Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 18:11
No ano passado, muitos de nós buscamos proteínas incessantemente, na esperança de aumentar nossa resistência e melhorar a forma física.>
Mas, nos últimos meses, o principal tema alimentar nas redes sociais passou a ser a fibra, algo que muito poucos de nós consumimos em quantidade suficiente todos os dias.>
Postagens com as hashtags #fibremaxxing e #fibermaxxing ("maximizando as fibras", em português) receberam mais de 150 milhões de visualizações no TikTok. E vídeos de sementes de chia sendo lançadas sobre mingau e nutricionistas alardeando os benefícios do feijão-vermelho e do grão-de-bico surgiram nos feeds de todas as pessoas.>
O NHS (o serviço público de saúde do Reino Unido) recomenda aos adultos o consumo de 30 g de fibra por dia. Mas 96% dos britânicos não atingem esta recomendação. Muitos não chegam nem perto.>
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O consumo médio diário de fibra no país é de cerca de 16,4 g — e as mulheres comem menos que os homens.>
Muitos nutricionistas afirmam que esse alvoroço em torno das fibras não é algo ruim.>
A nutricionista Kate Hilton explica que a fibra foi considerada, por muito tempo, um "nutriente pouco charmoso", devido às suas associações à digestão e à flatulência, ao contrário da relação de longa data entre a proteína e a boa forma física.>
"Quando comecei a observar as postagens sobre a fibra, fiquei bastante empolgada", afirma a nutricionista Kristen Stavridis. "Parece que as mensagens sobre a saúde do intestino finalmente estão atingindo as pessoas.">
Além de favorecer o intestino, comer mais alimentos fibrosos, como arroz integral e batata assada, também traz outros benefícios.>
"As pessoas que ingerem mais fibras viverão por mais tempo, sofrerão menos doenças cardiovasculares, terão menos câncer e menos risco de condições como diabetes", segundo o professor de nutrição Kevin Whelan, do King's College de Londres.>
Whelan destaca que alguns estudos indicam que a fibra também pode melhorar nossa saúde mental.>
Yeshe Sander é de Birmingham, no Reino Unido. Ela tem 24 anos de idade e conta que aumentar a ingestão de fibra na sua alimentação para 30 g por dia a ajudou a se sentir "muito melhor", física e mentalmente.>
Ela foi criada com pais que tentaram fazer com que ela comesse oito porções de frutas, legumes e verduras por dia e tivesse uma dieta rica em fibras. Mas, durante a adolescência, ela decidiu se rebelar contra isso.>
"Eu não queria nada que fosse comida saudável", conta Sander. "Quando era adolescente eu comia muito chocolate, rosquinhas e biscoitos.">
Na faculdade, sua refeição rápida favorita era macarrão instantâneo com torradas brancas ou pizza congelada.>
"Somente quando fiquei mais velha, com pouco mais de 20 anos, pensei que talvez eles tivessem razão", afirma ela, em relação aos seus pais.>
Depois de se sentir fraca, indisposta e sem motivação, ela reexaminou sua alimentação e voltou a comer alimentos mais saudáveis. E, após aumentar sua ingestão de fibras, Sander percebeu a diferença.>
"Agora, consigo ver claramente", conta Sander. "Quando como mais fibras, minha saúde mental melhora e minha ansiedade e meu desânimo diminuem.">
O café da manhã é a sua refeição preferida. Ela recomenda comer mingau com diversas coberturas, para consumir um pouco de fibra pela manhã.>
A fibra alimentar é uma cadeia de moléculas de açúcar produzidas pelas plantas, que não pode ser digerida por seres humanos. Ela é encontrada em frutas, verduras, legumes, cereais, feijões e nozes.>
Os efeitos da fibra foram descobertos nos anos 1970. Acreditava-se que a fibra fosse apenas um "material grosseiro e duro", que ajudava nossos corpos a se livrar dos resíduos, segundo Whelan.>
"Agora, sabemos que ela é muito mais do que isso. Ela traz outros benefícios à saúde além do intestino.">
As fibras fermentáveis, encontradas em alimentos como aveia e legumes, ajudam as bactérias boas do intestino delgado a crescer, enriquecendo nosso microbioma intestinal.>
Já as fibras insolúveis, encontradas no pão integral, farelo e nas cascas das frutas e legumes, ajudam as fezes a trafegar pelo intestino.>
Por fim, as fibras viscosas, encontradas na aveia, sementes e nas cascas de algumas frutas e legumes, reduzem a velocidade de absorção do açúcar e seus picos na corrente sanguínea.>
Todos esses tipos diferentes de fibras, entre outros, nos ajudam a manter a saúde, explica Whelan.>
Em relação aos benefícios do consumo de fibras à saúde, Whelan indica diversos estudos epidemiológicos em larga escala. Eles registram os hábitos alimentares de um grande grupo de pessoas e quais doenças elas desenvolveram.>
Estes estudos nem sempre levam em consideração outros fatores, como a demografia, o ambiente e consciência da alimentação. Mas o professor afirma que existem também testes clínicos que indicam que a fibra traz benefícios à saúde de muitas partes do corpo.>
Alguns estudos também sugerem que a alimentação com alto teor de fibra pode melhorar a saúde mental, segundo Whelan.>
Um microbioma saudável, alimentado com fibra pré-biótica que promove a saúde das bactérias do intestino, potencialmente, pode reduzir a ansiedade e o risco de depressão.>
"Existe uma comunicação em duas vias entre o nosso cérebro e o intestino, o eixo intestino-cérebro", explica ele.>
Testes clínicos sugerem que certas fibras (as fibras pré-bióticas que alimentam a microbiota) podem ajudar a melhorar o humor.>
Uma descoberta surpreendente das pesquisas de Whelan foi que a fibra ajudou a melhorar a cognição em pessoas de mais de 60 anos.>
Vicky Owens conta que aumentar sua ingestão de fibra após um problema de saúde no ano passado trouxe enormes benefícios.>
Como empresária com pouco tempo para cozinhar, ela se alimentava principalmente com delivery e alimentos prontos.>
A jovem de 25 anos começou a ter sintomas sem motivo aparente, como ataques de pânico, problemas gástricos e olhos inchados e irritados. Seu médico ficou perplexo, segundo ela.>
Ela começou a reavaliar seu estilo de vida e, depois que um acupunturista sugeriu que ela alterasse sua alimentação, Owens percebeu que quase não comia fibras.>
Ela começou a cortar os alimentos ultraprocessados e dar preferência a frutas e verduras frescas, macarrão integral e aveia. Por fim, ela começou a ver enormes benefícios.>
"Minha pele melhorou, tenho mais energia", conta ela. "E acho, como um todo, que, agora, tudo está muito mais equilibrado.">
Pequenas alterações são uma ótima forma de acrescentar mais fibra às suas refeições, segundo Kate Hilton. Aqui estão algumas ideias:>
Este é um exemplo de cardápio, preparado por Kristen Stavridis, para atingir 30 g de fibra por dia. Observe que as quantidades de fibra variam de acordo com a marca e o tamanho das porções:>
No Reino Unido e em outros países, as pessoas comem muitos alimentos ultraprocessados e de lojas de conveniência, que normalmente não contêm muita fibra, segundo Hilton.>
"Os carboidratos que consumimos não costumam ser alimentos como grãos integrais e dependemos muito mais de carnes para conseguir nossa proteína, em vez de feijões ou outras fontes vegetais", destaca ela.>
Stavridis explica que a recente obsessão por proteínas pode ter também afetado a ingestão de fibra das pessoas. Alguns priorizaram a proteína à custa de outros nutrientes.>
A proteína é importante para a saúde, mas ela aconselha às pessoas que "não fiquem obcecadas por ela e comecem a acompanhar a fibra", para atingir uma alimentação geral saudável.>
Passar a comer mais fibras é uma boa decisão para a maioria das pessoas.>
Mas, para os portadores de certas condições como doença de Crohn e diverticulite, muitas vezes, esta medida não é recomendada. Nestes casos, é preciso procurar aconselhamento médico antes de qualquer mudança da alimentação.>
Muita quantidade, rápido demais, também pode causar problemas, explica Cara Wheatley-McGrain, da empresa de bem-estar Mindful Gut, que ajuda as pessoas a mudar sua alimentação.>
"Aumente lentamente", aconselha ela. "Se fizermos subitamente uma mudança radical, o nosso intestino se surpreende e podemos acabar com inchaço e prisão de ventre.">
Ela também recomenda beber muita água.>
Wheatley-McGrain está "muito feliz" por ver a fibra finalmente sendo levada a sério nas redes sociais. Mas ela não quer aumentar ainda mais a pressão sobre os jovens, que enfrentam um bombardeio constante de diferentes dietas e regimes alimentares.>
"Precisamos observar tudo para fazer as melhores escolhas para nós", orienta ela.>
"Acrescente um pouco de fibra à sua alimentação, lentamente, observe como você se sente e siga adiante.">
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