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María Corina Machado não irá pessoalmente receber Nobel da Paz e seu paradeiro é desconhecido

O Instituto Nobel Norueguês confirmou que Machado não irá à cerimônia de entrega do Nobel da Paz em Oslo nesta quarta-feira. No lugar dela, a filha receberá o prêmio e fará um discurso

Publicado em 10 de Dezembro de 2025 às 07:44

BBC News Brasil

Publicado em 

10 dez 2025 às 07:44
Imagem BBC Brasil
María Corina Machado foi premiada por seus "incansáveis esforços para promover os direitos e as liberdades na Venezuela" Crédito: Odd ANDERSEN / AFP via Getty Images
María Corina Machado, líder da oposição venezuelana laureada com o Prêmio Nobel da Paz, não participará nesta quarta-feira (10/12) da cerimônia de entrega do prêmio em Oslo (Noruega), informou o Instituto Nobel Norueguês.
A expectativa era que Machado participasse da cerimônia na Prefeitura de Oslo, ao lado do rei Harald 5º, da rainha Sonja e de líderes latino-americanos, entre eles os presidentes da Argentina, Javier Milei, e do Equador, Daniel Noboa.
Houve especulações sobre a presença da premiada nos dias anteriores ao evento mas, até o momento, seu paradeiro é desconhecido.
"Infelizmente, ela não está na Noruega e não estará no palco da Prefeitura de Oslo às 13h, quando a cerimônia começar", disse Kristian Berg Harpviken, diretor do instituto e secretário permanente do órgão de seleção, à emissora pública norueguesa NRK.
Apesar da ausência, a cerimônia está mantida, e será a filha de Machado, Ana Corina Sosa Machado, quem receberá o prêmio e fará um discurso em nome da mãe, acrescentou Harpviken.
Em outubro, o comitê do Prêmio Nobel decidiu conceder o prêmio à líder da oposição por seus "esforços incansáveis para promover os direitos e liberdades na Venezuela" e por defender "uma transição justa e pacífica para a democracia".
"María Corina Machado dedicou anos à luta pela liberdade do povo venezuelano", ressaltou a instituição, que acrescentou que "o controle férreo do poder por parte do governo venezuelano e sua repressão contra a população não são fenômenos únicos no mundo".
"Meu Deus... Não tenho palavras", foi a primeira reação da líder da oposição ao saber, em outubro passado, que havia se tornado a primeira venezuelana a receber o prêmio.
"Este é o feito de um movimento, de uma sociedade. Certamente não mereço um prêmio assim, mas o recebo com humildade e gratidão em nome do povo da Venezuela", afirmou durante conversa telefônica com Harpviken, também presidente do Comitê Norueguês do Prêmio Nobel de Paz.
A presença de María Corina Machado havia sido anunciada semanas antes pelo Instituto Nobel norueguês — por isso se acreditava que ela viajaria até a capital norueguesa.
A líder da oposição não é vista em público desde 09/01, quando liderou uma manifestação em Caracas contra a juramentação do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, para um terceiro mandato consecutivo.
No fim de 2024, Machado informou que passaria à clandestinidade, em meio à onda de repressão com que as autoridades venezuelanas responderam aos protestos desencadeados após os resultados questionados das eleições presidenciais, que deixaram mais de 2 mil detidos, entre eles dezenas de líderes opositores.
Imagem BBC Brasil
A filha de Machado, Ana Corina, havia viajado a Oslo para acompanhar a mãe e será quem receberá o prêmio em seu nome Crédito: Lise Åserud / NTB / AFP via Getty Images
A líder se tornou a principal voz da dissidência contra o governo de Maduro, no poder desde 2013, quando Hugo Chávez (1954-2013) morreu.
Em outubro de 2023, ela foi escolhida como candidata unificada da oposição nas eleições primárias, mas as autoridades lhe impediram de disputar a eleição presidencial realizada em 28/07/24.
Ainda assim, Machado não ficou de braços cruzados e apoiou o diplomata Edmundo González Urrutia, que, segundo registros obtidos pela oposição, venceu os comícios com 66% dos votos. Mesmo assim, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) declarou Maduro vencedor sem apresentar provas que justificassem a decisão.
Machado já era conhecida no país desde 2003, quando, pela organização Súmate, impulsionou um referendo para revogar o mandato do então presidente Chávez.
Em 2010, ela foi eleita deputada. Dois anos depois, em 2012, protagonizou um tenso embate com o então presidente, cuja política de nacionalização de empresas criticou.
"Expropriar é roubar", disparou ela. Chávez respondeu: "Até de ladrão me chamou. Me chamou de ladrão diante do país".
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Desde janeiro, todo o contato com Machado tem ocorrido por meio de suas redes sociais e de videoconferências Crédito: Eva Marie Uzcategui/Bloomberg via Getty Images

'Vamos sentir saudades dela'

O procurador-geral venezuelano, Tarek William Saab, advertiu a líder da oposição há algumas semanas que, se ela deixasse o país, seria considerada "fugitiva" e que tentaria prendê-la caso ela tentasse retornar.
Desde 2014, pesa sobre Machado uma proibição de deixar a Venezuela, imposta por um tribunal nacional em resposta à sua suposta participação nos episódios violentos que resultaram da marcha realizada em Caracas em 12/02/2014.
Esse mesmo caso levou à prisão do ex-prefeito e ex-pré-candidato presidencial Leopoldo López. Apesar de já se passar mais de uma década e de Machado nunca ter sido formalmente processada, a restrição judicial permanece vigente.
Por outro lado, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, adotou tom menos severo e, nos últimos dias, anunciou publicamente a saída de Machado do país.
"Vamos sentir saudades dela", disse Cabello em seu programa na televisão estatal.
"A equipe está instalada na Noruega há dias. E, embora a máquina midiática espalhe que ninguém sabe onde ela está, a realidade é menos poética. A mulher deixou o país com a mesma elegância com que Edmundo González organizou sua saída rápida do país. Nada de desaparecimento nem drama, apenas logística operacional e aviões que viajam em silêncio com imunidade diplomática", declarou.

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