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'Matar homens maus custa caro': o pedido do governo Trump ao Congresso por US$ 200 bilhões para a guerra no Irã

'Matar homens maus custa caro': o pedido do governo Trump ao Congresso por US$ 200 bilhões para a guerra no Irã

Apesar de Trump ter dito há poucos dias que as operações no Irã estavam 'praticamente concluídas', seu Departamento de Guerra agora pede mais dinheiro.

Publicado em 20 de março de 2026 às 07:34

Imagem BBC Brasil
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse que seu departamento precisa de mais dinheiro para 'o que for necessário no futuro' Crédito: Getty Images

O governo do presidente americano, Donald Trump, está tentando obter US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão) em financiamento adicional para a guerra no Irã. As justificativas apresentadas incluem repor munições e outros suprimentos que se esgotaram após a ajuda prestada anteriormente a outros países.

"Queremos ter grandes quantidades de munição. Ainda temos muita, mas ela diminuiu por termos enviado tanto à Ucrânia", disse Trump na quinta-feira (19/3). Segundo ele, "este é um mundo muito volátil".

Questionado sobre o tema, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, não confirmou diretamente o valor pedido ao Congresso, mas afirmou a jornalistas: "Matar homens maus custa caro".

Mais tarde, em um evento na Casa Branca, Trump foi perguntado por que seria necessário tanto dinheiro, já que havia dito que a Operação Epic Fury (Fúria Épica, na tradução livre), nome dado pelo governo americanos aos ataques contra o Irã, terminaria em breve. Ele respondeu que se trata de uma "guerra muito volátil".

O Pentágono (nome pelo qual é conhecido o Departamento de Guerra dos EUA, ministério que antes do governo Trump se chamava oficialmente o Departamento de Defesa) informou aos congressistas americanos que o conflito contra o Irã custou até agora US$ 11,3 bilhões (cerca de R$ 56,5 bilhões) apenas na primeira semana. No sábado (21/3), a guerra entrará na quarta semana.

Batalha com os democratas

O Congresso dos EUA aprovou um financiamento de US$ 188 bilhões (cerca de R$ 940 bilhões) para a Ucrânia desde a invasão russa, em fevereiro de 2022. Até dezembro passado, cerca de US$ 110 bilhões (aproximadamente R$ 550 bilhões) haviam sido gastos, segundo o inspetor-geral especial responsável por monitorar esses recursos.

Na quinta-feira (19/3), Hegseth afirmou que o Departamento de Guerra precisa de mais dinheiro para "o que for necessário no futuro", além de garantir a reposição de munições.

"Esse tipo de financiamento vai assegurar que estejamos adequadamente financiados no futuro", disse.

Imagem BBC Brasil
O governo terá de convencer os congressistas a aprovar mais recursos para a guerra Crédito: Martin Pope / Getty

O pedido de US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão) se soma ao orçamento anual do Departamento de Guerra dos EUA, de US$ 838 bilhões (aproximadamente R$ 4,19 trilhões), aprovado pelo Congresso em janeiro.

O pedido de financiamento de Hegseth foi feito no momento em que um caça F-35 dos EUA precisou fazer um pouso de emergência em uma base aérea americana "após cumprir uma missão de combate sobre o Irã", disse um porta-voz do Comando Central dos EUA.

Segundo a imprensa americana, citando fontes anônimas, o F-35 teria sido atingido por disparos iranianos.

"O avião pousou com segurança, e o piloto está em condição estável", afirmou o porta-voz. "O incidente está sob investigação."

O Pentágono estima que cada uma dessas aeronaves custa cerca de US$ 77 milhões (cerca de R$ 385 milhões).

Questionado sobre o valor de US$ 200 bilhões, o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson (Partido Republicano, ao qual Trump pertence), disse que não acredita que seja "um número aleatório".

"É claramente um momento perigoso no mundo, e precisamos financiar adequadamente a defesa. E temos o compromisso de fazer isso", afirmou.

O congressista Jim Himes (Partido Democrata, de oposição ao governo Trump) disse, na quinta-feira, que gostaria que Hegseth recordasse de um velho ditado: "Se você me quer lá no pouso, garanta que eu esteja lá na decolagem".

A guerra já tem impacto econômico nos EUA.

Na quarta-feira (18/3), o Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, decidiu manter novamente as taxas de juros estáveis, diante do aumento dos preços do petróleo desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã, o que elevou a incerteza econômica e ameaça pressionar a inflação.

O Fed geralmente baixa as taxas de juros quando o desemprego aumenta e precisa impulsionar a economia. Por outro lado, aumenta essas taxas quando há preocupação com a inflação, buscando conter o consumo e desacelerar a alta de preços.

O pedido de mais dinheiro para o esforço de guerra indica uma disputa legislativa intensa a menos de oito meses das eleições de meio de mandato, em novembro, quando estará em disputa nas urnas o controle das duas Casas legislativas (o Senado e a Câmara dos Representantes, equivalente à Câmara dos Deputados brasileira).

Embora o financiamento militar costume ter apoio dos dois partidos (o Republicano e o Democrata), pesquisas indicam que a maioria dos americanos não aprova a guerra no Irã, o que pode pressionar políticos a se verem obrigados a justificar um aumento expressivo de gastos.

Os democratas já começaram a contextualizar o tamanho desse pacote, destacando que a prorrogação por um ano de subsídios ao seguro-saúde, defendida sem sucesso no ano passado pelos democratas, teria custado cerca de US$ 35 bilhões (cerca de R$ 175 bilhões).

O governo Trump havia informado anteriormente que a economia total obtida com cortes orçamentários do Departamento de Eficiência Governamental (conhecido como Doge) no ano passado, que incluíram grandes reduções na ajuda externa, somou US$ 175 bilhões (aproximadamente R$ 875 bilhões).

No ano passado, o governo federal gastou US$ 100 bilhões (cerca de R$ 500 bilhões) em assistência alimentar para famílias de baixa renda.

Apesar da oposição dos democratas, no fim das contas os republicanos no Congresso devem ter votos suficientes para aprovar o financiamento adicional ao Departamento de Guerra, mas a medida pode ter custo político elevado caso a guerra, e seus impactos econômicos, se prolonguem.

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