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Itália decide extraditar Carla Zambelli; o que acontece agora

Itália decide extraditar Carla Zambelli; o que acontece agora

A defesa da ex-parlamentar afirmou que vai recorrer da decisão.

Publicado em 26 de março de 2026 às 14:34

Imagem BBC Brasil
null Crédito: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A Justiça da Itália decidiu extraditar a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL), presa no país desde julho do ano passado.

A decisão da Corte de Apelação de Roma foi comunicada nesta quinta-feira (26/03). A informação foi confirmada pela defesa de Zambelli na Itália à BBC News Brasil.

Segundo o advogado Pieremilio Sammarco, a defesa da ex-parlamentar vai recorrer da decisão.

Após ser apresentado, o recurso deve ser julgado na Corte de Cassação, a última instância da Justiça italiana.

Zambelli foi presa na Itália em 29 de julho. A ex-deputada está no país desde junho de 2025, após ter sido condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por ter supostamente ordenado a invasão do sistema de mandados judiciais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com o auxílio do hacker Walter Delgatti.

Ela nega seu envolvimento no crime e diz ser perseguida política.

A ex-deputada também foi condenada no Brasil por sacar uma arma e perseguir um homem em São Paulo, na véspera da eleição presidencial de 2022.

Zambelli renunciou ao mandato como deputada em 14 de dezembro, após a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) votar pela sua cassação.

A decisão da comissão chegou a ser revertida pelo plenário da Câmara, mas após anulação da sessão pelo STF, Zambelli apresentou sua carta de renúncia.

O Ministério Público da Itália já havia emitido parecer favorável à extradição de Zambelli em outubro.

Segundo Fabio Pagnozzi, advogado da ex-parlamentar no Brasil, a defesão tem agora 15 dias para entrar com um recurso para tentar reverter a decisão da Justiça italiana sobre a extradição. Para o advogado, o processo "vai se arrastar ainda um bom tempo na Itália".

Pagnozzi disse ainda que já há um recurso pendente na Corte de Cassação, relativo ao pedido protocolado pela defesa para a substituição dos juízes do caso.

Por que Carla Zambelli foi condenada?

Carla Zambelli foi acusada pela PGR de planejar e coordenar, com o auxílio do hacker Walter Delgatti, uma invasão ao sistema do CNJ no início de 2023.

Segundo a denúncia, o objetivo da deputada era incluir alvarás de soltura falsos e um mandado de prisão forjado contra o ministro Alexandre de Moraes.

Delgatti, que confessou o ataque, foi condenado a oito anos e três meses de prisão. Ele afirma ter feito a invasão a mando da deputada.

Os dois foram condenados pela Primeira Turma do STF em maio.

Imagem BBC Brasil
Defesa de Zambelli argumentou que evidências contra ela se baseiam apenas nos depoimentos de Delgatti Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado

Moraes, relator do caso, votou por sua prisão e foi acompanhado de forma unânime pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux.

No voto que embasou a condenação, Moraes afirmou que Zambelli atuou de forma "premeditada, organizada e consciente", com a intenção de desacreditar as instituições do Estado democrático de Direito.

"Como deputada federal, portanto representante do povo brasileiro e jurada a defender a Constituição, utilizou-se de seu mandato e prerrogativas para, deliberadamente, atentar contra a credibilidade do Poder Judiciário", escreveu o ministro.

A pena, segundo ele, foi agravada pelo "comportamento social desajustado ao meio em que vive a acusada" e pelo "desrespeito às instituições e à democracia".

Zambelli negou envolvimento nos crimes e afirmou que não há provas que a conectem diretamente à invasão.

Ela também acusou Delgatti de ser um "mentiroso patológico" que alterou sua versão dos fatos em pelo menos seis depoimentos.

"A própria Polícia Federal, quando esteve na casa dele, o classificou como mitômano, que mente e inventa histórias", afirmou.

A defesa da parlamentar argumentou que a condenação se baseou exclusivamente nos depoimentos de Delgatti, que seriam contraditórios e imprecisos.

Ela também tem uma segunda condenação na Justiça, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Neste caso, foi fixada pena de 5 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de multa.

Zambelli deixou o Brasil após sua prisão ser determinada pelo ministro Alexandre de Moraes.

A ex-deputada argumentava que estaria protegida de ser extraditada por ter cidadania italiana. Seu nome estava na lista de procurados da Interpol, e o Ministério da Justiça também pediu sua extradição.

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