Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 19:11
Duas mulheres acusaram o cantor espanhol Julio Iglesias de agressão sexual enquanto trabalhavam para ele. Elas afirmam que ele "normalizou o abuso" em um ambiente coercitivo, ameaçador e violento.>
As acusações, reveladas em reportagens do site de notícias espanhol elDiario.es e do veículo norte-americano Univision, estão sendo investigadas pelo Judiciário espanhol.>
O cantor empregava as duas mulheres em propriedades suas em Punta Cana, na República Dominicana, e em Lyford Cay, nas Bahamas. Segundo os depoimentos, as agressões sexuais teriam ocorrido em 2021.>
Iglesias, de 82 anos, é um nome conhecido na Espanha desde a década de 1960 e vendeu milhões de discos em todo o mundo.>
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De acordo com o elDiario.es e a Univision, Iglesias e seu advogado não responderam a repetidos pedidos de posicionamento sobre as acusações antes da publicação das reportagens.>
No entanto, uma mulher identificada como gerente de uma das propriedades caribenhas do cantor afirmou que as alegações eram "absurdas".>
A BBC tentou entrar em contato com representantes de Iglesias para comentar o caso, mas ainda não recebeu resposta.>
Uma das mulheres entrevistadas, uma trabalhadora doméstica cujo nome foi alterado para Rebeca nas reportagens, afirmou que o cantor a chamava com frequência para seu quarto ao fim do dia e a tocava de forma inapropriada com os dedos, sem consentimento.>
"Ele me usava quase todas as noites", disse. "Eu me sentia como um objeto, como uma escrava.">
Rebeca, que é dominicana e tinha 22 anos quando os supostos fatos ocorreram, também alegou que Iglesias a obrigou a participar de relações sexuais a três com outra funcionária. Ela relatou ainda que o cantor dava tapas em seu rosto e apalpava seus genitais.>
A outra mulher, uma fisioterapeuta venezuelana identificada como Laura nas reportagens, disse que Iglesias tocou seus seios e a beijou na boca contra sua vontade. >
Segundo ela, ele a ameaçava constantemente de demissão, controlava a quantidade de comida que ela consumia e perguntava quando sua menstruação estava prevista.>
"Ele sempre dizia que eu era gorda e que precisava emagrecer", disse Laura, descrevendo um ambiente de trabalho de "abuso normalizado".>
Embora tenha dito que frequentemente rejeitava as investidas sexuais do cantor, acrescentou: "Havia garotas que não conseguiam dizer não. E ele fazia o que queria com elas".>
O elDiario.es e a Univision, que investigaram o caso em conjunto ao longo de três anos, afirmam que as acusações são sustentadas por provas documentais, incluindo fotografias, registros telefônicos, mensagens de texto e laudos médicos.>
As reportagens citam outros ex-funcionários de Iglesias que descrevem uma ambiente ameaçador e estressante para aqueles que trabalhavam para ele.>
Rebeca e Laura apresentaram, em 5 de janeiro, uma queixa judicial contra Iglesias por agressão sexual e tráfico de pessoas perante o tribunal nacional da Espanha, responsável por investigar crimes cometidos fora do território espanhol.>
O escritor Jaime Peñafiel, amigo de longa data do cantor, classificou as acusações como "mentiras absolutas".>
O jornalista Miguel Ángel Pastor, também próximo a Iglesias, disse nunca ter ouvido "qualquer indício" de que o cantor tivesse cometido esse tipo de ato.>
A ministra da Igualdade da Espanha, Ana Redondo, afirmou esperar que o caso seja investigado "até o fim".>
"Quando não há consentimento, há agressão", escreveu em uma rede social.>
A deputada Ione Belarra, líder do partido Podemos, pediu o "fim do silêncio" em casos de agressão sexual envolvendo "agressores famosos protegidos por seu dinheiro".>
No mês passado, uma mulher apresentou denúncia judicial afirmando que o ex-primeiro-ministro espanhol Adolfo Suárez a teria abusado sexualmente desde quando ela tinha 17 anos.>
Suárez morreu em 2014. A polícia investiga o caso. O magistrado Jesús Villegas afirmou que a denúncia dificilmente prosperará e que teria motivação política.>
A presidente da Comunidade de Madri, a conservadora Isabel Díaz Ayuso, manifestou apoio a Julio Iglesias.>
"A Comunidade de Madri não contribuirá para a difamação de artistas e, menos ainda, para a daquele que é o mais universal dos cantores: Julio Iglesias", escreveu em rede social.>
O biógrafo de Iglesias, Ignacio Peyró, e a editora Libros del Asteroide informaram que uma biografia publicada no ano passado sobre o cantor (El español que enamoró al mundo, ou O espanhol que deixou o mundo apaixonado, em tradução livre) será atualizada para incluir as acusações. >
Eles também expressaram seu "apoio e solidariedade às vítimas".>
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