Publicado em 11 de março de 2026 às 18:38
A polícia britânica afirma ter encontrado a bolsa da psicóloga cearense Vitória Figueiredo Barreto, que está desaparecida desde o dia 3 de março na Inglaterra.>
A bolsa foi encontrada próxima a um local onde um barco foi desatracado na madrugada de quarta-feira, 4 de março, em Brightlingsea, cidade costeira de Essex, no Reino Unido.>
Com isso, a polícia agora investiga a possibilidade de Vitória ter tomado este barco, embora não tenham sido encontradas ainda imagens de câmera de segurança que confirmem de forma definitiva essa hipótese.>
Ainda de acordo com a polícia, o barco foi posteriormente localizado à deriva na água perto de Bradwell-on-Sea, outra vila de Essex, e devolvido a Brightlingsea. A embarcação agora está sendo alvo de buscas policiais.>
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"A descoberta da bolsa de Vitória perto da Copperas Road [rua na área portuária] na segunda-feira, próximo ao local onde o barco foi desatracado, intensificou claramente nosso foco nessa linha de investigação", informou a Polícia de Essex à BBC News Brasil por e-mail.>
"Agora sabemos que a última vez que Vitória foi vista nas câmeras de segurança foi às 0h16 de quarta-feira, 4 de março. Hoje, com a permissão do proprietário do estabelecimento, estamos divulgando uma imagem dessa gravação.">
Liliane Silva, amiga e uma das últimas pessoas a ver Vitória antes do desaparecimento, vê com esperança as novas informações da polícia.>
"Há uma possibilidade de ela estar viva em algum lugar e não ter sido encontrada ainda", disse Liliane à BBC News Brasil. "Com certeza é bem animador.">
Ainda segundo a polícia, entre 0h16 e 0h36, horário em que se sabe que o barco foi desatracado, Vitória não aparece nas imagens das câmeras de segurança e, neste momento, não há imagens claras da pessoa que desatracou o barco.>
Após as recentes descobertas, a polícia expandiu sua área de buscas, de Brightlingsea, para o rio Blackwater, a península de Dengie, a costa do rio Crouch e a Ilha de Mersea, no Reino Unido.>
"Infelizmente, ainda não localizamos a mulher de 30 anos e nossas buscas continuarão amanhã, quinta-feira, 12 de março", acrescentou a polícia.>
A superintendente detetive Anna Granger, responsável pelas buscas, pede a qualquer pessoa que tenha imagens de câmeras de segurança da área da marina em Brightlingsea que as verifique e informe à polícia.>
Também pede que os proprietários de barcos ancorados em Brightlingsea verifiquem suas embarcações. >
"Há algo lá que não deveria estar? Há algo que os leve a acreditar que alguém esteve em seu barco? Por favor, entrem em contato", diz Granger.>
A orientação é que qualquer pessoa no Reino Unido com informações sobre a brasileira ligue para o número 999.>
"Nossa determinação em encontrar Vitória permanece incrivelmente forte. Sabemos da enorme preocupação que seus entes queridos sentem por ela, e é isso que motiva cada um dos policiais envolvidos", diz a detetive.>
Professora no doutorado em Psicologia Clínica na Universidade de Essex, Liliane Silva conta que conheceu Vitória ainda em Fortaleza, quando trabalharam juntas no Projeto 4 Varas, de terapia comunitária integrativa, na comunidade de Pirambu.>
As duas estavam atualmente desenvolvendo um projeto conjunto, motivo da ida de Vitória ao Reino Unido, após participar de uma conferência no Marrocos, diz Liliane.>
Vitória chegou ao Reino Unido em 2 de fevereiro e passou três semanas hospedada na casa de um amigo em Londres, enquanto Liliane estava em viagem ao Brasil.>
Com o retorno da amiga, Vitória foi para a casa dela em Southend-on-Sea, em 1º de março, e deveria ficar hospedada ali durante todo o mês.>
Liliane conta que, no dia 1º, as duas se divertiram em Londres e voltaram para Southend-on-Sea. No dia 2, ambas passaram o dia todo juntas na universidade, que fica em Colchester, a cerca de 50 minutos de carro ao norte de Southend-on-Sea.>
"Enquanto eu trabalhava, ela estava na biblioteca trabalhando no nosso projeto", conta Liliane.>
Na terça-feira, 3 de março, dia do desaparecimento de Vitória, a ideia era repetir essa programação.>
As amigas se encontraram na universidade na hora do almoço e se separaram quando Liliane foi dar aulas, com planos de se reencontrar após às 16h45, pelo horário local. >
Mas Vitória não compareceu ao encontro. No dia seguinte, ainda sem notícias da amiga, Liliane registrou o caso de pessoa desaparecida junto à polícia de Essex.>
Liliane conta que, na noite anterior ao desaparecimento, a amiga havia dormido mal.>
"Ela não dormiu bem nessa noite. Eu vi os movimentos dela, levantando muito, indo no banheiro, voltando pro quarto. Falei com ela por volta das 4h, e ela disse que estava inquieta e que ia tentar dormir mais um pouco, mas não conseguiu", lembra.>
A psicóloga conta que a amiga nunca foi muito esotérica, mas no domingo elas haviam conversado sobre mudanças de ciclo, e Vitória disse que a terça-feira seria um dia-chave, porque haveria um eclipse, então seria um momento de renovação.>
"Na terça-feira, ela estava muito quieta, perguntei se algo estava acontecendo e se ela queria conversar, mas ela disse para conversarmos depois, mas isso não era o comum dela", diz Liliane.>
"E para a mãe, falando ao telefone um pouco antes de eu chegar para o almoço, ela falou que os quatro Cavalos do Apocalipse estavam chegando, que era o fim, e ela precisava correr e atravessar o portal.">
A amiga observa que o fato de Vitória não ser esotérica e ter dito isso sugere que a amiga talvez não estivesse em seu estado normal antes de desaparecer.>
A brasileira foi vista pela última vez em Brightlingsea, que fica a cerca de 50 minutos de ônibus a sudeste de Colchester, na direção oposta de Londres e da casa da amiga em Southend-on-Sea.>
Imagens de câmeras de segurança capturaram o momento em que Vitória pegou o ônibus de Colchester para Brightlingsea. Ela também conversou com ao menos um homem em Brightlingsea, que está em contato com a família da brasileira.>
Após o desaparecimento de Vitória, voluntários espalharam caixas na cidade de Brightlingsea, contendo itens como cobertores, água, carregadores de celular e casacos, na esperança de que ela usasse os objetos.>
"É uma coisa linda para alimentar nossa esperança no mundo, sabe? Coisa que eu nunca vi", diz Liliane, sobre o esforço comunitário para tentar encontrar Vitória.>
"A comunidade está toda junto da gente desde o primeiro momento que souberam. Nos receberam muito bem em todos os lugares, oferecendo as casas para que pudéssemos ficar, oferecendo alimentos", relata.>
"E percebendo que ela pudesse não estar em consciência normal, escreveram cartas, espalharam por toda a cidade, com acolhimento, dizendo que essa é uma cidade muito amigável, que todas as pessoas lá são uma comunidade.">
Liliane conta que, nesse momento, há mais de 2 mil voluntários caminhando pelas ruas da cidade, que já visitaram mais de 3 mil casas e continuam as buscas, divulgando que Vitória precisa de ajuda e necessita ser encontrada o quanto antes.>
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