Publicado em 4 de abril de 2025 às 20:39
Um turista americano foi detido pelas autoridades da Índia após viajar para uma área restrita para tentar fazer contato com um povo indígena isolado.>
Mykhailo Viktorovych Polyakov, de 24 anos, é acusado de navegar até a Ilha Sentinela do Norte, no Oceano Índico, para fazer contato com o grupo, filmar sua visita e até deixar uma lata de refrigerante na praia.>
Em resposta ao caso, a Survival International, organização que defende os direitos dos povos indígenas, declarou que o ato colocou em risco a vida tanto do turista quanto dos sentineleses, descrevendo o caso como "profundamente perturbador".>
A organização também alertou que os influenciadores de redes sociais agora representam uma "nova e crescente ameaça" aos povos isolados.>
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As autoridades dos EUA informaram que estão cientes do caso e "monitorarão de perto a situação".>
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O chefe de polícia das Ilhas Andaman e Nicobar, H.G.S. Dhaliwal, disse à AFP que o turista americano compareceu a um tribunal local e ficou preso preventivamente por três dias para "mais interrogatórios".>
Polyakov supostamente tocou um apito por uma hora na costa da ilha, na tentativa de atrair a atenção dos indígenas.>
Ele então desembarcou por cerca de cinco minutos, deixou algumas coisas, coletou amostras e gravou um vídeo.>
"Uma análise das imagens da câmera GoPro mostrou-o entrando e desembarcando na restrita Ilha Sentinela do Norte", disse Dhaliwal.>
É ilegal que estrangeiros ou outros indígenas se aproximem a menos de 5 km das ilhas, uma regulamentação imposta para proteger o grupo.>
Segundo a polícia, Polyakov já havia visitado a região em duas ocasiões anteriores, incluindo uma em um caiaque inflável, antes de ser detido por funcionários de um hotel próximo.>
Após sua prisão no início desta semana, o homem disse à polícia que era um "caçador de emoções", informou a imprensa indiana.>
A Survival International diz que os sentineleses deixaram claro por muitos anos seu desejo de evitar visitantes e enfatizou que tal contato representa uma ameaça a uma comunidade que não tem imunidade a doenças externas.>
Jonathan Mazower, porta-voz da Survival International, disse à BBC temer que as redes sociais aumentem a lista de ameaças às comunidades isoladas.>
Reportagens vincularam Polyakov a uma conta do YouTube que apresenta vídeos dele em uma viagem recente ao Afeganistão.>
"Há um número crescente de influenciadores hoje em dia que estão tentando fazer esse tipo de coisa para ganhar seguidores", disse Mazower. >
"Há um fascínio crescente nas redes sociais por isso.">
A Survival International descreve os sentineleses como o povo "mais isolado do mundo", vivendo em uma ilha do tamanho de Manhattan, em Nova York.>
Mazower disse à BBC que estima-se que o povo tenha cerca de 200 membros, mas que saber o número total é "impossível".>
Poucos detalhes são conhecidos sobre o grupo, além de que é uma comunidade de caçadores-coletores que vivem em pequenos assentamentos e que são "muito saudáveis".>
Ele acrescentou que o incidente com o turista americano destacou por que é tão importante para o governo indiano proteger comunidades como os sentineleses.>
A Convenção das Nações Unidas sobre Povos Indígenas e Tribais estabelece a obrigação dos governos de proteger os direitos desses grupos. >
As autoridades locais têm uma iniciativa focada no bem-estar do grupo, mas a Índia como um todo tem sido criticada nos últimos anos por não protegê-los de apropriações de terras.>
Esta não é a primeira vez que um estranho tenta entrar em contato com os sentineleses.>
Em novembro de 2018, John Allen Chau, também americano, foi morto pelos indígenas após visitar a mesma ilha.>
Autoridades locais disseram que o jovem de 27 anos era um missionário cristão.>
Os indígenas atiraram nele com arcos e flechas. Relatos da época sugeriram que ele havia subornado pescadores para levá-lo à ilha.>
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