Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 17:09
Uma troca de emails atribuída a Jeffrey Epstein, criminoso sexual condenado nos Estados Unidos e morto em 2019, e Steve Bannon, ex-conselheiro do presidente americano, Donald Trump, e estrategista político, faz diversas menções elogiosas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).>
"Bolsonaro mudou o jogo. Nenhum refugiado quer entrar. Bruxelas não lhe diz o que fazer. Ele só precisa reativar a economia. MASSIVO", diz uma mensagem atribuída a Epstein em 8 de outubro de 2018.>
Na véspera, Bolsonaro disputava a eleição presidencial contra o petista Fernando Haddad e havia obtido 49,2 milhões de votos (46% dos válidos), ante 31,3 milhões de Haddad (29,28%), o que garantiu um segundo turno, do qual ele sairia vitorioso.>
A comunicação está entre os documentos divulgados na última sexta-feira (30/1) pelo Departamento de Justiça dos EUA, relacionados ao caso Epstein.>
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As novas mensagens também fazem menção ao presidente Lula, em um contexto de diálogos entre Epstein e o filósofo Noam Chomsky (mais detalhes aqui).>
Bannon respondeu a Epstein que era próximo ao grupo do ex-presidente. "Eles me querem como conselheiro. Devo fazer isso?">
Epstein responde: "É meio o argumento 'reino no inferno' de novo".>
Bannon declarou apoio explícito a Bolsonaro naquele ano.>
Em entrevista à BBC News Brasil à época, após meses de intensas especulações sobre uma eventual participação dele na campanha, o ex-estrategista de Trump descreveu Bolsonaro como "líder", "brilhante", "sofisticado" e "muito parecido com Trump".>
Ele negou, no entanto, que fizesse parte da campanha.>
Em outra conversa, Epstein diz a Bannon que o filósofo Noam Chomsky havia ligado para ele da prisão, ao lado de Lula — afirmação que é negada tanto pela esposa de Chomsky, Valeria, quanto pelo Palácio do Planalto.>
"Diga a ele que o meu candidato vai ganhar no primeiro turno", respondeu Bannon, aparentemente se referindo ao Bolsonaro.>
"Bolsonaro é de verdade", respondeu Epstein (a expressão usada foi "the real deal", no original em inglês).>
Eles também discutiram uma ida de Bannon ao Brasil para apoiar Bolsonaro.>
Epstein afirmou: "Se você está confiante na vitória [de Bolsonaro], pode ser bom para sua marca se você fosse visto lá".>
Há ainda um trecho da conversa divulgado nos documentos do governo dos EUA em que Epstein diz que não gostou de Bolsonaro ter chamado de "fake news" uma associação com Bannon.>
Naquela época, Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, deu declarações à imprensa de que Bannon estaria à disposição da família.>
Segundo o jornal Folha de S. Paulo, Eduardo chegou a participar, em novembro de 2018, de um jantar de aniversário de Bannon. >
Em resposta às declarações do filho e aos questionamentos da imprensa, Jair Bolsonaro disse que a parceria não existia.>
"Tenho que manter essa coisa do Jair nos bastidores", disse Bannon. "Meu poder vem do fato de não ter ninguém para me defender.">
Bannon disse à época que "ficou impressionado" com a dinâmica "jovem" da campanha de Bolsonaro. E disse que deu conselhos à família.>
"Minha preocupação número um foi que ele fosse assassinado. Eu nem perguntei ao filho, apenas disse diretamente: 'Vocês precisam de segurança'", disse ele à BBC News Brasil, em 2018.>
Epstein também aconselhou Bannon, segundo conversa que aparece em outro documento, a evitar falar de Bolsonaro quando ele se encontrasse com Noam Chomsky, em um encontro facilitado pelo empresário no Arizona.>
"A esposa dele é brasileira, então vá com calma ao falar de Bolsonaro. Eles [o casal Chomsky] são amigos do Lula. Mas ele é uma figura icônica e não se deve perder a chance de conversar sobre história e política. Vou colocar vocês em contato por e-mail, para que possam se coordenar diretamente.">
Chomsky mantinha uma relação próxima com Epstein, que teria usado suas habilidades financeiras para ajudá-lo e até oferecido estadia em suas casas.>
"Ele vai querer saber se você está do lado dos pequenos: corte de impostos, ataques à saúde pública e as ameaças bolsonaristas aos trabalhadores organizados", teria dito Epstein a Bannon, antes do encontro.>
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