Publicado em 31 de março de 2025 às 16:38
O mercado de ações dos EUA caiu após quedas registradas nos mercados da Ásia e da Europa depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, indicou que novas tarifas poderiam atingir a todos os países.>
Os comentários de Trump vieram enquanto ele se preparava para revelar uma enorme lista de impostos de importação nesta quarta-feira (2/4) para todos os países, não só aqueles com desequilíbrio comercial com os EUA.>
Trump está chamando esse dia de "Dia da Libertação da América".>
Os novos impostos serão anunciados na esteira das taxas de importação sobre alumínio, aço e carros, juntamente com impostos aumentados sobre todos os produtos da China.>
>
A postura mais dura de Trump aumentou o nervosismo sobre uma guerra comercial atingindo a economia global.>
Trump mostrou sinais conflitantes sobre o escopo das tarifas esperadas.>
Na semana passada, ele levantou a possibilidade de que muitos países pudessem receber "descontos". Mas no fim de semana, ele pareceu estar se inclinando para um plano mais abrangente.>
"Começaria com todos os países", disse Trump aos repórteres no Air Force One no domingo (30/3). "Essencialmente todos os países sobre os quais estamos falando.">
O Reino Unido disse que espera ser afetado pelas tarifas dos EUA e não descarta retaliações.>
O porta-voz oficial do primeiro-ministro disse que as negociações sobre um acordo econômico entre os dois países foram "construtivas", mas provavelmente durarão além de quarta-feira.>
>
União Europeia e Canadá já disseram que estão preparando uma série de medidas comerciais retaliatórias.>
Preocupações sobre o impacto das medidas perturbaram os mercados e reacenderam os temores de uma recessão nos EUA.>
No mercado americano, o índice de ações S&P 500 das maiores empresas caiu cerca de 10% desde meados de fevereiro.>
Esse índice caiu 0,3% no pregão do meio-dia na segunda-feira, pressionado em parte pelos declínios nas empresas de tecnologia.>
Mais cedo na segunda-feira, o índice de ações de referência Nikkei 225 do Japão fechou mais de 4% abaixo do pregão anterior, enquanto o Kospi na Coreia do Sul fechou em queda de 3%.>
No Reino Unido, o índice FTSE 100 caiu quase 0,9%, enquanto o índice Dax da Alemanha fechou em queda de quase 1,3% e o Cac 40 da França caiu cerca de 1,6%.>
O ouro, que geralmente é visto como um investimento mais seguro quando o cenário econômico é instável, subiu para outro recorde, atingindo US$ 3.128,06 a onça.>
Karoline Leavitt, secretária de Imprensa da Casa Branca, em uma entrevista coletiva a jornalistas nesta segunda-feira, minimizou as preocupações sobre as quedas no mercado de ações, dizendo que Wall Street ficará "muito bem".>
Leavitt foi questionada se há algo que os países podem fazer para evitar as tarifas iminentes.>
"Infelizmente, esses países vêm roubando nosso país há muito tempo", disse ela. "Eu acho que eles deixaram bem claro seu desdém pelos trabalhadores americanos.">
Ela deu vários exemplos, incluindo uma tarifa de 50% da UE sobre laticínios americanos, uma tarifa japonesa de 700% sobre arroz americano e uma tarifa de 100% na Índia sobre produtos agrícolas americanos.>
"Isso torna virtualmente impossível que produtos americanos sejam importados para esses mercados, e tirou muitos americanos do mercado", disse Leavitt.>
Leavitt se recusou a entrar em detalhes sobre o anúncio iminente - que acontecerá na quarta-feira no Rose Garden da Casa Branca - e disse repetidamente que não queria se adiantar ao presidente Trump sobre o assunto.>
Shanti Kelemen, diretora de investimentos da M&G Wealth, disse à BBC que pode haver "bastante incerteza" por um tempo, dado que anúncios de tarifas anteriores viram muitas mudanças subsequentemente.>
O Japão, que é um grande player em exportações, está entre os países com maior risco com as mudanças, disse Keleman.>
"Eles têm muitas montadoras e também uma presença muito grande no mercado de semicondutores, algo que ainda não foi realmente visado, mas que pode mudar", observou ela.>
Trump vê as tarifas - que são impostos sobre importações - como uma moeda de troca para obter melhores termos comerciais, ao mesmo tempo em que arrecada dinheiro e protege a economia americana da concorrência desleal.>
Um folheto informativo da Casa Branca publicado na semana passada também sugeriu que uma tarifa de 10% sobre cada importação poderia criar quase três milhões de empregos nos EUA.>
O consultor comercial de Trump, Peter Navarro, estimou que todas as tarifas planejadas poderiam arrecadar US$ 600 bilhões anualmente, cerca de um quinto do valor total das importações de bens para os EUA.>
Muitas empresas disseram que esperam que o custo do novo imposto seja repassado aos clientes na forma de preços mais altos.>
Mas isso pode levar a vendas menores e inflação de combustível nos EUA, um problema que Trump prometeu na campanha enfrentar.>
Por outro lado, se as empresas decidirem absorver o custo, isso afetará seus lucros.>
Will Butler-Adams é o presidente-executivo da Brompton Bicycle Limited, que fabrica bicicletas dobráveis e depende dos EUA para cerca de 10% de suas vendas.>
Os produtos da Brompton ainda não estão enfrentando impostos adicionais.>
Mas ele afirma que as tarifas tornariam suas bicicletas menos competitivas e o forçariam a repensar sua presença nos EUA.>
"Não continuaremos a investir da mesma forma que estamos agora", disse ele. "Podemos até encolher; em última instância, podemos sair.">
Butler-Adams disse que foi difícil descobrir o impacto das tarifas que já entraram em vigor, que exigem uma contabilidade detalhada de quanto aço em cada item vem de fora dos EUA.>
"A realidade é que não [sabemos] na verdade, e as pessoas que estão nas fronteiras importando produtos para os EUA não entendem totalmente como algumas dessas tarifas podem ser aplicadas", afirmou.>
Separadamente, Trump disse que um acordo com a proprietária chinesa do TikTok, ByteDance, para vender o aplicativo seria fechado antes do prazo.>
Em janeiro, o presidente americano estabeleceu o prazo de 5 de abril para que a plataforma de vídeos curtos encontrasse um comprador não chinês ou enfrentasse uma proibição nos EUA por motivos de segurança nacional.>
Trump anunciou que um imposto de 25% atingiria a importação de carros e peças de automóveis a partir de 2 de abril e maio, respectivamente, dizendo que quer que o imposto incentive mais fabricação de automóveis nos EUA.>
Mas é improvável que isso aconteça da noite para o dia, já que muitas montadoras dos EUA também têm operações no Canadá e no México, com peças normalmente cruzando fronteiras várias vezes antes que um veículo seja concluído.>
Além disso, cervejas mexicanas populares, como Modelo e Corona, também podem ficar mais caras para os clientes dos EUA se as empresas americanas que as importam repassarem o custo dos novos impostos.>
As bebidas destiladas estão amplamente livres de tarifas desde 1990. Mas, dado que as marcas são frequentemente reconhecidas por sua localização (pense no uísque canadense), os suprimentos podem ser impactados, levando a aumentos de preços para bebidas destiladas.>
Trump sugere que os EUA têm bastante madeira para construção de casas, mas os EUA ainda importam um terço de sua madeira maciça do Canadá a cada ano.>
Isso levou a National Association of Home Builders a pedir ao presidente dos EUA que isentasse materiais de construção de tarifas, devido a preocupações sobre o efeito na acessibilidade à moradia.>
Os vizinhos dos EUA, Canadá e México, são alguns dos principais importadores do país, seguidos pela China.>
Trump ameaçou tarifas sobre uma série de produtos de todos os três países várias vezes. Ele implementou um imposto de 10% sobre a China, enquanto concedeu ao Canadá e ao México algumas isenções temporárias de ameaças tarifárias.>
Economistas esperam que as tarifas aumentem os preços para os consumidores dos EUA em muitos produtos importados, à medida que as empresas repassam parte ou todos os seus custos aumentados.>
Colaboraram Dearbail Jordan e Mitchell Labiak>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta