Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 19:09
Este é um momento muito sério para o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.>
Tudo o que ele fez e disse hoje (5/2) reflete o fato de que ele e sua equipe compreendem a gravidade da sua situação.>
No seu pronunciamento desta manhã, teria sido estranho e até chocante se Starmer falasse apenas sobre o aumento dos valores investidos pelo governo para inspirar orgulho entre as pessoas. Mas não foi o que ele fez.>
Em vez disso, o primeiro-ministro ofereceu um pedido de desculpas específico para as vítimas do criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein (1953-2019), por ter "acreditado nas mentiras de Peter Mandelson" e tê-lo nomeado para o mais alto cargo diplomático do país — o de embaixador nos Estados Unidos.>
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O momento mais revelador provavelmente ocorreu quando, sob intenso questionamento dos jornalistas, Starmer reconheceu que compreende "a raiva e a frustração dos parlamentares trabalhistas".>
São os parlamentares do Partido Trabalhista que irão determinar o destino do primeiro-ministro. E eles nunca estiveram tão furiosos quanto agora, desde o início do seu governo.>
A parlamentar trabalhista Rachael Maskell tem sido uma espinha na garganta de Starmer, quando o assunto são os cortes no setor de assistência social.>
Ela declarou que, na sua opinião, a posição do primeiro-ministro é "insustentável" — e que é "inevitável" que ele precise deixar o cargo.>
"Não acredito que ele tenha escolha", disse ela à BBC Rádio York. "Ele escondeu por vários meses da Câmara dos Comuns [a câmara baixa do Parlamento britânico] que sabia das associações entre Peter Mandelson e Jeffrey Epstein no momento da nomeação.">
Aquele foi "um ato vergonhoso" para os parlamentares e para as vítimas de Epstein, segundo Maskell.>
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Outro parlamentar trabalhista, que pediu para se manter no anonimato, declarou ao jornalista Matt Chorley, da BBC Rádio 5 Live: "Preciso dizer que não sei como ele poderá continuar.">
"O paciente está em estado terminal há meses", acrescentou outro, "mas, agora, parou de reagir ao tratamento.">
Um ministro trabalhista afirmou que "a única certeza é que o governo não está no controle deste tema e, por isso, ele poderá tomar qualquer rumo".>
Chorley também conversou com outros parlamentares mais dispostos a apoiar o primeiro-ministro.>
O parlamentar John Slinger declarou que "a calma precisa prevalecer. O primeiro-ministro agiu certo neste assunto.">
Outro parlamentar do Partido Trabalhista, Steve Witherden, afirmou à BBC País de Gales que "no mínimo, o chefe do Estado-maior do primeiro-ministro, Morgan McSweeney, certamente precisa responder por que apoiou a nomeação de Mandelson, apesar dos detalhes do seu relacionamento com Epstein serem de conhecimento público".>
Mas é significativo que, mesmo com toda a fúria por trás dos microfones, poucos parlamentares convoquem o primeiro-ministro a ir a público. Os poucos que o fizeram são parlamentares que nunca apoiaram muito sua liderança.>
Na verdade, muitos parlamentares nem mesmo estão dispostos a pedir publicamente a demissão de McSweeney, o que Starmer vem resistindo a fazer.>
Isso indica que o primeiro-ministro pode estar mais fraco do que nunca, mas o questionamento da sua liderança está longe de ser iminente.>
"Realisticamente falando, não acho que algo irá acontecer antes dos resultados de Gorton", disse um parlamentar. Ele se refere às eleições suplementares que irão ocorrer nas regiões de Gorton e Denton, em Manchester (Inglaterra), no dia 26 de fevereiro.>
"E, até lá, pode ficar muito perto de maio", quando serão realizadas eleições na Escócia, no País de Gales e em alguns locais da Inglaterra.>
Um ex-ministro também declarou que ainda acha "muito improvável que alguém se mude antes de maio".>
"Mas tudo está se movimentando com muita rapidez." E acrescentou: "Não vejo como o primeiro-ministro possa se recuperar da absoluta falha de julgamento ao nomear Mandelson.">
E um ministro atual declarou: "Ele está acabado. É só questão de quando.">
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