Publicado em 11 de março de 2026 às 15:11
Uma mulher nas Filipinas descreveu como é "desolador" ganhar menos de US$ 2 (cerca de R$ 10) por hora fingindo, em chats online, ser modelos da plataforma OnlyFans muito mais bem pagas do que ela.>
O OnlyFans funciona conectando criadores de conteúdo explícito a usuários que pagam uma assinatura para acessar o material desses criadores e supostamente conversar online com eles.>
No entanto, embora criadores de grande destaque possam ganhar bastante dinheiro, o trabalho de interagir com os fãs e tentar vender a eles imagens e vídeos muitas vezes é feito por pessoas mal remuneradas, empregadas por terceiros, como a pessoa entrevistada pela BBC.>
Um sindicato que representa esses trabalhadores — conhecidos como "chatters" — disse à BBC News que está preocupado com a "natureza em grande parte não regulamentada desse tipo de trabalho online".>
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O OnlyFans, que gerou US$ 7,2 bilhões (cerca de R$ 36 bilhões) em receita em 2024, não quis responder aos questionamentos da BBC. Segundo os termos de serviço da plataforma, a relação comercial do OnlyFans é exclusivamente com o criador de conteúdo.>
A BBC não identificará nesta reportagem a mulher com quem conversou a fim de proteger sua identidade.>
Empregada por uma agência usada pela modelo que ela fingia ser, ela disse que começou nesse tipo de trabalho para sustentar a família durante um período de renda mais baixa, ganhando menos de US$ 2 por hora e trabalhando em turnos de oito horas, cinco dias por semana.>
Durante seu turno, ela recebia metas para gerar para a modelo centenas de dólares em vendas de fotos e vídeos.>
Os criadores mais populares da plataforma afirmam ganhar milhões de dólares por mês.>
Recentemente, uma nova agência ofereceu melhores condições e remuneração para o mesmo trabalho de "chatter", embora ainda inferior a US$ 4 por hora (cerca de R$ 20).>
Ela disse que sabia que o trabalho envolveria conteúdo explícito, mas, ainda assim, fazer "sexting" (troca de mensagens de teor sexual) era desagradável para ela.>
"É meio nojento quando você pensa nisso, porque você precisa fazer esse tipo de conversa muitas vezes, várias vezes por hora, porque está falando com vários fãs ao mesmo tempo.">
Segundo ela, as pessoas com quem conversava muitas vezes pareciam "muito gentis", mas claramente solitárias, o que tornava todo o processo triste, especialmente porque ela não era a pessoa que fingia ser.>
Essa desonestidade a incomodava, afirmou.>
"Tecnicamente, estou enganando essas pessoas, porque envio todas aquelas fotos e vídeos para elas e meu único objetivo é a venda", disse.>
De fato, o uso de "chatters" levou a ações judiciais contra o OnlyFans e contra as agências que os empregam, movidas por usuários e escritórios de advocacia que consideram a prática enganosa. Até agora, nenhuma teve sucesso.>
Segundo ela, alguns fãs pediam "coisas realmente estranhas, fetiches ou preferências sexuais", que ela geralmente conseguia tolerar, mas nem sempre.>
"Há dias em que penso: 'que diabos estou fazendo aqui?', porque há dias em que isso realmente pesa.">
Questionada se se sentia explorada, ela disse que aceitar um pagamento inferior a US$ 2 por hora "não foi seu melhor momento".>
"Não é nada agradável, sabe? Você começa a se questionar. Sua moralidade, até mesmo a sua consciência", disse à BBC. "É realmente de partir o coração, especialmente sabendo que a agência ganha muito mais.">
A "chatter" também relatou preocupação com possíveis riscos legais ao aceitar esse tipo de trabalho, devido às leis relativamente rígidas contra pornografia nas Filipinas.>
A BPO Industry Employee' Network (BIEN) é um sindicato independente que representa trabalhadores do setor de terceirização de processos de negócios nas Filipinas.>
Mylene Cabalona, presidente do sindicato, disse à BBC que "embora as Filipinas tenham leis relativamente rígidas em relação à pornografia, nossa principal preocupação como sindicato é a natureza em grande parte não regulamentada desse tipo de trabalho online".>
Segundo Cabalona, isso levanta sérias preocupações sobre a exposição de trabalhadores a "conteúdo potencialmente prejudicial ou abusivo, além da falta de diretrizes claras sobre segurança, responsabilização e proteção trabalhista".>
Ainda assim, há vantagens nos empregos digitais terceirizados, incluindo o trabalho de chat, que, segundo Cabalona, podem permitir que trabalhadores obtenham renda de casa, enquanto dão suporte a clientes ou plataformas no exterior.>
"Esses empregos também podem oferecer maior potencial de renda em comparação com alguns trabalhos locais de nível inicial e proporcionar oportunidades para desenvolver habilidades em trabalho digital", observou.>
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