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Pedido de asilo à Argentina de Milei? A repercussão do indiciamento de Bolsonaro na imprensa internacional

Mensagens encontradas pela Polícia Federal sustentam hipótese, que ganhou destaque na cobertura internacional do indiciamento do ex-presidente.

Publicado em 21 de Agosto de 2025 às 09:25

BBC News Brasil

Publicado em 

21 ago 2025 às 09:25
Imagem BBC Brasil
O presidente da Argentina, Javier Milei, abraça o ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), em 7 de julho de 2024, em Camboriú, Brasil Crédito: Getty Images
A revelação, pela Polícia Federal (PF), de que o ex-presidente Jair Bolsonaro elaborou um pedido de asilo político ao presidente argentino Javier Milei teve grande repercussão na imprensa internacional.
Veículos da América Latina, Estados Unidos e Europa destacaram em suas reportagens a descoberta pelas autoridades brasileiras de uma minuta encontrada em um dos celulares de Bolsonaro durante a investigação sobre a suposta tentativa de golpe de Estado.
Na Argentina, o jornal Clarín publicou matéria com o título "Jair Bolsonaro planejou pedir asilo ao governo de Javier Milei em 2024".
Na reportagem, ressaltou que a minuta de asilo apreendida pela PF incluía não apenas argumentos políticos, mas também referências religiosas e jurídicas, com citações bíblicas e ao Pacto de San José da Costa Rica (ou Convenção Americana sobre Direitos Humanos, o tratado internacional que estabelece direitos e liberdades civis e políticas para os países membros da Organização dos Estados Americanos).
Imagem BBC Brasil
Captura de tela da reportagem do jornal argentino Clarín Crédito: Reprodução Clarín
Já a agência de notícias Reuters apontou que não há confirmação de que o documento tenha chegado ao governo Milei e citou fontes da Casa Rosada que negaram o recebimento da carta.
A agência destacou também que a PF encontrou um áudio de Bolsonaro pedindo a um advogado ligado à Trump Media para revisar uma postagem em que exaltava o ex-presidente dos EUA, e que os investigadores afirmam que isso demonstra subordinação a "interesses estrangeiros".
O jornal britânico Financial Times detalhou que o rascunho encontrado no celular do ex-presidente tinha 33 páginas e fora salvo em fevereiro de 2024, logo após operações da PF contra aliados do então investigado.
O jornal ressaltou que Bolsonaro se apresentava como vítima de "perseguição política" e afirmava temer pela própria vida, o que para os investigadores indicaria um plano de fuga deliberado.
O FT lembrou ainda que o julgamento de Bolsonaro pode levá-lo a uma pena de mais de 40 anos de prisão.
Outro veículo britânico, o The Guardiantambém repercutiu o caso. O texto enfatiza que o pedido de asilo foi salvo no celular dois dias após Bolsonaro ter o passaporte apreendido, e que no documento ele se dizia vítima de uma prisão "injusta, ilegal e arbitrária".
O jornal frisou que, para alguns especialistas, a quantidade de provas torna uma condenação praticamente inevitável.
Imagem BBC Brasil
Crédito: Getty Images
Na Al Jazeera, rede de mídia de Doha, Catar, a publicação sobre o caso reforçou que a minuta de asilo estava entre os elementos do relatório final da PF, no qual são recomendadas acusações de "coação no processo judicial" e "tentativa de abolição do Estado democrático de direito".
O New York Times informou que o rascunho apreendido pela PF tinha trechos em que Bolsonaro dizia sofrer perseguição e prever prisão arbitrária, e recordou que dias depois da apreensão o ex-presidente passou duas noites na embaixada da Hungria em Brasília, em uma tentativa de obter abrigo junto a Viktor Orbán, outro aliado internacional.
O jornal também reforçou que, segundo a polícia, o plano golpista incluía não apenas a reversão do resultado das eleições, como também o assassinato do presidente eleito Lula e do ministro do STF Alexandre de Moraes — algo que Bolsonaro nega conhecer.

Prazo para resposta

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes deu 48 horas para que a defesa explique "o comprovado risco de fuga" e as violações às medidas cautelares.
Em nota, Eduardo Bolsonaro afirmou que sua atuação nos EUA "jamais teve como objetivo interferir em qualquer processo em curso no Brasil" e defendeu apenas o "restabelecimento das liberdades individuais".
O deputado também criticou que a PF não teria identificado os autores dos crimes.
"Se a tese da PF é de que haveria intenção de influenciar políticas de governo, o poder de decisão não estava em minhas mãos, mas sim em autoridades americanas, como o presidente Donald Trump, o Secretário Marco Rubio ou o Secretário do Tesouro Scott Bessent. Por que, então, a PF não os incluiu como autores?", indagou o parlamentar, criticando também o vazamento de conversas privadas.
A BBC News Brasil enviou questionamentos à defesa de Jair Bolsonaro e ao pastor Silas Malafaia, que também é citado no relatório da PF, mas até momento, nenhuma resposta foi enviada.
Malafaia não foi indiciado, mas foi alvo de uma ordem de busca e apreensão e retenção de passaporte ordenada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Entenda aqui.

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