Publicado em 22 de março de 2026 às 11:34
Três semanas após o início da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o conflito atingiu um ponto nebuloso de sinais contraditórios e incerteza, com os comentários públicos do presidente Donald Trump frequentemente parecendo contradizer a realidade.>
A guerra está "praticamente concluída", disse o presidente dos EUA, mas novas forças terrestres americanas — incluindo uma unidade de fuzileiros navais — estão se deslocando para a região. Ela está "chegando ao fim", segundo Trump, mas os bombardeios e ataques com mísseis dos EUA e de Israel contra alvos iranianos continuam sem parar.>
A abertura do Estreito de Ormuz, o ponto de estrangulamento geográfico por onde passam 20% das exportações mundiais de petróleo, é uma "simples manobra militar", mas, por enquanto, apenas navios aprovados pelo Irã estão transitando pelas águas. Os militares iranianos "foram embora", mas drones e mísseis ainda estão atingindo alvos na região, inclusive na base conjunta EUA-Reino Unido em Diego Garcia.>
Em uma postagem na rede Truth Social na noite de sábado (21/3), Trump ameaçou uma escalada do conflito, alertando que, se o Irã não "abrisse totalmente" o Estreito de Ormuz em 48 horas, os militares dos EUA começariam a atacar usinas de energia iranianas, "começando pelas maiores".>
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No entanto, no dia anterior, ele havia listado, em sua rede social, os objetivos militares americanos para a guerra contra o Irã, que, segundo ele, os EUA estavam "muito perto" de cumprir.>
Os itens — que constituem sua declaração mais detalhada sobre o assunto desde o início da guerra — incluíam degradar ou destruir as forças armadas do Irã, sua infraestrutura de defesa e seu programa de armas nucleares, bem como proteger os aliados americanos na região.>
Não estava incluído o objetivo de garantir o Estreito de Ormuz, que Trump disse ser responsabilidade de outras nações mais dependentes das exportações de petróleo do Golfo. O presidente fala com frequência que os EUA são um exportador de energia e não dependem do petróleo do Oriente Médio — embora essa visão ignore a natureza global do mercado de combustíveis fósseis, onde as flutuações internacionais impactam diretamente o preço nos postos de gasolina americanos.>
A publicação de Trump no Truth Social também não fez nenhum apelo por uma mudança de regime no Irã. Sumiram todas as referências à aprovação do próximo líder da nação ou à "rendição incondicional", algo que Trump havia insistido nos primeiros dias da guerra.>
No último esboço dos objetivos de Trump, é possível que os EUA encerrem sua operação com a atual liderança anti-americana do Irã no poder, suas exportações de petróleo ainda fluindo e sua capacidade de exercer algum controle sobre o Estreito de Ormuz intacta.>
Se esse é um fim pouco satisfatório para uma guerra que o presidente e seus assessores disseram ter começado com a Revolução Iraniana de 1979 e que eles terminariam, há um plano alternativo que envolve as forças terrestres americanas atualmente a caminho da região do Oriente Médio.>
Há pouco mais de uma semana, a mídia americana informou que uma unidade expedicionária da Marinha, com cerca de 2,5 mil soldados de combate e navios e aeronaves de apoio, havia sido enviada do Japão para o Oriente Médio, onde deveria chegar nos próximos dias. Outra força de fuzileiros navais de tamanho semelhante partiu recentemente de sua base na Califórnia, com chegada prevista para meados de abril.>
Analistas militares sugeriram que os EUA poderiam estar planejando capturar a Ilha de Kharg, uma porção de terra de cerca de 21 quilômetros quadrados que abriga o principal terminal de exportação de petróleo do Irã. Fazer isso poderia, em teoria, interromper os embarques de petróleo do país, privando-o de receitas muito necessárias e forçando-o a fazer maiores concessões aos americanos em troca do fim das hostilidades.>
Trump disse na sexta-feira (20/3) que não enviaria tropas terrestres ao Irã, mas acrescentou: "Se eu enviasse, certamente não diria a vocês". Clareza, ao que parece, não é seu foco.>
Essa ameaça levou a imprensa estatal iraniana a noticiar no sábado que qualquer ataque à Ilha de Kharg levaria o Irã a causar "insegurança" no Mar Vermelho, outro importante ponto de trânsito marítimo global, e a "incendiar" instalações de energia em toda a região.>
O alerta do Irã ressalta os perigos que acompanhariam uma escalada dos EUA que exponha ainda mais as forças militares americanas a represálias iranianas.>
No início desta semana, a imprensa americana noticiou que o governo Trump estava se preparando para pedir ao Congresso US$ 200 bilhões em financiamento emergencial para a operação militar iraniana em andamento. O pedido sugeriria que, longe de estar chegando ao fim, a Casa Branca está se preparando para uma guerra longa e cara.>
A reação inicial do Congresso, inclusive dos aliados republicanos de Trump, foi, na melhor das hipóteses, cautelosa.>
"Estamos falando de tropas em solo. Estamos falando de um tipo de atividade prolongada", disse o republicano Chip Roy, do Texas. "Eles têm muito mais informações e explicações a dar sobre como vamos pagar por isso e qual é a missão aqui.">
A chamada "névoa da guerra" não apenas obscurece o pensamento dos planejadores militares, como também afeta a percepção dos políticos e do público.>
A guerra com o Irã, ao que parece, está em um ponto de inflexão. Mas qual rumo tomará a partir daqui ainda é um mistério.>
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