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Pandemia

Em tensão com os EUA, China se defende em abertura da assembleia da OMS

O dirigente chinês, Xi Jinping, disse que a China agiu com 'abertura, transparência e responsabilidade'

Publicado em 18 de Maio de 2020 às 12:53

Redação de A Gazeta

Publicado em 

18 mai 2020 às 12:53
Covid-10 no Mundo
Após acusações, dirigente da China defende uma investigação liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a respeito das origens do vírus Crédito: Freepik/Montagem Fernando Madeira
Depois de semanas de acusações feitas principalmente pelos Estados Unidos sobre a resposta da China à pandemia do novo coronavírus, o dirigente chinês, Xi Jinping, defendeu, nesta segunda-feira (18), uma investigação liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a respeito das origens do vírus.
O presidente americano, Donald Trump, membros do alto escalão de seu governo e aliados dos EUA acusam a China, onde os primeiros casos da Covid-19 foram detectados, de omitir informações e ter perdido o controle sobre o avanço da doença.
Em discurso transmitido por vídeo durante a assembleia anual da OMS em Genebra, na Suíça, Xi apoiou uma resolução enviada pela União Europeia que propõe uma avaliação da organização e de seu diretor geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
O líder chinês disse que a pandemia de Covid-19 é "a mais grave emergência mundial em saúde pública desde o final da Segunda Guerra Mundial" e que, "o tempo todo", a China agiu com "abertura, transparência e responsabilidade".
Xi também usou sua fala na assembleia para defender a resposta de Pequim à pandemia. Ele anunciou uma doação de US$ 2 bilhões (R$ 11,6 bilhões) à Organização das Nações Unidas (ONU) e se ofereceu para ajudar a melhorar a infraestrutura de saúde em países da África.
Além disso, o dirigente chinês disse que quaisquer vacinas contra a Covid-19 produzidas em seu país serão consideradas um "bem público mundial e compartilhado".
"Neste momento crítico, apoiar a OMS é apoiar a cooperação internacional e a batalha para salvar vidas", disse Xi. "A China assume como responsabilidade não apenas a vida e a saúde de seus cidadãos, mas também a saúde pública global."
Outros chefes de Estado, presidentes e ministros devem fazer seus pronunciamentos na assembleia geral da OMS até quarta-feira (20).
No discurso de abertura, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, criticou os países que "ignoraram as recomendações" da OMS na resposta à pandemia do novo coronavírus e estimou que o mundo paga um "preço alto" por essas estratégias divergentes.
"Vimos expressões de solidariedade, mas pouquíssima unidade em nossa resposta à Covid-19. Os países seguiram estratégias divergentes e todos pagamos um preço alto por isso."
O projeto de resolução enviado pela União Europeia, que pede uma avaliação da resposta internacional e da OMS à pandemia, será examinado durante a assembleia.
Sem mencionar Wuhan ou China, ele pediu à OMS que trabalhe com outras agências da ONU para "identificar a fonte zoonótica do vírus e a via de introdução à população humana, incluindo o possível papel dos hospedeiros intermediários".
De acordo com a agência de notícias Reuters, que teve acesso ao documento, 116 dos 194 países-membros já manifestaram apoio ao projeto.
A tensão entre EUA e China continua sendo, entretanto, o tema que deve pautar, ainda que indiretamente, as próximas decisões da comunidade internacional na construção de uma resposta coordenada à pandemia.
Trump, que encabeça as críticas à China, suspendeu, em abril, os pagamentos feitos à OMS, que representavam cerca de 15% do orçamento da organização.
Além disso, na semana passada, Trump ameaçou cortar relações com a China por causa da pandemia e disse que Pequim "nunca deveria ter deixado isso acontecer".
Esse foi o mais recente dos episódios da "guerra fria" que se estabeleceu entre as duas maiores economias do mundo desde que a pandemia se configurou na província chinesa de Hubei.
Entre conservadores americanos, a teoria prevalente é que o novo coronavírus poderia ser uma arma biológica em estudo que escapou de forma proposital ou não de um laboratório em Wuhan. A afirmação foi desmentida por um estudo científico internacional.

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