Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 14:11
Além da neve e da temperatura, a Groenlândia não tem muito em comum com os Alpes suíços. >
Mas a luta pelo futuro da ilha paira sobre o encontro de líderes mundiais e empresários no Fórum Econômico Mundial, que acontece na Suíça nesta semana.>
De fato, o momento da extraordinária ameaça de Donald Trump parece ter sido escolhido levando em consideração este encontro.>
Trump adora Davos — o que é mais do que estranho, considerando as posições de sua base eleitoral.>
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No ano passado, ele participou do Fórum Mundial por videoconferência da Casa Branca, comparecendo perante uma plateia de executivos europeus em grande parte perplexos, apenas dois dias após sua posse.>
Houve um certo constrangimento quando ele mencionou suas ambições territoriais para o Canadá e a Groenlândia e fez uma "oferta irrecusável" para aqueles que importam para seu país: construam fábricas nos EUA ou paguem tarifas que arrecadarão trilhões.>
No entanto, ele fez isso com um sorriso. Pediu desculpas por não comparecer pessoalmente e prometeu que estaria lá este ano. >
E na quarta-feira (21/01) ele estará aqui, promovendo a mensagem dos EUA em um momento de perplexidade em grande parte do resto do mundo, especialmente na Europa.>
Trump deve discursar no que será o maior Davos de todos os tempos, impulsionado por sua presença e suas políticas, que poderiam ser visitadas por um painel fictício do Fórum Mundial chamado de "A Grande Ruptura Global".>
Neste momento, Trump é o disruptor-chefe. Ele será pressionado por outros líderes mundiais e chefes de empresas sobre sua tentativa de coagir economicamente a Europa a vender a Groenlândia.>
O fórum será o centro do mundo nesta semana — e totalmente bizarro.>
"Um espírito de diálogo" é o tema oficial, e embora certamente haja oportunidades em um evento como este para conversas que não são possíveis em outros lugares, a abordagem do governo dos EUA parece se opor ao apelo à cooperação global. >
O fórum de Davos não é muito bem visto entre os adeptos do "Make America Great Again" (ou MAGA, como o lema de Trump ficou conhecido).>
A conferência nos Alpes Suíços é frequentemente alvo de ataques como o do governador da Flórida, Ron DeSantis, que certa vez afirmou que seu Estado era o lugar onde a "agenda de Davos já nasceu morta" e prometeu resistir aos seus "bancos progressistas" e à "carne cultivada em laboratório".>
Este ano, houve indícios de que a Casa Branca insistiu para que o fórum minimizasse suas típicas agendas ambientalistas, de desenvolvimento global e "progressistas", em favor de questões comerciais pragmáticas.>
Enquanto isso, as maiores empresas americanas foram pressionadas a criar uma "Casa dos EUA" em uma igreja para que os delegados comemorassem a Copa do Mundo e o 250º aniversário da independência dos EUA.>
Considerando as discussões globais sobre fronteiras e soberania, da Groenlândia a Caracas e Donbas, e a presença de líderes mundiais, não é impossível imaginar uma espécie de cúpula paralela de Yalta — o encontro de 1945 que reuniu os líderes dos EUA, Reino Unido e Rússia para planejar a derrota da Alemanha.>
A maioria dos líderes do G7 estará presente, assim como o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, juntamente com outros 65 chefes de Estado e de governo, 850 dos principais executivos mundiais e dezenas de outros pioneiros da tecnologia.>
O próprio Trump chegará aos Alpes suíços com cinco membros do seu gabinete, uma enorme comitiva de funcionários do governo e a elite empresarial dos EUA, de Jensen Huang, da Nvidia, a Satya Nadella, da Microsoft.>
Mas este não é um território familiar e amigável para o presidente dos EUA. Sua determinação em comprar ou mesmo invadir a Groenlândia não será bem recebida pelo público europeu.>
Em vez disso, será o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, quem representará a visão da América do Norte que a Europa adoraria ver concretizada.>
Carney superou a maior parte de um ano de caos comercial com os EUA com uma economia em crescimento, tendo substituído os EUA por outros parceiros comerciais. >
Também anunciou recentemente o início do que chamou de uma nova ordem mundial que protege o multilateralismo, ao lado de Xi Jinping na China.>
Os próprios chineses estarão presentes no nível de ministros das finanças, apresentando seu país — a segunda maior economia do mundo e agora o maior exportador de automóveis — como os adultos do mundo.>
É um lugar onde, todos os anos, eles parecem bater no relógio e esperar por sua lenta ascensão econômica, tecnológica e geopolítica.>
Afinal, não vamos esquecer as lições de Davos do ano passado, onde o triunfalismo americano exibido no início da semana foi completamente superado no final com notícias sobre um estranho chatbot de IA chinês chamado DeepSeek.>
Foi em Davos, há uma década, que ouvi falar pela primeira vez sobre um computador quântico.>
Então, no ano passado, em uma sessão sobre baterias de carro, saí convencido de que as montadoras americanas e europeias não tinham chance de alcançar a tecnologia chinesa nesta década.>
Muitas pessoas criticam Davos. Mas valerá a pena assistir: o futuro pode ser encontrado em alguns de seus cantos mais brilhantes e com marcas renomadas.>
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