador" — uma referência a Khamenei.>
Manifestantes também foram filmados gritando "Viva o xá" em uma praça principal na cidade de Babol, no norte do país.>
Reza Pahlavi, cujo pai foi deposto pela Revolução Islâmica de 1979 e vive em Washington D.C., capital dos Estados Unidos, convocou os iranianos a "irem às ruas e, como uma frente unida, gritarem suas reivindicações".>
Enquanto isso, a mídia estatal iraniana está minimizando a dimensão dos protestos e, em alguns casos, negando que estejam ocorrendo.>
Diversos canais controlados pelo Estado publicaram vídeos de ruas vazias em cidades como Shiraz, Isfahan, Sanandaj e Bushehr, alegando que a situação está normal. >
Já ocorrências em Teerã estão sendo descritas como resultado da ação de um pequeno número de "manifestantes violentos".>
Mais cedo, imagens de Lomar, uma pequena cidade na província ocidental de Ilam, mostraram uma multidão gritando "Canhões, tanques, fogos de artifício, os mulás devem sair" — uma referência ao clero que comanda o país. >
Outro vídeo mostra pessoas jogando papéis para o alto em frente a um banco que parecia ter sido invadido.>
Há também imagens de lojas fechadas em diversas cidades e vilas predominantemente curdas em Ilam, bem como nas províncias de Kermanshah e Lorestan.>
Grupos de oposição curdos exilados convocaram uma greve geral em resposta à repressão violenta aos protestos na região.>
Pelo menos 17 manifestantes foram mortos pelas forças de segurança em Ilam, Kermanshah e Lorestan durante os distúrbios, e muitos deles eram membros das minorias étnicas curda ou lor, de acordo com o grupo curdo de direitos humanos Hengaw.>
Na quarta-feira, houve confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança em vários locais.>
A organização IHR afirmou que foi o dia mais letal dos protestos, com 13 manifestantes mortos em todo o país.>
"As evidências mostram que a repressão está se tornando mais violenta e abrangente a cada dia", disse o diretor do grupo, Mahmood Amiry-Moghaddam.>
Nesta quinta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou sua ameaça de intervir militarmente caso as autoridades iranianas matem manifestantes.>
"Deixei claro para eles que, se começarem a matar pessoas, o que costumam fazer durante seus protestos — e eles têm muitos protestos —, se fizerem isso, vamos atacá-los com muita força", disse Trump em entrevista ao programa de rádio The Hugh Hewitt Show.>
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, havia pedido anteriormente às forças de segurança que exercessem "máxima contenção" ao lidar com protestos pacíficos. >
"Qualquer comportamento violento ou coercitivo deve ser evitado", afirmou um comunicado.>
Khamenei, que detém o poder supremo no Irã, disse no sábado que as autoridades deveriam "conversar com os manifestantes", mas que "os arruaceiros devem ser colocados em seus devidos lugares".>
Os protestos já são os maiores desde 2022, quando houve grande comoção no país pela morte de Mahsa Amini, uma jovem curda detida pela polícia da moralidade por supostamente não usar o hijab corretamente. >
Mais de 550 pessoas foram mortas e 20.000 detidas pelas forças de segurança ao longo de vários meses, segundo grupos de direitos humanos.>
Os maiores protestos desde a Revolução Islâmica ocorreram em 2009, quando milhões de iranianos foram às ruas das principais cidades após uma eleição presidencial contestada. >
Dezenas de opositores ao regime foram mortos e milhares detidos.>
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