Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 08:09
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez, na noite de terça-feira (24/2), um discurso inflamado sobre o Estado da União, no qual celebrou o que chamou de "uma virada histórica" americana.>
Em um momento em que pesquisas indicam que muitos nos EUA estão insatisfeitos com a situação atual do país — e com a liderança de Trump — o presidente deu poucos sinais de mudança de rumo.>
Em vez disso, de olho nas decisivas eleições de meio de mandato, previstas para 3 de novembro, na qual o comando do Congresso pode ficar com a oposição, Trump apresentou um discurso de autopromoção ao país, um chamado patriótico a seus apoiadores leais e provocações a seus adversários políticos.>
Foi uma fala marcada por recursos teatrais — momentos pensados para as câmeras, típicos de alguém que já apresentou um reality show.>
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Logo no início, ele deu as boas-vindas à equipe masculina de hóquei da seleção olímpica dos EUA, presente na galeria. Os atletas ergueram suas medalhas de ouro enquanto republicanos entoavam "USA!" e até os democratas se levantaram para aplaudir.>
Mais tarde, Trump homenageou heróis militares, um veterano de 100 anos da Segunda Guerra Mundial e um nadador da Guarda Costeira que resgatou 165 pessoas presas nas enchentes do Texas no ano passado. Este último recebeu a Medalha de Honra do Congresso, e o primeiro, a Legião do Mérito por heroísmo extraordinário.>
Embora seu discurso tenha batido um recorde de duração, esses momentos aceleraram o ritmo da noite e se alinharam ao tema central do presidente: patriotismo e realizações americanas.>
Seu discurso começou com frases já conhecidas. "Nossa nação está de volta", afirmou. Era o país "mais quente" do mundo. Em determinado momento, após culpar os democratas por criar uma crise de "custo de vida", acrescentou: "Estamos indo muito bem.">
Ele citou o aumento da renda, a valorização do mercado de ações, a queda no preço da gasolina, a fronteira sul com redução drástica na travessia de migrantes sem documentação e a inflação sob controle.>
"O nosso país está vencendo novamente", concluiu.>
O desafio do Trump é que sua taxa de aprovação pública gira em torno de 40%, e a população dos EUA quer que ele faça mais para enfrentar suas preocupações.>
No mês passado, ele fez um pronunciamento nacional na Casa Branca, em Washington D.C., no qual abordou temas semelhantes e apresentou estatísticas parecidas, mas que não convenceu o público. Trump e seus assessores parecem apostar que, com uma audiência maior no discurso sobre o Estado da União, que deve alcançar dezenas de milhões de pessoas, o resultado será diferente.>
O que Trump não fez neste discurso, porém, foi apresentar um volume significativo de novas políticas.>
Ele pontuou o pronunciamento, de quase duas horas, com algumas propostas, entre elas novas contas de poupança para aposentadoria destinadas a trabalhadores de baixa renda e um acordo com empresas de inteligência artificial para garantir fornecimento suficiente de eletricidade a suas instalações, a fim de evitar que consumidores sejam atingidos por tarifas mais altas.>
Também voltou a defender ideias antigas, como um plano de saúde que prevê pagamentos diretos aos americanos para ajudar a cobrir franquias de seguro, uma lei que exija que todos os eleitores comprovem cidadania e a proibição da concessão de carteiras de motorista comerciais a migrantes sem documentação.>
Ele ainda prometeu continuar avançando com seu amplo regime de tarifas, mesmo após a decisão da Suprema Corte, na sexta-feira passada (20/2), que derrubou muitas das taxas que ele havia imposto anteriormente.>
Três dos ministros que votaram contra o presidente permaneceram inexpressivos enquanto assistiam da primeira fila. Mais cedo, Trump e o presidente da Suprema Corte, John Roberts — autor do parecer sobre as tarifas — trocaram um breve aperto de mãos, mas nenhum dos dois sorriu.>
Em um discurso frequentemente interrompido por aplausos dos republicanos presentes no plenário, a discussão de Trump sobre tarifas provocou murmúrios entre os democratas e silêncios desconfortáveis entre os republicanos, muitos dos quais demonstram desconforto com o custo econômico dessas medidas e com a ameaça que sua impopularidade possa representar para suas chances eleitorais.>
Se as tarifas sufocaram o ambiente, quando Trump passou a falar de imigração os ânimos se exaltaram.>
Os trechos em que o presidente mencionou o que chamou de ameaça de "imigrantes ilegais" provocaram alguns dos aplausos mais estrondosos dos republicanos no plenário e gritos indignados e olhares frios dos democratas.>
A imigração vinha sendo um dos pontos fortes políticos de Trump, mas a intensificação das ações de fiscalização em Minneapolis, que resultou na morte a tiros de dois cidadãos americanos por agentes federais, corroeu significativamente a sua posição.>
O presidente não mencionou essas mortes — nem a "abordagem mais branda" na fiscalização que sugerira ser necessária após o episódio. Em vez disso, o discurso de Trump, com foco em crimes cometidos por migrantes sem documentação — assassinatos, acidentes e corrupção — buscou retomar a iniciativa no tema.>
"A única coisa que separa os americanos de uma fronteira completamente aberta neste momento é o presidente Donald J. Trump e nossos grandes patriotas republicanos no Congresso", disse.>
Foi um reconhecimento tácito de que, em pouco mais de oito meses, os americanos irão às urnas nas eleições de meio de mandato que definirão a composição das duas Casas do Congresso.>
Como é típico nesses pronunciamentos no Congresso, independentemente de quem ocupe a Presidência, a política externa ficou em segundo plano. Apesar do grande envio de forças americanas para a região próxima ao Irã, Trump fez pouco para convencer o público americano de que uma ação militar sustentada dos EUA seria necessária.>
"Minha preferência é resolver esse problema por meio da diplomacia, mas uma coisa é certa: jamais permitirei que o principal patrocinador do terror no mundo tenha uma arma nuclear", afirmou, antes de mudar de assunto.>
No momento, os ventos políticos sopram contra o presidente. Ainda assim, Trump pode acreditar que o humor do público está prestes a mudar.>
Talvez ele esteja convencido de que os americanos começarão a sentir os benefícios econômicos de suas políticas. Ou talvez acredite que o clima mudará com um renovado sentimento de patriotismo durante as celebrações do 250º aniversário do país neste verão.>
Seu discurso, com menções a heróis militares e a jogadores de hóquei medalhistas de ouro presentes na plateia, pode indicar que esta é a aposta política que ele decidiu fazer.>
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