Publicado em 13 de março de 2026 às 12:36
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.>
Já votaram nesse sentido três ministros: o relator do caso, André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques. >
Vorcaro foi preso pela segunda vez, em 4 de março, por decisão de Mendonça após investigações da PF revelarem que ele teria mantido uma espécie de milícia privada para ameaçar adversários e manter contatos indevidos com dois servidores da alta hierarquia do Banco Central (BC).>
O Banco Master foi liquidado em novembro pelo BC e é investigado por fraudes bilionárias.>
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O julgamento sobre a prisão de Vorcaro ocorre no plenário virtual, em que os ministros votam remotamente, e dura até a próxima sexta-feira (20/3).>
Falta votar apenas o ministro Gilmar Mendes. Toffoli também integra a Segunda Turma, mas se declarou suspeito para julgar o caso na quarta-feira (11/3).>
A decisão veio em meio a forte desgaste da imagem do ministro e do Supremo após serem reveladas supostas ligações de Toffoli com o banco investigado. Uma empresa do ministro vendeu parte de um resort no Paraná para um fundo ligado ao Master.>
A suspeição é quando um juiz ou autoridade encarregada de determinado processo se afasta do caso por possuir relações pessoais ou outras questões que possam afetar sua imparcialidade.>
Em sua decisão, Toffoli disse que seu afastamento do caso ocorre por motivos de "foro íntimo".>
O Código de Processo Civil do Brasil diz que o juiz pode se declarar suspeito por foro íntimo, sem necessidade de declarar suas razões.>
Em Brasília, especula-se que a continuidade da prisão de Vorcaro possa levar o banqueiro a fechar um acordo de delação premiada com potencial de atingir grandes autoridades. Até o momento, a defesa tem negado que haja intenção de delatar.>
Após a segunda prisão de Vorcaro, conteúdo do seu celular apreendido na investigação foi vazado para a imprensa.>
As conversas pessoais do banqueiro reveladas tiveram forte repercussão ao mostrar suposta proximidade de Vorcaro com altas autoridades, entre elas o ministro do STF Alexandre de Moraes e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro.>
No caso de Moraes, a polêmica começou antes, no ano passado, quando o jornal O Globo revelou que sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, manteve um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master.>
Já as mensagens vazadas agora indicam que Moraes e Vorcaro teriam se encontrado em algumas situações em 2025. Também segundo novas reportagens do jornal O Globo, teriam, inclusive, se comunicado em 17 de novembro, dia da primeira prisão do banqueiro.>
O ministro negou ter recebido as mensagens, argumentando que uma perícia feita pela área técnica do STF do material vazado da investigação teria comprovado que o destinatário não seria ele. Esse material foi recebido da PF pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as fraudes do INSS.>
O jornal O Globo, por sua vez, publicou outra reportagem refutando a alegação do ministro, em que diz que as informações repassadas à CPMI não são as mesmas às quais o jornal teve acesso.>
O Banco Master teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro e é investigado por um suposto esquema de fraudes. >
No início, a investigação estava sob relatoria de Toffoli, que puxou todo o caso para o STF.>
Contudo, a atuação dele no processo vinha sendo questionada devido a supostas relações do ministro com pessoas ligadas ao Master, especialmente Daniel Vorcaro. >
Reportagens na imprensa revelaram que uma empresa de Toffoli e de seus irmãos, a Maridt Participações, recebeu pagamentos de um fundo ligado ao Banco Master pela venda de parte do resort Tayayá, no Paraná.>
O ministro confirmou que a Maridt é uma empresa familiar, administrada por seus parentes, e que faz parte do quadro societário. Mas disse que "jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro [dono do Banco Master] ou de seu cunhado, Fabiano Zettel".>
Diante das revelações, porém, o ministro decidiu em fevereiro se afastar da relatoria das investigações. O ministro André Mendonça foi sorteado para ser o novo relator.>
A decisão foi tomada após uma reunião realizada com todos os ministros da Corte, um dia depois da Polícia Federal enviar um relatório para o presidente do STF, Edson Fachin, com menções a Toffoli no caso do Master. >
Na quarta-feira, Toffoli fez questão de citar essa reunião com seus colegas, em que foi afastada, na época, a hipótese de suspeição.>
"Ressalto, inicialmente, que foram definitivamente afastadas, por decisão transitada em julgado, quaisquer hipóteses de suspeição ou de impedimento da minha atuação nos processos da chamada 'Operação Compliance Zero'", escreveu, reproduzindo na sequência a nota divulgada em conjunto pelos dez ministros do STF. >
"Todavia, nos termos do disposto no art. 145, § 1º, do Código de Processo Civil, declaro minha suspeição por motivo de foro íntimo", continuou. >
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