Publicado em 18 de março de 2026 às 06:36
O ataque aéreo de Israel que matou o chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, na terça-feira (17/3), tirou de cena um dos políticos mais experientes e influentes da República Islâmica do Irã em um momento crítico.>
Larijani não era um comandante militar, mas ocupava posição central nas decisões estratégicas do Irã.>
Como secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, ele sentava no coração da tomada de decisões relacionadas a guerra, diplomacia e segurança nacional.>
Sua voz tinha peso no sistema iraniano, particularmente ao lidar com o confronto contra os Estados Unidos e Israel.>
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Depois da morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em 28/2, Larijani adotou um tom desafiador, sinalizando que o Irã estava se preparado para um longo conflito.>
Sua morte, agora confirmada pela mídia estatal do Irã, ocorre em meio a uma ampla campanha na qual diversas autoridades sêniores do Irã foram mortas em questão de semanas. Esse padrão sugere, aliás, um esforço específico para enfraquecer a estrutura de liderança do Irã durante a guerra.>
Apesar de declarações e posições linha-dura contra o Ocidente, Larijani costumava ser descrito dentro do Irã como um pragmático. Ele combinava lealdade ideológica com uma abordagem tecnocrática, preferindo estratégias calculadas à retórica.>
Larijani era profundamente cético em relação à reaproximação com potências ocidentais, como os EUA, mas ele esteva envolvido em esforços diplomáticos, e foi um dos principais envolvidos no fechamento do acordo de cooperação de longo prazo firmado entre o Irã e a China.>
Até ser morto, Larijani estava à frente do gerenciamento de três crises enormes.>
A primeira crise era a própria guerra com Israel e os EUA. Larijani argumentava que o Irã precisava estar preparado para um sofrimento prolongado e para expandir o conflito na região e além, incluindo o fechamento do Estreito de Ormuz, hidrovia por onde são transportados cerca de 20% do petróleo e gás do mundo.>
A segunda crise era a onda de manifestações dentro do Irã, que começou ligada a insatisfações econômicas, mas rapidamente se transformou em uma série de protestos que buscavam derrubar o comando da República Islâmica do Irã. A resposta violenta do governo iraniano a esses protestos deixou milhares de manifestantes mortos ao redor do país.>
A terceira crise é sobre o programa nuclear do Irã e as negociações emperradas com o governo dos EUA, ambos agora abalados pelos ataques americanos e israelenses.>
Sua remoção deixa essas questões sem solução e as transfere para um sucessor ainda desconhecido, que enfrentará uma situação extremamente frágil. Embora o Irã tenha demonstrado resiliência, em parte ao provocar turbulências nos mercados globais de energia, seu espaço aéreo permanece aberto a novos ataques. Qualquer nova figura de alto escalão enfrentará o risco imediato de ser assassinado por Israel ou pelos EUA.>
Isso pode deslocar ainda mais o poder em direção aos militares. Declarações recentes do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, sugerem que as unidades das Forças Armadas receberam ampla autoridade para agir caso a liderança superior fique incapacitada. Na prática, isso pode significar decisões tomadas com mais rapidez, mas com menor coordenação central.>
Também há sinais de que a liderança enfrenta dificuldades para administrar a sucessão. O Irã tem adiado anúncios públicos e mantido algumas figuras, incluindo o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, em grande parte fora de vista. Não está claro se isso ocorre por razões de segurança ou por incerteza interna.>
No curto prazo, o desfecho mais provável é uma situação mais volátil: uma postura militar mais dura na guerra e repressão mais severa no país.>
O chefe do Exército iraniano, general Amir Hatami, também ameaçou lançar uma retaliação "decisiva" pela morte de Larijani.>
"No momento e local apropriados, será dada uma resposta decisiva, dissuasiva e que causará arrependimento à criminosa América e ao regime sionista sanguinário", afirmou Hatami em comunicado.>
Ele acrescentou que a morte do chefe de segurança e de outros "mártires serão vingadas".>
Com o tempo, porém, um sistema que continua a perder figuras de alto escalão pode ter cada vez mais dificuldade para funcionar de forma eficaz, especialmente em um país com mais de 90 milhões de habitantes.>
O impacto da morte de Larijani, portanto, não se limita à perda de um único dirigente. Ela aprofunda uma crise de liderança que pode afetar tanto o rumo da guerra quanto a própria estabilidade do Estado iraniano.>
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