Publicado em 10 de setembro de 2025 às 11:33
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux defendeu nesta quarta-feira (10/9) a anulação do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros réus por tentativa de golpe por incompetência da Corte para julgá-lo.>
Na avaliação de Fux, feita durante a leitura de seu voto no julgamento, Bolsonaro e os demais réus deveriam ser julgados na primeira instância – isso é, não em cortes superiores como STF –, pois já haviam perdido o foro privilegiado ao deixarem cargos como o de presidente.>
"A prerrogativa de foro deixa de existir quando os cargos foram encerrados antes da ação", disse Fux.>
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"Estamos diante de uma incompetência absoluta.">
Essa não é a primeira vez que Fux se manifesta nesse sentido.>
Em março, em sessão para decidir se o STF aceitava ou não denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Bolsonaro e mais sete aliados, Fux já havia dito que acreditava que o caso deveria ir para a primeira instância.>
Na ocasião, Fux pediu, caso esse argumento não fosse aceito, que ao menos os 11 ministros do STF (o plenário) julgassem os réus – e não apenas a Primeira Turma.>
Ele foi voto vencido, e a sessão na Primeira Turma terminou em 4 a 1 por aceitar a denúncia e manter o julgamento dentro do grupo. >
Nesta quarta, Fux também voltou a defender que o julgamento deveria ao menos acontecer no plenário do STF, já que envolveria crimes cometidos por um então presidente da República.>
"A competência para o julgamento de presidente da República sempre foi e continua sendo o plenário da Casa.">
"Ao rebaixar a competência original do plenário para uma das turmas, estaríamos silenciando as vozes de ministros que poderiam esterilizar a forma de pensar sobre os fatos a serem julgados nesta ação penal", declarou.>
Na decisão de manter o julgamento no STF, os outros ministros entenderam que a jurisprudência da Corte aponta que, nos crimes praticados no exercício de cargo como presidente, a prerrogativa de foro se mantém mesmo após o fim do mandato, ainda que o inquérito ou a ação penal sejam iniciados depois do fim do exercício do cargo. >
Vale lembrar, a denúncia da PGR aponta que a suposta trama golpista começou ainda em 2021, quando Bolsonaro era presidente.>
Sobre a competência da Primeira Turma, o regimento interno do STF alterado em dezembro de 2023 diz que o plenário só é responsável pelo julgamento de autoridades como presidente em exercício, vice-presidente, presidente da Câmara e presidente do Senado. >
O ministro Alexandre de Moraes defendeu na época que, como Bolsonaro não é mais presidente em exercício, não haveria a necessidade de julgamento no plenário. >
A posição de Fux sobre a competência do STF e da Primeira Turma não quer dizer que ele votou pela absolvição dos réus. >
Esta divergência de Fux também não possibilita os chamados "embargos infringentes", um recurso que pode ser utilizado pela defesa para pedir modificação da pena ao final do julgamento.>
No caso de processos julgados por uma das duas turmas - compostas por cinco ministros cada - são necessários dois votos pela absolvição para permitir a solicitação de embargos infringentes.>
Até as 11h30 desta quarta, Fux ainda não havia concluído seu voto. >
Ainda durante seu voto, o ministro Luiz Fux acolheu argumento dos réus de que houve cerceamento da defesa devido à falta de tempo adequado para que os advogados analisassem todo o material levantado nas investigações.>
Segundo ele, houve um "tsunami de dados" e esse é mais um motivo para anular todo o processo.>
"Eu não sou especialista. A quantidade chega a 70 terabytes. Fui pesquisar isso, nem acreditei, porque são bilhões de páginas", disse.>
"E, apenas em 30 de abril de 2025, portanto mais de um mês após o recebimento da denúncia e menos de 20 dias antes do início do depoimento das testemunhas, foi proferida decisão deferindo acesso à íntegra de mídias e dos materiais apreendidos na fase investigatória", continuou.>
Ele ressaltou ainda que o material foi disponibilizado sem estar classificado, dificultando sua análise pelas defesas e por ele próprio. "Também senti essa dificuldade", afirmou Fux.>
Segundo ele, a falta de acesso adequado da defesa ao conteúdo da investigação impede que advogados possam encontrar eventuais provas favoráveis aos réus no material apreendido.>
O ministro, porém, divergiu da defesa em relação à delação de Mauro Cid. Para Fux, a colaboração deve ser mantida, porque os ritos foram realizados de acordo com os termos.>
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