Publicado em 28 de abril de 2025 às 19:39
Quando um cessar-fogo é uma tentativa genuína de garantir a paz? E quando é simplesmente uma questão de relações públicas?>
É uma pergunta que tem sido feita com frequência ultimamente.>
Principalmente em relação ao presidente da Rússia.>
Cessar-fogos curtos estão se tornando uma constante no Kremlin.>
>
Primeiro, Vladimir Putin declarou uma cessação de hostilidades de 30 horas durante a Páscoa, retratando-a como um gesto "humanitário".>
Agora, o líder do Kremlin anunciou uma trégua unilateral de três dias para o início de maio. Ela ocorrerá de 8 a 10 de maio, coincidindo com os eventos que marcam o 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial.>
Em um comunicado, o Kremlin afirmou que todas as ações militares cessariam por 72 horas. Citou considerações "humanitárias" (novamente) e deixou claro que Moscou esperava que a Ucrânia seguisse o exemplo.>
Em resposta à proposta, a Ucrânia questionou por que a Rússia não poderia se comprometer com uma paralisação imediatamente e pediu que um cessar-fogo fosse implementado por pelo menos 30 dias.>
"Se a Rússia realmente quer a paz, deve paralisar os ataques imediatamente", disse o Ministro das Relações Exteriores, Andrii Sybiha, acrescentando: "Por que esperar até 8 de maio?">
>
Então, vindo do presidente russo que lançou uma invasão em larga escala da Ucrânia há mais de três anos, este é um esforço sincero para encerrar os conflitos?>
Ou simplesmente um exercício de relações públicas do Kremlin para impressionar Donald Trump?>
Os críticos do Kremlin suspeitarão que se trate da segunda opção.>
Durante o brevíssimo chamado cessar-fogo de Páscoa, a Ucrânia acusou as tropas russas de violá-lo repetidamente.>
Moscou usou seu anúncio de uma pausa de 30 horas nos conflitos para enviar um sinal à Casa Branca: que nesta guerra a Rússia é a pacificadora e Kiev, a agressora. Acusou a Ucrânia de ignorar o que Moscou apresentou como bandeira branca e de prolongar a guerra.>
Comentários recentes de Trump sugerem que ele não acreditou nisso.>
Em uma publicação em sua plataforma Truth Social no fim de semana, Trump escreveu que "não havia razão" para Putin "disparar mísseis contra áreas civis, cidades e vilas [na Ucrânia] nos últimos dias".>
"Isso me faz pensar", acrescentou, "que talvez ele não queira parar a guerra, esteja apenas me incentivando e precise ser tratado de forma diferente, por meio de 'Sanções Bancárias' ou 'Sanções Secundárias'? Muitas pessoas estão morrendo!!!">
Agora, o anúncio de outro cessar-fogo russo, um pouco mais longo: três dias. E, novamente, aquela alegação de preocupações "humanitárias".>
Seria outra tentativa de sinalizar a Washington que o Kremlin tem apenas as melhores intenções? Que a Rússia é realmente a mocinha nessa história?>
Se for assim, parece que não funcionou. Não imediatamente. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, destacou a oferta de Moscou de um cessar-fogo temporário, mas disse: "O presidente [Donald Trump] deixou claro que quer primeiro ver um cessar-fogo permanente para impedir a matança e o derramamento de sangue.>
"Ele está cada vez mais frustrado com os líderes de ambos os países", disse Leavitt.>
É um indício de que o presidente dos EUA pode estar perdendo a paciência com o Kremlin, apesar de ter direcionado a maior parte de suas críticas públicas nos últimos meses ao presidente Zelensky.>
No mês passado, o governo Trump pressionou a Rússia e a Ucrânia a concordarem com um cessar-fogo abrangente e incondicional de 30 dias. A Ucrânia havia assinado. A Rússia, não.>
Altos funcionários russos já estão usando a oferta de cessar-fogo de três dias do presidente Putin para tentar prejudicar a Ucrânia.>
"É duvidoso que [o presidente] Zelensky apoie a decisão do nosso presidente e aceite o cessar-fogo", disse o presidente da câmara baixa do parlamento russo, Vyacheslav Volodin, à TV estatal russa.>
Um sinal nada animador, tão logo após o anúncio de outro breve cessar-fogo.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta