Publicado em 15 de fevereiro de 2026 às 11:09
Nos últimos dias de 2025, em um fim de semana tranquilo logo após o Natal, um grupo de ladrões invadiu uma agência do banco Sparkasse na cidade de Gelsenkirchen, no oeste do país, perfurando uma parede com uma furadeira industrial.>
Roubaram mais de 3.000 cofres e fugiram com milhões de euros.>
Mais de um mês depois, a polícia ainda não prendeu nenhum suspeito — e pede que eventuais testemunhas se apresentem para ajudar nas investigações.>
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Para os clientes do banco, alguns dos quais afirmam ter perdido as economias de uma vida inteira, joias de família e objetos de valor, este é um momento de raiva, confusão e choque.>
Há uma forte sensação de que a confiança nas instituições foi abalada.>
O caso levantou todos os tipos de questões difíceis, e algumas delas foram esclarecidas recentemente pelo ministro do Interior do estado da Renânia do Norte-Vestfália, Herbert Reul.>
Por que ninguém percebeu o que estava acontecendo? Foi um crime cometido por alguém de dentro?>
Por que ninguém ouviu a furadeira e como os ladrões sabiam exatamente onde ficava o cofre?>
Os sistemas de segurança do banco eram muito fracos?>
Os investigadores acreditam que os ladrões provavelmente invadiram a agência da rua Nienhofstrasse por meio de um estacionamento adjacente, no bairro de Buer.>
A hipótese é de que os criminosos tenham corrompido uma porta de saída entre o estacionamento e o banco.>
Em circunstâncias normais, a porta não poderia ser aberta pelo lado de fora, mas a quadrilha conseguiu impedir que ela fechasse corretamente, permitindo-lhes "acesso irrestrito do estacionamento ao prédio do Sparkasse".>
A partir daí, a polícia acredita que eles burlaram diversos sistemas de segurança e chegaram a uma sala de arquivos ao lado do cofre, no subsolo do banco.>
Foi quando teriam montado a furadeira e feito um furo de 40 cm de largura na parede que dava acesso à caixa-forte, onde ficavam os cofres.>
As autoridades estimam que o roubo tenha acontecido em algum momento entre o sábado de 27 de dezembro e a segunda-feira de 29 de dezembro e acreditam que os ladrões quase tenham sido flagrados momentos antes de chegarem aos cofres.>
Pouco depois das 6h do dia 27 de dezembro, o corpo de bombeiros de Gelsenkirchen e uma empresa de segurança privada receberam um alerta de incêndio do banco, que pode ter sido acionado pelos ladrões.>
A polícia e 20 bombeiros chegaram à agência às 6h15, "mas não encontraram nada que indicasse danos", disse a polícia em um comunicado.>
O alarme de incêndio veio da caixa-forte, revelou Herbert Reul. Mas os bombeiros não conseguiram entrar porque ela estava trancada com uma porta de aço de enrolar. >
Ainda de acordo com o relato de Reul, os agentes não viram "fumaça, cheiro de fogo ou danos", então "concluíram que era um alarme falso", o que, segundo ele, não era incomum de acontecer.>
Para revistar a agência naquele momento, segundo ele, a polícia precisaria de um mandado. Segundo afirmou Reul a uma comissão do parlamento estadual, era o corpo de bombeiros que tinha a prerrogativa de atuar em situações como aquela.>
Uma vez dentro da caixa-forte, os ladrões abriram quase todos os 3.250 cofres que ficam lá dentro, levando dinheiro, ouro e joias.>
Reul afirmou que os sistemas de informática do banco mostram que o primeiro cofre foi arrombado às 10h45 do dia 27 de dezembro e o último, às 14h44. Não está claro se eles conseguiram abrir a maioria dos cofres em quatro horas ou se os computadores pararam de registrar dados.>
Testemunhas disseram à polícia mais tarde que viram vários homens na escadaria do estacionamento carregando sacolas grandes durante a noite de 28 de dezembro.>
As autoridades afirmam não saber exatamente quanto foi roubado. A imprensa alemã estima que o valor possa ter chegado a até 100 milhões de euros (cerca de R$ 618 milhões).>
Nas fotos e vídeos das câmeras de segurança do estacionamento divulgadas pela polícia aparecem homens com os rostos cobertos e dois carros, um Audi RS 6 preto e um Mercedes Citan branco. Ambos tinham placas falsas.>
O roubo só foi descoberto em 29 de dezembro, quando outro alarme de incêndio disparou às 3h58 da segunda-feira e os bombeiros retornaram ao banco — e se depararam com uma cena de caos.>
Herbert Reul disse que a imagem era a de um "um lixão", com mais de 500 mil itens espalhados pelo chão — o conteúdo dos cofres que os ladrões haviam deixado para trás.>
A polícia informou que muitos itens foram danificados com água e produtos químicos jogados pelos criminosos. >
Desde então, as autoridades têm vasculhado cuidadosamente o local à procura de pistas e na tentativa de identificar a quem pertence cada item.>
Quando a notícia do roubo veio à tona, cerca de 200 clientes se reuniram do lado de fora da agência saqueada, pedindo para entrar no estabelecimento, cuja entrada foi isolada pela polícia.>
Joachim Alfred Wagner, de 63 anos, disse que perdeu não apenas ouro no valor de dezenas de milhares de euros, mas também joias que pertenciam a seu pai e avós.>
Ele havia alugado o cofre depois que seu apartamento fora arrombado várias vezes e pensava que seus objetos de valor estavam finalmente em segurança.>
"Chorei de raiva", afirmou ele, que é uma das primeiras pessoas a entrar com um processo contra o banco, pedindo indenização pelo que seu advogado, Daniel Kuhlmann, chamou de "segurança negligente".>
O banco comunicou que o conteúdo de cada cofre costuma estar segurado no valor de 10.300 euros (aproximadamente R$ 64 mil), disse também ter sido vítima do crime e que suas instalações eram "protegidas de acordo com a tecnologia de ponta reconhecida".>
Sabe-se ainda de outro cliente que havia depositado 400 mil euros (quase R$ 2,5 milhões) em dinheiro vivo da venda de um apartamento, quantia que seria destinada à sua aposentadoria.>
Nem todos os correntistas, contudo, possuíam recibos oficiais do conteúdo de seus cofres, o que dificulta a identificação do que foi levado.>
"Nem mesmo o Sparkasse sabe o que há [nos cofres], porque cada pessoa pode colocar o que quiser neles", disse Herbert Reul.>
Ele enfatizou que, além do prejupizo material, o dano psicológico daqueles afetados não deve ser subestimado.>
"Precisamos ajudar as vítimas", afirmou ele. "Para muitos, isso é mais do que apenas a perda de bens materiais; isso também pode afetar a confiança na própria segurança e... a confiança na nossa ordem", argumentou.>
O chefe de polícia Tim Frommeyer afirmou que estavam lidando com "um dos maiores casos criminais da história do estado da Renânia do Norte-Vestfália".>
"Meu departamento e todos os seus funcionários estão cientes da magnitude deste caso. Os danos financeiros, a incerteza e a frustração são profundos!">
Pouco depois da descoberta do roubo, o partido de extrema-direita alemão Alternativa para a Alemanha (AfD) realizou um comício em frente ao banco, levando alguns a acusarem o partido de tentar incitar problemas.>
A revista alemã Der Spiegel afirmou que o roubo se tornou uma questão política e um símbolo de algo maior do que o próprio crime: "A sensação de que as promessas de segurança são vazias, de que as instituições estão falhando, de que, no fim das contas, ninguém está sendo responsabilizado.">
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