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Publicado em 3 de março de 2022 às 19:32
No começo da semana, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que o presidente norte-americano, Joe Biden, sabe que a "única alternativa" que o país asiático terá diante das sanções econômicas impostas contra Moscou é uma Terceira Guerra Mundial. O chefe da diplomacia russa afirmou que esse conflito seria nuclear e devastador. >
Essa ameaça de uma guerra nuclear deixou o mundo todo preocupado, diante do alto potencial de destruição das armas nucleares, como é o caso das bombas atômicas. >
Para especialistas, é baixa a probabilidade de que o conflito na Ucrânia cresça ao ponto de se tornar global e alcance magnitudes de uma Terceira Guerra Mundial, o que deveria estimular o uso de armas nucleares potentes.>
De acordo com o professor de Relações Internacionais da Universidade Vila Velha (UVV) e analista de risco político Daniel Carvalho, desde que inventaram os armamentos nucleares a humanidade chegou perto de ter um conflito desse tipo apenas uma única vez, em 1962, na crise dos mísseis, em Cuba.>
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“A própria ideia de que uma guerra nuclear destruiria o mundo como um todo, inclusive os países beligerantes, fez com que as duas grandes potências da época recuassem”, afirma.>
O especialista aponta que essa mesma lógica muito provavelmente é levada em consideração atualmente para evitar uma eventual escalada de tensão entre as maiores potências nucleares da atualidade: Rússia e Estados Unidos. Na década de 1950 esse raciocínio era chamado de mutual assured destruction (MAD), que em português quer dizer destruição mútua assegurada.>
Ou seja, uma guerra nuclear de proporções globais poderia sim destruir boa parte do planeta, incluindo os próprios países em guerra, que seriam contra-atacados em proporções iguais ou até maiores. >
Daniel Carvalho diz que a fala do chanceler russo é na verdade uma escalada retórica e nada mais do que isso. Uma mensagem que, segundo ele, mostra que a principal preocupação do governo da Rússia é a segurança do seu país. >
Daniel Carvalho
Professor de Relações Internacionais da UVV e analista de risco políticoA Ucrânia é atualmente um "país-associado" à Otan, o que significa que pode se unir à organização no futuro.>
Para o governo russo, a inclusão de seus vizinhos na organização é uma tentativa dos americanos e das potências europeias de cercar seu território, o que configura uma ameaça à Rússia. “A Ucrânia é essencial para a segurança russa porque quando eles olham para outros países ao redor, como a Polônia, veem armas americanas apontadas para eles”, pontua o especialista.>
QUAL O PODER DE DESTRUIÇÃO DE UMA BOMBA ATÔMICA?>
O professor de logística da UVV e militar aposentado Francisco Assis pontua que para falar do poder de destruição de uma bomba atômica é preciso voltar um pouco na história, quando no fim da Segunda Guerra Mundial as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki foram bombardeadas entre os dias 6 e 9 de agosto de 1945. >
Em Hiroshima, a bomba denominada Little Boy, com 72 quilos de urânio 235, foi lançada sobre a cidade, a mais de 10 mil metros de altura. Ela demorou 43 segundos até explodir. Tudo em um raio de dois quilômetros foi destruído pela explosão equivalente a 13 mil toneladas de dinamite. Estima-se que a explosão tenha matado imediatamente de 40 mil a 100 mil pessoas.>
Três dias depois, a segunda arma atômica (Fat mand), agora de plutônio e mais potente do que a primeira, foi usada em Nagasaki. Tudo em uma área de 3 quilômetros foi destruído pela explosão equivalente a 21 mil toneladas de dinamite. Matando na hora de 25 mil a 49 mil pessoas.>
“Tudo no raio da explosão foi dizimado na hora. Os corpos das pessoas foram desintegrados. Ficaram apenas uma mancha negra, onde ela estava sentada ou escorada na parede”, explica Assis.>
Além dos efeitos imediatos e a curto prazo, a detonação acarretou uma grande quantidade de problemas à saúde humana ao longo de gerações, devido ao surgimento de mutações genéticas desenvolvidas pela exposição de adultos, crianças, gestantes e até mesmo fetos à radiação.>
Francisco Assis explica que hoje esses efeitos, em função das novas tecnologias, seriam muito maiores. “Para se ter uma ideia, em 1961, a Rússia realizou testes com uma bomba que tinha o poder equivalente a 50 milhões de toneladas de dinamite”, destaca. >
Em outubro de 1961, a Rússia (na época ainda como União Soviética) realizou teste em Nova Zembla, uma ilha no oceano Ártico, com a "Bomba-Czar". Ela era 3.300 vezes mais potente que a que atingiu a cidade de Hiroshima.>
MAS AFINAL, QUAL É O TAMANHO DO ARSENAL NUCLEAR RUSSO?>
Dona do maior arsenal nuclear do mundo, a Rússia tem cerca de 6.255 ogivas, ficando à frente dos Estados Unidos, que ocupa a segunda posição, com 5.550. Os dados são do relatório anual do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI), referentes a janeiro de 2021, com base nos dados disponibilizados pelos países que possuem armamento nuclear.>
Estima-se que pelo menos nove países tenham esse tipo de armamento de destruição em massa: EUA, Rússia, China, França, Reino Unido, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte. >
De acordo com Francisco Assis, com o fim da Guerra Fria vários tratados foram feitos para reduzir a corrida nuclear, o que fez o número de ogivas ao redor do mundo cair nos últimos anos, passando de 70 mil nos anos 1980 para cerca de 14 mil atualmente.>
"Os arsenais nucleares hoje são divididas por objetivos, que aquele país que está adotando tem para neutralizar uma área, cidade, metrópole, região, sendo que esse arsenal vai aumentando de acordo com o objetivo", completa.>
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