Publicado em 16 de fevereiro de 2026 às 08:09
Como os planetas se formam é uma das questões mais fundamentais sobre o nosso Universo. Os cientistas têm uma teoria que se alinha com o que vemos em nosso Sistema Solar, bem como em outros lugares do cosmos.>
Mas agora um sistema planetário distante parece contradizê-la, de acordo com um artigo publicado na revista Science. A teoria diz que os planetas se originam de discos de gás e poeira que circundam estrelas jovens.>
"O que acreditamos que acontece é que os planetas crescem acumulando essa poeira", disse Thomas Wilson, professor assistente de astronomia na Universidade de Warwick, no Reino Unido, e principal nome por trás do novo estudo.>
"Eles começam a se juntar para formar pequenos grãos, que então colidem uns com os outros para formar corpos maiores chamados planetesimais e, eventualmente, esses corpos colidem para formar planetas.">
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Isso resulta na natureza rochosa de planetas como a Terra, bem como nos núcleos de gigantes gasosos como Júpiter.>
Mas condições como temperatura e disponibilidade de certos materiais variam dependendo da distância da estrela, o que determina a composição externa do planeta.>
"Nas regiões externas, onde é muito mais frio, além do que é chamado de linha de gelo, gases e gelos podem aparecer porque é frio o suficiente para que eles existam", disse Wilson.>
Aqui, atmosferas densas podem se acumular e formar planetas gasosos, sem serem varridas pela radiação da estrela, de acordo com a Agência Espacial Europeia. Gigantes gasosos, como Júpiter, tendem a se formar nessas áreas.>
Mais perto da estrela, no entanto, é mais quente e há mais poeira em comparação com o gás, resultando na formação de planetas rochosos como Mercúrio, Vênus, Terra e Marte em nosso Sistema Solar.>
É essa variação nas condições, juntamente com a suposição de que todos os planetas em um sistema se formam aproximadamente ao mesmo tempo, que significa que devemos esperar ver uma certa ordem de planetas orbitando estrelas: planetas rochosos mais próximos da estrela e planetas gasosos mais distantes.>
Mas o sistema planetário descrito no novo estudo parece contradizer isso.>
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LHS 1903 é uma pequena estrela anã vermelha do tipo M, localizada a cerca de 117 anos-luz do Sistema Solar. Ela é mais fria e menos brilhante que o Sol e é orbitada por quatro planetas.>
No novo estudo, Wilson, com uma equipe internacional que abrange quase todos os continentes, analisou mais de perto o sistema estelar e descobriu que os três planetas mais internos seguiam o padrão esperado: o mais próximo da estrela é rochoso e os dois seguintes são gasosos.>
Mas, usando observações do satélite Cheops, da Agência Espacial Europeia, eles descobriram que o quarto planeta era rochoso, apesar de ser o mais distante da estrela hospedeira.>
"Esperávamos que fosse gasoso... por que é rochoso? Essa era a grande questão", disse o professor.>
Ele disse que a equipe vinha explorando possíveis explicações para a ordem dos planetas.>
Entre as ideias consideradas, estava a de que a radiação da estrela poderia ter empurrado o gás para longe, ou que o planeta mais externo teria sido atingido por um objeto que dissipou sua atmosfera.>
Mas a estrela não poderia ter empurrado o gás para longe do quarto planeta sem também fazer o mesmo com o segundo e o terceiro, e a modelagem sugeriu que qualquer impacto grande o suficiente para dissipar a atmosfera do planeta também o teria destruído.>
Depois de descartar essas teorias, os cientistas consideraram se a composição "estranha" seria resultado da formação dos planetas um após o outro, em vez de simultaneamente.>
"Se você forma esse planeta externo no que chamamos de ambiente esgotado ou reduzido, onde há menos recursos disponíveis, você pode facilmente produzir as propriedades desse planeta", disse Wilson.>
Ele sugeriu que o sistema estelar pode já ter ficado sem gás quando o planeta externo se formou. "E assim, a conclusão a que chegamos é que pode haver esse mecanismo de formação de dentro para fora, no qual você forma primeiro o planeta mais próximo da estrela hospedeira, depois o próximo planeta, e assim por diante, até chegar ao planeta mais externo.">
A ideia de que os planetas se formam sequencialmente do mais próximo da estrela para o mais distante, com recursos cada vez mais escassos, é chamada de Formação Planetária de Dentro para Fora e foi proposta como uma teoria há mais de 10 anos.>
Mas a ESA afirma que esta é a evidência mais convincente já encontrada de que isso realmente acontece.>
Wilson diz acreditar que talvez precisemos reavaliar a suposição de que todos os planetas de um sistema começam a crescer mais ou menos ao mesmo tempo, especialmente se esse for um padrão que observamos em outras partes do cosmos.>
Essa revisão poderia ter impactos indiretos na compreensão do próprio Sistema Solar também. "Mercúrio se formou primeiro, depois Vênus, depois a Terra e Marte? Isso levanta questões sobre a cronologia do nosso próprio Sistema Solar.">
Ele também disse que isso destaca que não devemos presumir que tudo o que acontece em nosso próprio Sistema Solar seja a norma.>
"Existem esses tipos de planetas chamados super-Terras e sub-Netunos, e todos esses tipos exóticos que simplesmente não temos no Sistema Solar", disse ele.>
"Temos que pensar que todos esses sistemas planetários alienígenas podem ter todos os formatos e tamanhos. Pode haver coisas lá fora que tenham um mundo mais habitável do que estamos pensando ainda, porque estamos muito centrados no Sistema Solar.">
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