Publicado em 20 de outubro de 2025 às 23:32
Um relatório preliminar divulgado nesta segunda-feira (20/10) sobre o acidente com um bondinho em Lisboa no mês passado, que matou 16 pessoas, apontou para uma série de falhas.>
Segundo o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) de Portugal, um cabo subterrâneo — que servia de contrapeso entre duas cabines e se partiu, causando o acidente — estava defeituoso e nunca tinha sido certificado para o transporte de passageiros.>
O relatório afirma que o cabo não era tecnicamente adequado e foi adquirido em 2022 pela Carris, empresa que gere o transporte público de Lisboa e agora admite ter demitido o responsável pela manutenção de bondinhos.>
O Elevador da Glória, uma atração turística de 140 anos, descarrilou e colidiu com um edifício em 3 de setembro.>
>
Entre os mortos, havia 11 estrangeiros. Outras 20 pessoas ficaram feridas.>
De acordo com o relatório, faltou supervisão por parte dos engenheiros da Carris e o cabo não foi testado antes da sua instalação.>
A supervisão e a manutenção do bondinho por uma empresa terceirizada pela Carris também não funcionaram adequadamente — aparentemente liberando o funcionamento do Elevador da Glória na manhã do desastre, embora não haja certeza de que a verificação realmente ocorreu naquele dia.>
O sistema de freio de emergência, que o motorista tentou acionar corretamente quando o cabo se rompeu, não funcionou bem e nunca havia sido testado previamente, segundo o relatório.>
No entanto, o documento enfatizou que as informações coletadas até o momento são "incompletas", sendo necessários mais testes e análises.>
"A culpa ou responsabilidade de qualquer organização ou pessoa envolvida no incidente não deve ser presumida", diz o relatório do GPIAAF.>
O prefeito de Lisboa, Carlos Moedas — reeleito em 12 de outubro apesar das acusações da oposição de que teria falhado na supervisão dos bondinhos da cidade —, disse à emissora SIC que o relatório "reafirma que a lamentável tragédia... se deveu a causas técnicas e não políticas".>
A Carris emitiu um comunicado salientando que "não é possível neste momento afirmar se as não conformidades na utilização do cabo são ou não relevantes para o acidente".>
A empresa destacou um trecho do relatório segundo o qual os mesmos cabos estavam em uso no Elevador da Glória havia 601 dias sem incidentes.>
O relatório do GPIAAF também traz recomendações preliminares, como a implementação de um novo sistema de gestão de segurança pela Carris, em conformidade com as melhores práticas europeias.>
O relatório completo levará cerca de 11 meses para ser concluído. Caso haja atraso, será divulgado um relatório provisório mais detalhado.>
Enquanto isso, todos os bondinhos de Lisboa foram obrigados a ficar fora de serviço até que as verificações de segurança sejam feitas.>
Todos os sistemas de freios precisam de ser revistos para verificar se conseguem parar as cabines em caso de falha do cabo — o que não aconteceu no acidente com o Elevador da Glória —, aconselhou o relatório.>
O documento também recomendou o fim de uma brecha pela qual os elevadores históricos de Lisboa ficam isentos do monitoramento legal e da supervisão que se aplica a outras formas de transporte com cabos.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta