Publicado em 23 de novembro de 2024 às 22:44
Negociadores da cúpula climática das Nações Unidas deste ano - a COP29 em Baku, no Azerbaijão - chegaram a um acordo na madrugada deste domingo (noite de sábado, no horário do Brasil) para ajudar países em desenvolvimento a lidar com os efeitos das mudanças climáticas.>
O repasse será de pelo menos US$ 300 bilhões (o equivalente a R$ 1,74 trilhão) por ano até 2035. A oferta anterior era de US$ 250 bilhões, mas ela foi rejeitada.>
O acordo foi fechado após um dia cheio de incertezas e duas semanas de longas negociações. >
O texto diz que os países desenvolvidos devem "assumir a liderança" do processo.>
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Isso aparentemente deixa a porta aberta para contribuições de outras nações como a China, embora não sejam obrigadas a fazê-lo.>
Outra definição é que os US$ 300 bilhões incluem fontes públicas e privadas - então nem tudo teria que ser pago diretamente pelos governos.>
O texto ainda inclui uma ambição mais ampla de tentar chegar a US$ 1,3 trilhão até 2035 - esse é o valor que, segundo um relatório recente apoiado pela ONU, as nações em desenvolvimento precisam para lidar com as mudanças no clima.>
No entanto, a possibilidade de que se chegue a US$ 1,3 trilhão é tratada com uma linguagem mais fraca, e entende-se que envolveria mais financiamento privado do que a meta principal de US$ 300 bilhões, além de possivelmente incluir empréstimos.>
Empréstimos não são bem vistos pelos países em desenvolvimento porque eles temem um aumento de suas dívidas.>
Horas antes do anúncio do acordo pelo presidente da COP, Mukhtar Babayev, as negociações quase fracassaram. >
A Aliança dos Pequenos Estados Insulares (AOSIS), que representa pequenas nações insulares de baixa altitude, chegou a deixar as negociações dizendo não se sentir ouvida no processo. Posteriormente, o grupo regressou às conversas.>
O anúncio do acordo foi recebido com aplausos e comemorações na plenária. >
Georgina Rannard, repórter de Clima da BBC, disse que o acordo representa uma "vitória para as nações em desenvolvimento que vieram aqui para pedir um novo compromisso significativo das nações desenvolvidas para ajudar a pagar pelo enfrentamento das mudanças climáticas".>
"Muitas nações dirão que não é o suficiente, mas o fato de as nações terem permanecido aqui para aprovar o acordo sinaliza que é um começo", ela afirma.>
Mas nem todos comemoraram.>
A representante da Índia nas negociações disse se opor "totalmente" ao acordo.>
Ela disse que o processo de tomada de decisão foi injusto e excluiu nações, e que a meta de US$ 300 bilhões é "uma soma insignificante".>
"Não é propício para a ação climática que é necessária para a sobrevivência do nosso país", afirmou.>
O acordo também reiterou o acordo fechado no ano passado sobre a transição de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás) rumo a energias mais limpas.>
Muitos países temiam que esse ponto não constasse no texto final.>
O texto, porém, afirma que "os combustíveis de transição podem desempenhar um papel na facilitação da transição energética, ao mesmo tempo em que garantem a segurança energética".>
O gás – um combustível fóssil – tem sido frequentemente considerado um combustível de transição.>
O texto então pode ser interpretado por alguns países como uma desculpa para continuar extraindo e queimando gás.>
Outro acordo anunciado em Baku trata do chamado mercado de carbono.>
Esse é um sistema bastante complicado pelo qual "créditos de carbono" — papéis que representam uma tonelada de emissões de dióxido de carbono — podem ser comprados e vendidos.>
A ideia é que os países possam usar créditos de carbono para ajudar a atingir suas metas de emissões, comprando-os de outros.>
O país comprador pode financiar um projeto de reflorestamento no exterior, por exemplo.>
Os defensores dos mercados de carbono dizem que eles são cruciais para garantir que as metas climáticas sejam cumpridas da maneira mais econômica possível.>
Os países mais ricos gostam disso porque pode ser muito mais barato e fácil comprar créditos de carbono do que fazer mudanças estruturais em casa. >
Também pode ser transformador para economias emergentes, que podem se beneficiar em até US$ 250 bilhões por ano, segundo os apoiadores do sistema.>
Mas há preocupações de que, se os mercados de carbono não forem regulamentados adequadamente, eles podem não levar a cortes de emissões reais e permanentes.>
Então, os negociadores têm tentado colocar salvaguardas extras em prática — um processo que levou nove anos desde que o texto sobre mercados de carbono surgiu no acordo climático de Paris de 2015.>
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