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O que imprensa internacional disse sobre vitória histórica de 'O Agente Secreto' no Globo de Ouro: 'Brasil chegando com tudo'

O que imprensa internacional disse sobre vitória histórica de 'O Agente Secreto' no Globo de Ouro: 'Brasil chegando com tudo'

A repercussão se espalhou por jornais americanos, que trataram a vitória como parte de um movimento mais amplo de valorização do cinema brasileiro

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 14:12

Imagem BBC Brasil
A repercussão se espalhou por jornais americanos, que trataram a vitória como parte de um movimento mais amplo de valorização do cinema brasileiro Crédito: Getty Images

A consagração de Wagner Moura no Globo de Ouro de 2026, com a vitória na categoria de melhor ator em filme de drama por O Agente Secreto e o prêmio de melhor filme em língua não inglesa para a produção brasileira foi tratada pela imprensa internacional como um marco histórico para o cinema do país.

O resultado inédito reforçou, segundo veículos estrangeiros, a percepção de que o Brasil atravessa um momento de afirmação contínua no circuito global de prêmios e ocupa um espaço cada vez mais central na temporada internacional de premiações.

O feito ganhou destaque não apenas pelo caráter histórico — a primeira vez que um ator brasileiro vence a principal categoria masculina de cinema no Globo de Ouro e a primeira ocasião em que o país conquista dois prêmios na mesma edição da cerimônia —, mas também pelo contexto artístico e político do longa.

Ambientado na ditadura militar dos anos 1970, O Agente Secreto foi frequentemente descrito pelos veículos estrangeiros como um filme que articula memória, trauma geracional e resistência, temas que dialogam tanto com a história brasileira quanto com debates contemporâneos em outras partes do mundo.

O discurso de Wagner Moura no palco, ao associar a transmissão de traumas entre gerações à possibilidade de também se transmitir valores, foi amplamente citado e interpretado como um dos momentos simbólicos da noite.

A repercussão se espalhou por jornais americanos, que trataram a vitória como parte de um movimento mais amplo de valorização do cinema brasileiro.

O Washington Post publicou uma análise da cerimônia em que apontou o Brasil como um dos grandes protagonistas do Globo de Ouro.

Com um texto introduzido com "Brasil chegando com tudo", o jornal descreveu a vitória de Wagner Moura como um dos momentos centrais da noite, inserindo o resultado em um conjunto de sinais de reconhecimento à produção brasileira.

A publicação lembrou que Moura se tornou apenas o segundo brasileiro a vencer um Globo de Ouro de atuação, um ano depois da conquista de Fernanda Torres, e destacou que O Agente Secreto também levou o prêmio de melhor filme em língua não inglesa, ampliando o peso simbólico da vitória.

O texto contextualizou o personagem interpretado por Moura como um ex-professor universitário forçado a viver escondido enquanto tenta proteger o filho durante a ditadura e ressaltou trechos do discurso do ator, em especial a reflexão sobre memória, esquecimento e trauma geracional.

O New York Times também deu destaque à vitória e a tratou como um marco na trajetória internacional de Wagner Moura.

Em sua cobertura, o jornal destacou que ele se tornou o primeiro brasileiro a vencer na categoria e descreveu o filme como um drama político ambientado na ditadura militar brasileira, centrado em um homem comum perseguido pelo Estado.

Imagem BBC Brasil
O New York Times destacou o discurso de vitória de Wagner Moura Crédito: Reprodução/The New York Times

Ao comentar o impacto da premiação, a crítica de cinema do New York Time, Alissa Wilkinson, fez uma observação elogiosa sobre a projeção do ator nos Estados Unidos: "O vencedor de melhor ator, Wagner Moura, é um daqueles artistas que muita gente nos Estados Unidos provavelmente não conhecia antes desta temporada, mas certamente passará a conhecer daqui para a frente", escreveu.

A cobertura do jornal também recuperou a trajetória do ator, lembrando sua projeção internacional com a série Narcos e o contexto político que marcou sua carreira recente no Brasil.

O jornal destacou que, após dirigir um filme ambientado no período da ditadura (Marighella, de 2019), Moura enfrentou reações hostis durante o governo de Jair Bolsonaro, tornando-se alvo de críticas por suas posições políticas.

Em entrevista citada pela publicação, o ator afirmou nunca ter evitado se posicionar publicamente, mesmo quando isso teve consequências pessoais, e disse se identificar com o personagem de O Agente Secreto justamente por retratar um cidadão comum tratado como inimigo pelo Estado.

O veículo ainda destacou os próximos passos da carreira do ator, incluindo a direção de seu primeiro filme em língua inglesa, reforçando a ideia de que o Globo de Ouro marca uma nova etapa de projeção internacional.

Já o Los Angeles Times tratou a vitória como o ápice de um ano excepcional para Wagner Moura e como a confirmação de um ciclo raro de reconhecimento internacional.

O jornal lembrou que o papel em O Agente Secreto já havia rendido ao ator o prêmio de melhor interpretação no Festival de Cannes, tornando-o o primeiro brasileiro a conquistar essa distinção, e destacou que o filme marca um retorno simbólico de Moura a uma produção brasileira após mais de uma década trabalhando majoritariamente no exterior.

Imagem BBC Brasil
A vitória de Moura foi destaque no Los Angeles Times, que tratou o trunfo como o ápice de um ano excepcional para o ator brasileiro Crédito: Reprodução/Los Angeles Times

A publicação também contextualizou a vitória no Globo de Ouro dentro da temporada de prêmios, observando que o longa é a submissão oficial do Brasil ao Oscar e que o ator segue no radar das principais premiações de Hollywood, apesar de não ter sido indicado ao Screen Actors Guild.

O Los Angeles Times ainda revisitou a trajetória internacional de Moura, mencionando trabalhos em produções de grande alcance nos Estados Unidos, como Narcos e Sergio, e destacou declarações recentes do ator em que ele afirma não querer ser definido apenas por personagens políticos, apesar de reconhecer que esse tipo de projeto atravessa parte importante de sua carreira.

Para o jornal, o Globo de Ouro consolida um momento em que Moura se afirma como um intérprete de alcance global sem romper o vínculo com o cinema brasileiro.

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